Festa do Peão de Barretos nasceu das comitivas que saíam de MS
Comitivas de Paranaíba levavam gado a SP e inspiraram o maior rodeio da América Latina
Muita gente não sabe, mas a história da Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, a maior da América Latina, tem conexão com Mato Grosso do Sul. Antes mesmo de o evento existir, peões saíam de cidades como Paranaíba em longas comitivas para levar o gado até o interior de São Paulo.
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Na viagem, as comitivas guiavam até 1.500 cabeças de gado pelos chamados "corredores boiadeiros, como eram chamados as estradas por onde passavam entre uma cidade e outra.
Em Barretos, ficava a sede do frigorífico Anglo, aberto pela família real inglesa em 1913, uma das empresas que recebia os animais para abate.
A Associação Os Independentes, responsável pela produção da festa desde 1956, registra que "até 1955, Barretos era uma pacata cidade que tinha na pecuária sua principal atividade econômica (...). Mas eram os peões das comitivas, que reunidos para descansarem, acabavam criando mil maneiras para se divertirem. E nestes encontros tentavam mostrar suas habilidades na lida com o gado".
O livro "O sonho realizado", de Edinho Araújo, publicado em 1998, reforça essa conexão histórica. "A margem do Rio Paraná no Mato Grosso do Sul era chamada Porto do Taboado, enquanto a do lado paulista recebia o nome de Porto Vargas; ali a travessia era de fácil transposição, pela existência da Ilha Grande", destaca.
"Para os criadores de gado de Paranaíba, no sul de Mato Grosso, conduzir o gado até Barretos passando por São José do Rio Preto evitava a enorme volta pelo Triângulo Mineiro e a perigosa travessia do rio Paranaíba" completa a publicação.

Marco na cidade - Em 2008, a Prefeitura de Paranaíba ergueu um monumento para homenagear esses peões. Ao lado da estátua, uma placa resume a importância da jornada. "Aqui está metade do marco que registra o início da jornada boiadeira, com destino a Barretos, de homens valorosos que deixaram sua marca na história de Paranaíba", diz o texto.
O atual prefeito do município, Maykol Queiroz lembra que a obra foi feita na gestão de Manoel Ovídio para eternizar o caminho das boiadas.
“Paranaíba era rota dessas comitivas muitos e muitos anos. Antigamente, quando o estado de Mato Grosso era um só, aqui era uma cidade que as boiadas também dormiam, pousavam, para no outro dia de madrugada os cavaleiros com suas comitivas, levarem os bois, atravessar o rio Paraná de balsa para ir para o frigorífico de Barretos ou de Araçatuba, que eram muito famosos”, relembra.
Além de manter o marco histórico, a cidade preserva o espírito das comitivas em seus rodeios. Até o prefeito revela que foi cowboy de rodeio e competiu por 6 anos.
“Aqui tem muitas festinhas de rodeio em touros. Tem umas três ou quatro festas de rodeio em distritos, em bairros, além do aniversário. A tradição do rodeio aqui em Paranaíba é muito forte”, pontua o prefeito.
Hoje, a pecuária continua como base da economia local. Segundo ele, "a pecuária é a atividade mais forte da agricultura paranaibense. Hoje tem um frigorífico aqui que emprega 600 pessoas e mata de 400 a 600 cabeças todos os dias", relata.
Neste ano, a Festa do Peão acontece entre os dias 21 e 31 de setembro, com expectativa de movimentar R$ 1 bilhão. O público estimado é de 1 milhão de pessoas circulando pela cidade, onde programação inclui rodeios, exposições e shows com artistas renomados.
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