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Comportamento

Em visita a MS, cacique Raoni só escolheu Douglas para conversar

Encontro aconteceu há mais de 25 anos, quando o cacique esteve na Capital para uma mostra artística

Por Bárbara Cavalcanti | 16/09/2021 06:37
Cacique Raoni sendo entrevistado por Douglas. (Foto: Arquivo Pessoal)
Cacique Raoni sendo entrevistado por Douglas. (Foto: Arquivo Pessoal)

O ano era 1993 quando o jornalista Douglas Diegues, hoje com 56 anos, foi o único a entrevistar o cacique Raoni, líder indígena da etnia caiapó, conhecido até internacionalmente por ser ativo nas lutas pela preservação da Amazônia e dos povos indígenas brasileiros. Na foto, é possível ver apenas Douglas segurando o gravador, enquanto entrevista o cacique. Dessa conversa, ele guarda aprendizados até hoje e decidiu compartilhar essa lembrança do #TBT do Lado B.

De acordo com Douglas, vários jornalistas também queriam entrevistar o cacique. Raoni, porém, não queria conversar com quem julgava ser aliado demais ao governo da época. “Mas ele topou falar apenas comigo. O Cacique Raoni disse: "Só vou falar com ele", apontando para mim. Então, rolou uma conversa que foi gravada naquela noite”, relembra.

Na época, Douglas trabalhava na Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul e o cacique estava no estado durante uma mostra de arte e artesanato indígena. O evento acontecia no Centro Cultural José Otávio Guizzo.

A conversa foi profunda. “Uma das coisas que lembro [dele ter dito], é que tudo o que as pessoas fazem à floresta, aos animais, aos rios, estão fazendo para elas mesmas. Raoni disse também que é mais importante pensar primeiro nos outros do que em si mesmo. Me disse que não entendia por que as pessoas acumulavam tanto dinheiro, propriedades, riquezas materiais se, no total, viveremos uns 100 anos mais ou menos e depois, teremos que deixar tudo e sair da prisão do corpo físico”, detalha.

O cacique já tinha conhecido o pai de Douglas, Douglas Ferreira da Silva, que também era jornalista e, naquela época, tinha viajado a trabalho algumas vezes ao Xingu e feito amizade com Raoni. Mas naquele encontro, em Mato Grosso do Sul, o pai dele não é mencionado e Douglas fala em um “reconhecimento espiritual”. Usando expressões poéticas ao descrever a ocasião.

“Parece que me reconheceu espiritualmente. Avisou ali, em público, que não falaria com nenhum jornalista, só falaria comigo. Raoni falava numa língua que era como um rio escuro, mas eu podia entender suas palavras”, descreve.

Da entrevista, Douglas carrega até hoje o aprendizado que, inclusive, reflete em poemas que publicou na revista virtual intitulada “RevistaRia”. Os versos de Douglas trazem questões quase que filosóficas e existenciais.

“Rola até hoje uma conversa por telepatia com o cacique Raoni. Quando sintonizo com ele, ouço suas palavras, palavras verdadeiras, palavras que têm sabedoria de árvores e rios”, expressa.

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