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Campo Grande, Sexta-feira, 24 de Maio de 2019

08/03/2019 08:37

Imóvel que aparece em foto de 1955 ainda existe e emociona comerciante atual

Veja o antes e o depois de um ponto na Rua Padre João Crippa cheio de lembranças para o campo-grandense

Thailla Torres
Na foto, José Neves Mendonça com dois anos de vida, na Rua Padre João Crippa. Na foto, José Neves Mendonça com dois anos de vida, na Rua Padre João Crippa.
A mesma localização, hoje tomada pelo comércio. Mas o imóvel da esquina resiste entre as árvores. O O mesmo cenário em 2019. (Foto: Henrique Kawaminami)A mesma localização, hoje tomada pelo comércio. Mas o imóvel da esquina resiste entre as árvores. O O mesmo cenário em 2019. (Foto: Henrique Kawaminami)

No celular, ao olhar a fotografia antiga, o sapateiro Gonçalo Martins da Silva, de 58 anos, deixa escapar a emoção pelos olhos. São poucos anos de comércio na esquina da Rua Padre João Crippa com Maracaju, mas as memórias do lugar são antigas, por isso, ao ver a foto ele solta com alegria. “Eu lembro muito bem desse tempo, da calmaria, como é bom rever isso”, declara.

Com 47 anos de profissão, o sapateiro continua a conversa com um pedido. “Manda-me essa foto, por favor?”, pede. Nas memórias, enchentes na região da Maracaju e a força da Rua Padre João Crippa que era cenário do famoso Rádio Clube. “As pessoas conheciam o lugar pelo clube, o centro da diversão na cidade. Eu lembro que vinham muitas pessoas para esses lados”.

Gonçalo é dono de sapataria no imóvel que aparece à direita da foto antiga. (Foto: Henrique Kawaminami)Gonçalo é dono de sapataria no imóvel que aparece à direita da foto antiga. (Foto: Henrique Kawaminami)

A casa que aparece na foto de 1955 ainda existe. Na esquina, um imóvel que durante anos foi bar e hoje está nas mãos de Gonçalo como sapataria. De trabalho, ele só faz consertos. “Parei de produzir sapatos, a concorrência com a indústria é desleal porque o sapato barateou muito”, conta.

Mesmo assim ele não abre mão do ofício, muito menos do ponto, que apesar de muitos comércios, conta com moradores antigos que dão bom dia ao comerciante sempre que possível. “É gente antiga e gente boa. Aqui é um lugar que vale a pena ficar”, diz.

O menino da fotografia também apareceu, aliás, foi ele quem publicou o retrato “histórico” de 1955 nas redes sociais e viu diversos moradores lembrarem-se do local. “Essa foto foi tirada em frente ao número 1846, eu tinha apenas dois anos de vida e a rua não era asfaltada”, lembra o vendedor José Neves Mendonça, aos 65 anos.

Outra foto no mesmo lugar, guardada no arquivo de José. Outra foto no mesmo lugar, guardada no arquivo de José.

O lugar era sem asfalto, tinham poucas casas e ainda não era visível a torre da Igreja São José. “Não havia sido construída”, diz. Do cenário ao comportamento da região, tudo era diferente e marcou a vida de José. “A época de infância foi muito boa. Apesar da poeira, as famílias se reuniam na porta de casa para conversar, as crianças brincavam com a luz do luar, não tinha perigo nenhum e não tinha trânsito. Mas era famosa na época por ser a Rua do Rádio Clube, muitas pessoas passavam ali perguntando do lugar”.

A rua permaneceu sem asfalto 1968, quando o então prefeito Antônio Mendes Canale asfaltou a região. “Apesar da infraestrutura dessa parte, problemas com as enchentes continuavam. E a canalização do córrego só foi iniciada em 1971 pelo prefeito Levy Dias”, lembra

Outra curiosidade é com o nome da Rua Padre João Crippa. Inicialmente, ela era chama de Rua 15 de Agosto em homenagem ao dia de Nossa Senhora da Abadia. Em 1947, passou a se chamar Rua da Constituição. Em 1951, pela Lei n. 234, de 25 de Dezembro, recebeu o nome de Rua Padre João Crippa, em homenagem ao salesiano que se dedicou a educação da juventude.

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