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Campo Grande, Terça-feira, 18 de Setembro de 2018

18/04/2018 08:12

Depois de 4 anos longe do palco, Nidal volta à dança mais forte que a depressão

História que começou com problemas respiratórios, levou à síndrome do pânico e à superação da bailarina

Thaís Pimenta
Nidal conta sobre o que passou até decidir, finalmente, volta aos palcos com seu show de mais de 26 anos de experiência. (Foto Marina Pacheco)Nidal conta sobre o que passou até decidir, finalmente, volta aos palcos com seu show de mais de 26 anos de experiência. (Foto Marina Pacheco)

Quem acompanha as festas árabes, em restaurantes e casas de shows de Campo Grande, com certeza já viu Nidal Abdul dançar ou, ao menos, acompanhar outras bailarinas pela noite da cidade. Uma mulher com mais de 26 anos de experiência como bailarina, professora de dança do ventre e danças árabes, apaixonada pela cultura, mas que teve de se reinventar aos 36 anos.

Depois de quatro sem pisar nos palcos, Nidal finalmente ressurgiu no fim de semana, em uma apresentação especial, no restaurante El Maktub, em São Paulo. Falando assim, até parece coisa pequena, mas o pesadelo da bailarina foi tão pesado que ela hoje diz se sentir uma fênix, sem medo de clichês.

Sobre o drama dos últimos tempos ela lembra: "começou no fim de 2012, quando eu desenvolvi problemas respiratórios." A partir daí, uma série de medicamentos, como corticoides e injeções, mudaram a vida de Nidal, uma mulher intensa em tudo que faz e que costuma pagar um preço por isso.

Nidal no ano de 2011. (foto: Acervo Pessoal)Nidal no ano de 2011. (foto: Acervo Pessoal)

"Como consequência, vieram o inchaço do corpo, as tosses recorrentes e a falta de ar, coisas que me acompanham até hoje, quatro anos depois do diagnósticos de asma", completa.

Em 2014, as mudanças no corpo de Nidal causaram mais consequências, só que dessa vez, psicológicas. Um quadro de depressão severa tomou a alegria da bailarina e, para completar, veio a síndrome do pânico. "Me lembro nessa época de ir acompanhar minhas bailarinas em suas apresentações e as pessoas falarem 'nossa, o que aconteceu que você está tão gorda?'. Foi quando eu comecei a enxergar o preconceito na pele".

Ela sempre foi uma mulher magra, com curvas características de quem dança os ritmos árabes, mas o inchaço fez com que olhar no espelho fosse um martírio. Se maquiar, se pentear e se vestir já não tinham mais graça.

Mesmo sem se apresentar, ela faz questão de deixar claro que nunca deixou de dar suas aulas. "Foi doente que eu construí meu segundo estúdio e meu restaurante", conta.

São mais de 26 anos no palco, e atrás deles, como professora, experiência que pouca gente na cidade tem. (Foto: Aurélio Vinícius/Divulgação)São mais de 26 anos no palco, e atrás deles, como professora, experiência que pouca gente na cidade tem. (Foto: Aurélio Vinícius/Divulgação)

Foram inclusive suas alunas as maiores apoiadoras nos dias cinzentos de Nidal. "Tinham dias que eu descia com o cabelo armado, sem fazer nada comigo, sem me olhar no espelho, nem sequer lavava meu rosto e elas estavam aqui, me apoiando e sempre me pedindo pra eu voltar para os palcos".

Mas a vergonha, a falta de fé em si, em seu talento, em sua capacidade, faziam Nidal desistir a cada possibilidade de show. "Eu simplesmente negava esses convites. Não me sentia capaz de dançar. A minha depressão não me impossibilitava de fazer minhas coisas, ela me deixava em um breu sem fim, eu vivia em um mundo sem cor, literalmente".

Mesmo nos dias mais pesados, suas amigas estavam ali e foi por causa delas que a professora se redescobriu. "Todos esses momentos me fizeram enxergar um outro lado da dança, da dança de alma, de superação. Antes eu acredito que não sentia esse poder vindo do meu trabalho, hoje eu consigo vivenciar isso".

No dia 7 de abril, uma grande festa movimentou toda a equipe do estúdio e Nidal precisou estar presente no jantar com show do músico Tony Mouzayek. Sem esperar, a plateia começou a pedir, em coro, para ver toda a sensualidade da bailarina em cena novamente. Sem poder negar, Nidal deu uma palinha e viu suas alunas caírem no choro. "Elas se emocionaram comigo. Nesse momento eu decidi que precisava voltar, por elas e por mim".

A companhia de dança já estava programada para se apresentar no fim de semana em São Paulo, mas Tony fez questão de que Nidal tivesse um momento só seu no domingo. Aos que assistiam, a bailarina disse que foi emocionante, especialmente porque elas estavam todas juntas.

Para Nidal, todo o processo foi especial e também difícil. "Eu não estava mais acostumada aos rituais de me arrumar, passar  maquiagem. No hotel antes de ir eu quis passar mal mas fui mesmo assim. Como recompensa, vivi um momento mágico", detalha ela.

Em seu Facebook, o vídeo daquela noite reúne comentários emocionados. A legenda: "Um dia de cada vez", não poderia ser mais sincera. "Quiseram tirar seu brilho sua luz, E você como uma fênix ressurgiu pra mostrar quem é quem e quem manda e dança mais", era um dos comentários na publicação.

Tomados os devidos cuidados, levando sua bombinha para as apresentações, Nidal decidiu de uma vez por todas voltar a ser a mesma bailarina do passado, mas muito mais madura que há quatro anos.

Sua volta oficial está programada para acontecer no mês de maio, no Zhale, seu restaurante, em uma noite em que Nidal promete dançar, ao menos, cinco estilos diferentes da dança árabe. "A data ainda não foi definida, mas deve ser um fim de semana depois do dia das mães. Será vendido ingresso e todo mundo pode comparecer", finaliza ela. Agora confira o vídeo de sua mais nova apresentação:

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