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Comportamento

Paulo trocou 30 anos de pedreiro por oficina de brinquedos reciclados

Artesão também já foi vaqueiro e hoje vende aviões, trens e itens que lembram a fazenda

Por Natália Olliver | 04/04/2026 07:56
Paulo trocou 30 anos de pedreiro por oficina de brinquedos reciclados
Paulo Heronço já foi vaqueiro no Nordeste, pedreiro por 30 anos e agora artesão (Foto: Renan Kubota)

Paulo Heronço Higino, de 54 anos, já foi vaqueiro no Nordeste, pedreiro por 30 anos em Campo Grande e, agora, artesão por escolha e felicidade. Foi no trabalho com madeira que se encontrou na vida. Há 2 anos, ele decidiu deixar de lado a rotina pesada das obras para viver do que sempre gostou: criar peças rústicas no estilo de fazenda com as próprias mãos.

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Paulo Heronço Higino, de 54 anos, deixou 30 anos de trabalho como pedreiro em Campo Grande para se dedicar ao artesanato em madeira reciclada. Na Rua Caxias do Sul, sua oficina expõe casinhas de passarinho, cavalinhos e carros de boi, peças que custam entre R$ 25 e R$ 200. Natural do Rio Grande do Norte, ele aprendeu o ofício sozinho desde a infância e afirma ser mais feliz hoje.

É impossível passar pela Rua Caxias do Sul e não ver a oficina dele, montada há 1 ano, com inúmeras casinhas de passarinho, cavalinhos de pau, barcos e até moinho de vento expostos na calçada e pendurados nas telhas. Natural de Natal (RN), no Rio Grande do Norte, Paulo cresceu na fazenda e carrega até hoje as referências desse tempo.

“Eu nunca gostei de ser pedreiro, sempre gostei disso aqui”, conta. O caminho até viver do artesanato foi construído devagar, entre um trabalho e outro, até conseguir estruturar o próprio espaço e apostar de vez no que ama.

Paulo trocou 30 anos de pedreiro por oficina de brinquedos reciclados
Paulo trocou 30 anos de pedreiro por oficina de brinquedos reciclados
Na oficina de Paulo, os brinquedos são os mais procurados (Foto: Renan Kubota)

Tudo o que produz vem de madeira reciclada, escolhida por ele mesmo. Com o tempo, aprendeu a olhar para cada pedaço e já imaginar o que pode nascer dali. É no olhar que surge a ideia, transformando o que seria descarte em peças cheias de significado.

Entre os itens mais procurados estão casinhas de passarinho, porteiras, porta-chaves no estilo fazenda, peças decorativas e brinquedos como balanços e cavalinhos de pau. Também saem da oficina carros de boi, trens e até aviões, feitos com a agilidade de quem carrega a prática desde a infância.

“Eu aprendi tudo sozinho, desde criança. Fazia para mim e para os meus irmãos os brinquedos. Sempre gostei disso aqui. Fui montando devagarzinho tudo para hoje ter a loja e viver disso. Eu me sinto muito bem, quando a pessoa compra de mim e me agradece, eu me sinto realizado”, conta.

Paulo trocou 30 anos de pedreiro por oficina de brinquedos reciclados
Paulo trocou 30 anos de pedreiro por oficina de brinquedos reciclados
Paulo largou serviço de pedreiro para ser artesão na própria loja (Foto: Renan Kubota)

O gosto pelo rústico tem raiz na infância simples, vivida no interior nordestino. Antes da loja, Paulo já colocava a criatividade em prática. Chegou a construir oito kitnets no terreno onde hoje também funciona a loja, batizadas de Cantinho do Vaqueiro.

Foi em uma área que antes servia de convivência para os inquilinos que ele decidiu montar a oficina. Reformou o espaço, levantou a estrutura e abriu as portas para o público.

“Queria fazer umas coisas diferenciadas, tudo rústico porque cresci assim. Depois fui incrementando, fazendo um balanço e o pessoal ia gostando. Fiz as casinhas no terreno, kitnets só para rapazes solteiros. Resolvi pegar essa parte e fazer minha oficina, demoli e levantei duas partes aqui na frente, uma para o artesanato e outra para a borracharia”, explica.

Paulo trocou 30 anos de pedreiro por oficina de brinquedos reciclados
Paulo trocou 30 anos de pedreiro por oficina de brinquedos reciclados
Vida nunca foi simples, mas Paulo sempre amou fazer brinquedos de madeira reciclada (Foto: Renan Kubota)

Paulo explica que a borracharia é voltada para pequenos reparos e surgiu como forma de complementar a renda. A ideia era garantir um extra, mas, segundo ele, é o artesanato que vem sustentando a casa. As peças custam entre R$ 25 e R$ 200, sendo a maioria vendida por R$ 50 ou R$ 100.

“Eu só não faço móveis grandes. Apesar de gostar de fazer tudo o que vendo, tem umas que a gente gosta mais, por exemplo carro de boi, trem, avião, engenho. O trem demorou umas 2 horas. Eu faço rápido, acho que tenho facilidade”, diz.

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Mais do que renda, o novo trabalho trouxe tranquilidade. “Hoje eu sou bem mais feliz. Antes eu era meio estressado. Agora estou mais tranquilo”, resume. Com mais tempo, ele consegue produzir até duas peças por dia e o salário já se aproxima do que ganhava na época da construção civil.

Sem redes sociais ou WhatsApp, Paulo prefere o contato direto. Quem quiser conhecer o trabalho pode ir até o local ou ligar para (67) 99114-8266.

“Pode vir conhecer, não precisa comprar não. Eu fico satisfeito”, conta. A oficina funciona de segunda a sábado, das 7h às 11h e das 12h às 18h e está localizada na Rua Caxias do Sul, 1027.

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