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Comportamento

Ela percebeu que estava cega ao acordar, mas desistiu da cura para seguir a vida

Por Lado B | 01/12/2013 17:14
Jusselene (a primeira à esquerda) no dia da formatura,
Jusselene (a primeira à esquerda) no dia da formatura,

Jusselene Ferreira da Silva, 38 anos, perdeu a visão aos 18, quando começava a fazer os planos para o futuro. Em janeiro de 1995, acordou achando que ainda era noite. Tentou acionar a luz, mas não encontrou o interruptor. “Me aproximei da janela e senti o calor do sol, mas não enxergava nada.” Foi assim que, literalmente, da noite para o dia Jusselene percebeu que estava cega, mesmo sem nunca ter sofrido qualquer distúrbio na visão.

Ela ainda procurou ajuda de médicos em Dourados, onde vive, em Campo Grande e até em Goiânia, sem nenhuma resposta positiva em relação a tratamento. Todos disseram se tratar de um caso raro, de descolamento de retina inalterável.

Então, desistiu de buscar a cura, resolveu seguir em frente e por isso virou exemplo de superação. Este ano pegou o primeiro diploma universitário, no curso de Ciências Contábeis da Faculdade Anhanguera de Dourados.

Até essa conquista, muitos desafios surgiram. Mãe de uma menina, quando deixou de ver teve de aprender a cuidar do bebê e dela mesma, de novo. Depois de 3 anos se casou novamente e teve mais 3 filhos. Passou também a ajudar o marido nas despesas, vendendo perfumes.

A vida difícil levou Jusselene a concluir o Ensino Médio com a ajuda do EJA (Ensino de Jovens e Adultos), como aluna dedicada.

Um dia, durante visita de professores universitários, veio o reconhecimento a tanto esforço. “A diretora disse aos professores que eles encontrariam uma pessoa especial, mas não citou nenhum nome. Quando foram na minha sala, eu era a única que não parava de fazer perguntas. Logo eles me identificaram como a pessoa especial que a professora havia dito”. Conta.

Ela foi convencida sobre a necessidade de fazer uma faculdade, participou do Enem e conseguiu uma bolsa integral pelo Prouni (Programa Universidade para Todos) para o curso de Ciências Contábeis.

“No começo não foi fácil. Eu era a única aluna da universidade com deficiência. Mas todos os professores aprenderam a trabalhar comigo, eram muito atenciosos, cada um aprendeu uma forma para me ensinar”.

Jusselene conta que a família sempre a apoiou, principalmente a filha mais velha, que estava com 3 meses quando a mãe perdeu a visão. “Hoje ela está com 19 anos e sempre diz que sou um exemplo para ela. Teve um dia que meu caçula contou que uma coleguinha de classe disse que todas as loiras são burras, ele respondeu que não era verdade, porque a mãe dele é loira, cega e faz faculdade. Me encheu de orgulho”.

Hoje ela administra a própria loja de roupas e perfumes, mas ainda tem um outro sonho pendente. “Por enquanto vou seguir na minha área, mas ainda pretendo fazer Jornalismo”. (Colaborou Stephanie Romcy)

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