Há 13 anos, Glau mantém viva tradição familiar de ovos cri cri
Herança dos avós, os ovinhos recheados com amendoim crocante seguem marcando a data para ela e a esposa
Desde que Glauciene Santi, de 49 anos, se entende por gente, a Páscoa tem outro gosto. Muito além dos chocolates industrializados, da comilança da ceia e do sentido religioso, a data é uma lembrança que já dura gerações: a confecção dos ovos cri cri. Há 13 anos, ela se encarregou de não deixar a herança da família morrer. O momento, para todos hoje, é de união e renovação através de algo simples, como o quebrar as cascas dos ovos e a descobrir o amendoim crocante. Ao Lado B, ela revelou a receita familiar dos ovos.
RESUMO
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No começo, a coisa era feita pela falta de recursos dos avós para presentear os netos, mas depois virou um dos eventos mais importantes do ano. Pra quem não conhece, os ovos cri cri podem ser feitos tanto com as cascas dos próprios ovos de galinha vazios quanto moldando uma casquinha que parece ovo e pintando conforme a imaginação mandar.
“Vem dos meus avós. Meu pai, quando era criança, recebia esses ovinhos como doce, eles moravam no interior do Paraná e não tinha ovos de Páscoa, então eles pintavam, as avós pintavam, enchiam de amendoim com cri cri e esse era o presente de Páscoa. Quando ia na casa dos tios, dos avós, ganhavam esses ovinhos. Minha avó fazia quando eu era criança e depois a minha mãe não fez, ela pulou essa geração, não tinha esse hábito”.
A tradição voltou à família quando Glauciene se casou com Graziele Schmidt, de 48 anos. Os parentes dela também eram sulistas e faziam os ovos cri cri.
“Nós duas retomamos a tradição da família de fazer os ovinhos na Páscoa, que era uma memória afetiva que eu tinha e que eu queria que os meus filhos tivessem também. Então, desde que as crianças nasceram, eu e a Grazi retomamos os ovinhos, isso tem 13 anos. Eu tenho dois meninos que vão fazer 14 agora em junho e um outro que tem 10. E a gente junta os sobrinhos também, a gente envolve a família toda”.
Ela ressalta que guarda com carinho todos os anos que fez os seus com a esposa, filhos, sobrinhos e quem mais se interessar em experimentar. “Essas memórias ficam. O cheiro fica, o gosto. Eles amam o cri cri. A gente faz uma semana que está aqui comendo.”
O preparo exige atenção. O amendoim vai ao fogo com açúcar até atingir o ponto certo: quando gruda, endurece e fica crocante. O nome “cri cri” vem justamente do barulho feito na mordida.
Entre panela no fogo, cascas coloridas e mãos ocupadas, os ovos cri cri seguem firmes como uma tradição simples, caseira e cheia de sentido. Em tempos de pressa e de presentes comprados prontos, talvez seja exatamente isso que os torna tão especiais. O doce estala na boca, mas o que fica mesmo é a lembrança.
Confira a receita familiar de Glauciene:
Ingredientes
- 500 gramas de amendoim com casca
- 1 xícara de água
- 2 xícaras de açúcar
- 1 colher de fermento em pó
- Modo de preparo
Coloque todos os ingredientes em uma panela e leve ao fogo alto, mexendo até o ponto em que a mistura desgruda da panela. - Depois, despeje em uma forma e, com uma colher de pau, separe os amendoins ainda quentes.
- O segredo está nesse momento: se esfriar grudado, não solta mais.
- Depois de frio, o cri cri está pronto para consumo e pode ficar crocante por até 15 dias, desde que armazenado em pote hermético.
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