Com as finanças equilibradas, Corumbá projeta um ano da virada e crescimento
Parte dos recursos do CAF vai quitar dívida com o Fonplata; juros somam R$ 30 milhões/ano

Com redução populacional nos últimos anos e estagnação econômica, por conta da falta de perspectivas de desenvolvimento, geração de empregos e projetos relevantes, Corumbá entra em 2026 com um cenário favorável para a reconstrução prometida pelo prefeito Gabriel Alves de Oliveira (PSB).
RESUMO
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Corumbá inicia 2026 com perspectivas positivas de crescimento após período de estagnação econômica e redução populacional. O prefeito Gabriel Alves de Oliveira, que assumiu a gestão com dívida de R$ 36 milhões, projeta investimentos superiores a meio bilhão de reais em diversos setores. Entre os principais projetos estão a construção de uma nova maternidade de R$ 80 milhões, um Hospital Regional de R$ 100 milhões e um Centro Tecnológico. A cidade também receberá investimentos em infraestrutura urbana, incluindo modernização da rede de água e esgoto, e restauração de prédios históricos. A retomada da importação do gás boliviano pela Petrobras promete impulsionar a arrecadação municipal.
Com as finanças equilibradas, a cidade está pronta para receber investimentos para grandes projetos este ano, que devem passar de meio bilhão de reais. Gabriel recebeu a prefeitura com uma dívida vencida de R$ 36 milhões e “devastada ao longo de sete anos pela corrupção, incompetência administrativa e obras inacabadas”, como declarou na posse.
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Médico, eleito com mais de 56% dos votos, seu grande desafio será tirar Corumbá do isolamento político, da desigualdade social e da econômica fragilizada, indicadores que refletem na migração interna e na baixa autoestima dos corumbaenses.
A aliança política e as articulações com os governos federal e estadual e bancada federal começam a render dividendos. O município teve aprovada linha de crédito de US$ 40 milhões (cerca de R$ 209 milhões) junto ao Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF). Entre projetos federais e emendas parlamentares, devem ser captados mais de R$ 150 milhões.
Centro Tecnológico
O governo estadual iniciou a obra da nova maternidade (10 mil m²), no valor de R$ 80 milhões, em anexo ao Hospital Regional (R$ 100 milhões), a ser construído a partir desse ano, e a Sanesul vai investir R$ 66,2 milhões na modernização da rede de água e esgoto.
Outra obra estadual relevante em infraestrutura será a construção de um sistema de contenção de alagamentos na parte alta, problema crítico da cidade, ao custo de R$ 25 milhões.
Com os recursos do CAF, o município vai implantar um Centro Tecnológico de 6.000m², para atrair investimentos em ciência, tecnologia e inovação e gerar oportunidades aos corumbaenses; construção do Parque Linear na antiga estação ferroviária, hoje abandonada, e levar 100% de asfalto aos bairros.
A cidade também se preocupa com seu patrimônio arquitetônico e R$ 40 milhões federais foram garantidos para restaurar seis prédios históricos e reurbanizar a orla portuária. “Será um ano de muitas entregas e resgate da nossa autoestima, com a oferta de uma saúde e educação de qualidade e uma cidade para se viver bem”, diz o prefeito.
“O ano de 2025 foi muito difícil, cada dia matando um leão”, lembra, citando as medidas duras que tomou (e estão em vigor), como redução de até 25% dos valores de contratos e licitações, renegociação de serviços e obras, corte de privilégios de servidores, controle rigoroso das despesas e suspensão de nomeações.
Um gás à receita
No ano passado, além das dívidas vencidas, incluindo ações judiciais e um rombo na Santa Casa, sob intervenção do município desde 2010, a nova gestão remou contra a queda de arrecadação de ICMS e outras fontes de custeio (repasses foram 45% a menor em relação a 2024) impactando na quitação da folha de pessoal.
Outro revés foi a redução drástica (R$ 10 milhões em comparação a 2024) do CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais) com a produção triplicando.

Enquanto se discute a sonegação das mineradoras, cuja fiscalização da “caixa preta” foi cobrada pelo deputado estadual Paulo Duarte ao governo federal, o ano que se inicia traz boas notícias para Corumbá: a Petrobras vai retomar em grande escala a importação (cerca de 20 milhões de m³/dia) do gás boliviano, que entra no país pelo município pantaneiro.
Isso significa que o ICMS do combustível voltará a patamares expressivos, depois de cair de 23% para 9% o montante que incide na arrecadação do Estado. “A retomada das importações do gás traz boas perspectivas para aumento da nossa receita, cujo índice hoje representa pouco”, aponta Gabriel de Oliveira, que destinou metade do orçamento de 2026 (R$ 1 bilhão) para a educação, saúde e infraestrutura.
O bairro Cristo Redentor vai ganhar uma escola de período integral, obras de unidades de saúde paralisadas estão sendo retomadas e uma UTI Neonatal está entre as prioridades para ampliar os serviços especializados à população.

