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Campo Grande, Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020

07/01/2020 06:41

Irineu era o técnico gentil que conseguia animar UPA até de madrugada

Ele ficou conhecido como o técnico de enfermagem gentil e sorridente nos plantões da madrugada, mas câncer o levou em 2019

Alana Portela
Irineu Alves de Lima era a alegria em pessoa e não tirava o sorriso do rosto (Foto: Arquivo pessoal)Irineu Alves de Lima era a alegria em pessoa e não tirava o sorriso do rosto (Foto: Arquivo pessoal)

Irineu Alves de Lima partiu e levou com ele a gentileza e o carinho que dispensava aos que precisavam de cuidados. Técnico de enfermagem que trabalhava no UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Leblon de Campo Grande, ele ficou famoso entre os pacientes pelo sorriso e a dedicação. Para os amigos próximos, era o tipo de pessoa capaz de animar até as madrugadas mais tensas dentro da unidade de saúde.

“Era um amigo maravilhoso, começamos a trabalhar no mesmo local em 2014 e via o quanto era comprometido com o trabalho. A gente ria muito na madrugada porque o plantão era das 2h às 6h”, conta a enfermeira Patrícia Damaceno. Na profissão há 11 anos, ela comenta como foi a convivência com o amigo que deixou saudade.

Patrícia relata que Irineu era inteligente, gostava de estudar e apesar de ter atuado como técnico tinha conseguido diploma de enfermeiro. Passaram bons e maus momentos juntos, como a vez em que o amigo foi agredido durante o trabalho por um homem que invadiu o UPA. “O rapaz pegou ele pelo pescoço, porque tinha atendido uma criança que estava desidratada e a mãe ligou reclamando para o marido”.

Irineu preparando o soro durante o plantão (Foto: Arquivo pessoal)Irineu preparando o soro durante o plantão (Foto: Arquivo pessoal)
Lenir Iraci de Oliveira, a Mozão tinha que dar o primeiro abraço no amigo (Foto: Arquivo pessoal)Lenir Iraci de Oliveira, a Mozão tinha que dar o primeiro abraço no amigo (Foto: Arquivo pessoal)

Na confusão, a esposa do agressor segurou a porta da sala de atendimento para que o marido pudesse agredir o enfermeiro. “Ele não merecia aquilo, ficou dois meses afastado, recebeu ameaças. Depois teve a audiência do caso, mas não deu em nada”, diz. Patrícia comenta que apesar da dedicação dos profissionais, sempre aparece alguém fazendo agressões verbais. “As pessoas não sabem esperar”.

Passado o transtorno, Irineu continuou trabalhando até setembro de 2019, mês que começou a sentir dores e passou por cirurgia de retirada do apêndice. “Não demorou muito para receber alta e voltar pra casa, mas logo as dores retornaram. No Hospital Regional realizou exames e no final de outubro foi diagnosticado com tumor no estômago e metástase no peritônio. O câncer tinha se espalhado pelo seu corpo”, explica Patrícia.

O amigo recebeu o diagnóstico e lutou até o fim. “Não desanimou, dizia ter esperança. O visitei um dia antes do falecimento, estava com a voz cansada e mesmo assim sorria se mostrando forte”, lembra a enfermeira da força de Irineu, que partiu no dia 21 de novembro.

Quem também se recorda do parceiro é Lenir Iraci de Oliveira, apelidada pelos colegas de Mozão. Para o plantão começar bem, Irineu precisava receber o abraço da amiga. “Abraçava ele, levava janta para todos. A gente nunca se separou, estávamos juntos para o que der e vier. Foram momentos bons, o conhecia há 20 anos e era como se fosse filho”.

Ela trabalhou no local por anos como serviços gerais, mas saiu para ter o próprio empreendimento. Quando encontrava com Irineu era uma festa, até fazia massagem na perna do amigo que passava horas em pé atendendo. Mozão continuou ao lado do enfermeiro até o fim e agora, permanece em contato com a família para não perder o vínculo construído pela amizade.

Por ter sido uma pessoa gentil, Irineu sempre estava rodeado de amigos (Foto: Arquivo pessoal)Por ter sido uma pessoa gentil, Irineu sempre estava rodeado de amigos (Foto: Arquivo pessoal)

Luceli Malavaze é técnica de enfermagem há 12 anos e durante nove trabalhou ao lado de Irineu. “Gostávamos de cantar, brincar, chamava por apelidos e sempre perguntava o que estava acontecendo quando percebia que não estava bem. Está difícil sem ele, principalmente nos plantões, pois gostava de mexer com curativos, medicações e coletas. Sentimos que sempre falta alguém”.

Entre os intervalos, Irineu e Luceli planejavam viagens juntos. “A gente combinava e a última foi para Foz do Iguaçu, quando levamos a mãe dele. Cuidava de tudo, pesquisava os locais mais em conta para ficarmos. Fiquei sem meu parceiro de viagem”, diz entristecida.

O irmão do enfermeiro, Enéas Alves de Lima comenta que quase dois meses depois, a família tenta recomeçar. “Era meu amigo, crescemos juntos enfrentando as dificuldades. Ajudava todos, por isso a vocação na área da saúde”.

Sempre dá aquele aperto no peito, saudade de vê-lo entrando todo sorridente pela porta de casa, como era, mas agora o que ficaram foram as lembranças de um homem trabalhador que não poupou esforços para ajudar o próximo.

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Irineu e a amiga, Luceli Malavaze em Foz do Iguaçu (Foto: Arquivo pessoal)Irineu e a amiga, Luceli Malavaze em Foz do Iguaçu (Foto: Arquivo pessoal)
Irineu ao lado da mãe e com as amigas no fundo (Foto: Arquivo pessoal)Irineu ao lado da mãe e com as amigas no fundo (Foto: Arquivo pessoal)
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