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Campo Grande, Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018

14/10/2017 08:11

Depois de 58 anos juntos, finalmente Maria aceitou subir no altar com Lindolfo

Thailla Torres
Ontem, finalmente, ele viu Maria Silva dos Santos, de 84 anos, subir no altar. (Foto: Marcos Ermínio)Ontem, finalmente, ele viu Maria Silva dos Santos, de 84 anos, subir no altar. (Foto: Marcos Ermínio)

Por muito tempo, seu Lindolfo planejou ver a mulher da sua vida entrando na igreja. Mas viveu 58 anos de casamento apenas com a cerimônia civil na memória. Ontem, finalmente, ele viu Maria Silva dos Santos, de 84 anos, subir ao altar em um momento emocionante e único para a família.

"Eu esperei isso por muito tempo. Era meu sonho casar, mas ela se recusava, colocava algum obstáculo e só há 2 meses ela aceitou se casar comigo na igreja", descreve Lindolfo dos Santos, de 83 anos.

Ela era arredia, mas ao mesmo tempo tinha uma simplicidade que era só dela. (Foto: Marcos Ermínio)"Ela era arredia, mas ao mesmo tempo tinha uma simplicidade que era só dela". (Foto: Marcos Ermínio)

De camisa social e todo engomadinho, ele estende as mãos delicadamente para a esposa que caminha devagar até a varanda. Sem tirar o sorriso do rosto, ele não esconde a felicidade. "Acho que é impossível não ficar emocionado. O casamento tem um significado muito importante pra mim. Na verdade já somos casados, hoje vamos apenas reafirmar uma vida de amor e lealdade", descreve.

Ele e Maria se conheceram na década de 1960 em Corumbá. "Como eu a conheci? Essa é a grande história", diz sorridente, puxando na memória os detalhes de cada encontro na praça da cidade.

"A gente trabalhava perto. Ela em um café e eu na confeitaria. Todo dia eu ia lá tomar um café, até que uma vez ganhei um monte de refrigerante e ofereci para a mulherada que estava na praça. Ela foi a única que não aceitou e naquela hora eu fiquei invocado", lembra.

Com um sorriso tímido, Maria faz sim com a cabeça, enquanto Lindolfo recorda o comportamento que o fez se apaixonar. "Ela era arredia, mas ao mesmo tempo tinha uma simplicidade que era só dela".

Foram poucos meses de namoro até o casamento civil na Cidade Branca. Juntos construíram a confeitaria Vitorino, que foi sucesso em Corumbá durante 16 anos. Depois vieram para Campo Grande onde Lindolfo colocou em prática tudo que aprendeu sobre esfirras.

Lindolfo, Maria e os quatro filhos. (Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução)Lindolfo, Maria e os quatro filhos. (Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução)

"Aprendi a receita com uma amiga, dona Sofia Gatais, que me disse que eu jamais teria inveja de algum patrício árabe que entendesse de esfirra", conta.

Além de parceiros na profissão, Lindolfo e Maria mantiveram uma ligação única nestes 58 anos de união. Romantismo é a palavra certa no cotidiano dos dois que diariamente jogam bozó e passam os dias na beira do rio aproveitando a pescaria. "Ela sempre gostou de pescar comigo. Durante toda nossa vida nós trabalhamos para viajar e se divertir".

Juntos tiveram 4 filhos, 9 netos e 10 bisnetos. A família veio de longe para acompanhar a cerimônia realizada na igreja São Francisco. "Será muito simples, sem nenhum luxo, logo depois da missa. Do jeito que sempre sonhei", diz.

Até o fim da vida, Lindolfo deve continuar só amores com Maria. Isso, porque ele tem certeza que fez a escolha certa há 58 anos. "Casei com ela, porque sei que é para a vida toda. Aprendi que nunca se deve tentar transformar uma mulher, tem que amá-la do seu jeito e sempre foi assim".

Maria é nascida em Corumbá e Lindolfo veio de Santa Catarina em 1959, apaixonado por histórias fantásticas sobre o crescimento de Mato Grosso. "Eu era de um colégio franciscano e conheci alguns mato-grossenses que falavam muito deste estado. Até que um dia resolvi acabar com minha curiosidade e me deparei vivendo em Corumbá. Uma cidade hospitaleira e com uma das belezas mais encantadoras", se refere ao Pantanal.

Uma das fotos no álbum de família, do casal e os quatro filhos, ainda hoje emociona. "Além de estar num lugar que me acolheu tão bem, eu só tenho motivos para me orgulhar da família que consegui construir", diz Lindolfo.

Romantismo é a palavra certa no cotidiano de Lindolfo e Maria (Foto: Marcos Ermínio)Romantismo é a palavra certa no cotidiano de Lindolfo e Maria (Foto: Marcos Ermínio)



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