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Campo Grande, Quinta-feira, 23 de Janeiro de 2020

14/01/2020 07:19

De abóbora a fusca, José é o “cabra” que só falta vender a família na calçada

Arretado e de bem com a vida, ele é bom de papo e vende rede, algodão, cana, madeira e até galinha em frente à casa onde mora

Alana Portela
José Fernandes da Silva mostrando o plantio de abóbora pendurado (Foto: Marcos Maluf)José Fernandes da Silva mostrando o plantio de abóbora pendurado (Foto: Marcos Maluf)

Com varal de abóbora em pleno o bairro Jardim TV Morena, José Fernandes da Silva só não vende a família porque é proibido. Aos 49 anos, ele é uma figurinha conhecida pela criatividade e transformou a calçada da casa onde mora, na rua Raposo Tavares, num comércio a céu aberto. No entanto, a venda está com os dias contados, porque a Prefeitura já mandou seu José tirar tudo dali. O cenário, que sugere calmaria e nem parece estar próximo à avenida Eduardo Elias Zahran, rende boa prosa e muitas fotos. 

“Vendo de tudo, só não as filhas porque não autorizaram ainda”, brinca dando risada. Ele é um nordestino arretado e de bem com a vida, que faz qualquer coisa para garantir o sustento da família, até mesmo pendurar um plantio de abóbora em frente à casa para chamar atenção da clientela.

“Gosto de plantar, tive a ideia de pendurar as abóboras porque assim fica bonito. Não é difícil fazer isso não, é só cultivar primeiro num vaso e quando começar a crescer amarrar no alto, mas com cuidado. Coloca numa parte que a planta se espalha sozinha. Aqui tem várias espécies de abóbora”, conta.

Maria correndo perto do ponto onde o pai armou uma rede para os passageiros sentarem (Foto: Marcos Maluf)Maria correndo perto do ponto onde o pai armou uma rede para os passageiros sentarem (Foto: Marcos Maluf)
Nathalia e a irmã caçula, Melissa segurando vasos de planta com mudas (Foto: Marcos Maluf)Nathalia e a irmã caçula, Melissa segurando vasos de planta com mudas (Foto: Marcos Maluf)
Da esquerda para direita; Nathalia, Melissa, Maria e Fernanda de frente para o pé de algodão (Foto: Marcos Maluf)Da esquerda para direita; Nathalia, Melissa, Maria e Fernanda de frente para o pé de algodão (Foto: Marcos Maluf)

Para a reportagem, o preço das abóboras não foi revelado, mas se cliente parar ali e perguntar, o valor varia de acordo com o tamanho. Os legumes chamam atenção pela cor vistosa e por fazer parte da decoração da calçada. “Tem gente que para e faz fotos para postar nas redes sociais”, diz.

Zé recebeu a equipe do Lado B com o sorrisão do rosto. Carismático, mas só de vez em quando, como ele mesmo diz, pediu para a reportagem sentar e apontava para os produtos que vende no local.

Além dos legumes, a calçada foi tomada por plantio de algodão, maxixe, mamão e outras culturas que ainda estão no vaso de planta. Zé contou que é um “cabra” de muitas histórias e que o fato de fazer do local seu negócio, já deu dor de cabeça, mas nunca desiste.

“Nessa semana mesmo veio o pessoal da Prefeitura pedindo para retirar tudo daqui, como fizeram outras vezes. É o trabalho deles, mas sempre foi assim. Anteriormente já me levaram mais de 100 mudas de palmeiras, porém continuo vendendo de tudo”.

No local tem um ponto de ônibus sem banco para os passageiros aguardarem, mas como um bom comerciante, Zé cedeu uma de suas redes para ajudar os moradores e fazer aquela propaganda do produto. “Armei a rede para ficar ali, mas se quiserem e precisar tenho muitas outras aqui, é só pedir”.

Zé sentado na cadeira de balanço (Foto: Marcos Maluf)Zé sentado na cadeira de balanço (Foto: Marcos Maluf)
Na calçada tem até balanço para as crianças (Foto: Marcos Maluf)Na calçada tem até balanço para as crianças (Foto: Marcos Maluf)

O trabalho de vendedor ele disse que iniciou na infância, quando começou a trabalhar aos 13 anos para ajudar a família em casa. “Naquela época consegui comprar o primeiro terreno e dei para meus pais. Quando vim pra cá, só tinha a roupa do corpo e decidi vender redes para sobreviver. Logo comprei um caminhão e por toda parte que passava comprava um terreno”, conta.

Com determinação, ele fez as vendas das redes darem certo e decidiu construir a vida na Capital. “Comprei a casa, casei e fui tendo filhos. Já tenho 16 e quero mais”, afirma Zé. Hoje, enquanto trabalha, as crianças; Nathalia, Maria, Fernanda e Melissa fazem sua alegria e não deixam o pai desistir de nada.

Na calçada ainda tem galinhas, janelas, bancos, cana e outros objetos com a plaquinha de “vende-se”. Os interessados podem chegar à vontade porque o atendimento é bem humorado e Zé até pede para a freguesia sentar e conversar, enquanto não decide o que levar.

Zé ganhou o título de “Melhor Vendedor de Rede do Mundo”. “Meu irmão do nordeste me deu esse título”, comenta.

Quem gosta de verduras e legumes e quiser conhecer o trabalho de Zé, é só passar na rua. Agora, após a notificação da Prefeitura, ele vai retirar os produtos e plantas da calçada, porém tudo ficará em seu quintal para ser comercializado.

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José ao abraçando as quatro filhas na esquina do trabalho (Foto: Marcos Maluf)José ao abraçando as quatro filhas na esquina do trabalho (Foto: Marcos Maluf)

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É um verdadeiro absurdo a naturalidade com que a situação e este cidadão são tratados na matéria, como se fosse um coitado e não estivesse fazendo nada errado.
Quem mora na região já não suporta mais este senhor e suas tranqueiras espalhadas pelas calçadas, que inclusive já estão do outro lado da rua. O terreno ao lado da casa é utilizado como um verdadeiro lixão a céu aberto, servindo como foco de doenças.
Realmente lamentável.
 
Rafael Tosi de Carvalho em 14/01/2020 09:39:43
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