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Campo Grande, Quarta-feira, 22 de Maio de 2019

09/11/2018 06:52

Mães em "carreira solo", amigas criam projeto para ajudar mulheres nesse desafio

Intenção é que o projeto se torne algo semelhante ao CVV para atendimento de mulheres que descobriram a gravidez

Thaís Pimenta
Luiza e sua filhota ainda na barriga, há quase 2 anos, numa maternidade de muitos desafios. (foto: Acervo Pessoal)Luiza e sua filhota ainda na barriga, há quase 2 anos, numa maternidade de muitos desafios. (foto: Acervo Pessoal)

Ser mãe em "carreira solo" vai muito, mas muito além das responsabilidades práticas. O desafio de ter um filho sozinha começa desde o que fazer depois do atraso na menstruação, até às noites de sono em claro para amamentar ou acalmar a cólica do bebê, e segue pelas lições obrigatórias a cada dúvida na vida do filho. A administradora Ana Paula Mandetta e a jornalista Luzia Loren da Silva sabem bem o que é enfrentar o mundo sem a ajuda do outro.

A emoção vem e a voz fica embargada ao lembrar-se do “positivo” no exame e dos desafios que surgiram a partir de então na história de Ana. “Eu tive medo. O primeiro pensamento que vem à mente é o aborto e isso hoje é muito difícil de confrontar. Falo isso porque sei que a maioria das mulheres pensa nessa possibilidade ao menos uma vez, quando descobrem que estão grávidas, afinal, sem apoio é difícil”.

Para Luiza Loren também não foi nada fácil. “Você tem aquele pensamento de que sua vida acabou. É o que a sociedade nos diz, afinal. No meu caso estava no melhor momento da minha vida profissional, pensei que tudo ia pelos ares mas depois da Mel Beatriz eu criei uma força tão grande, nossa vida melhorou”.

Luzia explica sobre o projeto. (Foto: Paulo Francis)Luzia explica sobre o projeto. (Foto: Paulo Francis)

Em paralelo ao desafio de estar nesta posição, antes mesmo de se conhecerem as duas sentiam o coração pulsar pela vontade de amparar as milhares de mulheres -e também os pais- que tem de enfrentar a criação do filho sozinhos. Nos melhores casos, a família é apoio, mas em algumas situações nem mesmo os avós da criança estão presentes. Pra piorar a situação “os amigos somem”, como diz Luiza.

Luiza mexia com o projeto Preferi Ser Mãe, com uma vertente mais empreendedora, de empoderamento da mãe que se vê perdida financeiramente e profissionalmente. Ana participava de grupos no WhatsApp de acolhimento às mães de primeira viagem, de rede de apoio, e sempre escreveu a respeito do que viveu nos 2 anos e 5 meses de vida de seu filho.

Envolvida no tema, a administradora até já havia criado um nome para o projeto: O Canto da Loba. “Canto no sentido físico, afinal a gente precisa de um canto, do nosso espaço, de uma casa pra o nosso filho. E canto também no sentido de cantar, colocar nossa voz pra fora, dividir nossos sentimentos, porque só assim, pra mim, eu encontrei acalento. Loba porque as mães solos são fortes, precisam e descobrem uma força extrema. E loba também porque esta palavra ainda carrega o status negativo, do lobo mau. A sociedade nos vê com esse estigma, e precisamos mudar essa visão”.

Ana Paula Mandetta grávida do filho há cerca de 2 anos. (foto: Acervo Pessoal)Ana Paula Mandetta grávida do filho há cerca de 2 anos. (foto: Acervo Pessoal)

Bastou um encontro para, juntas, unirem as duas coisas em uma e assim nasce, pouco a pouco, o Canto da Loba. A primeira fase é a de arrecadar verba para tornar o projeto possível e o mais acessível possível. “Por enquanto conseguimos R$ 7 mil e precisamos de mais R$ 6 mil para criar a página, o site, toda a identidade da plataforma”.

O sonho é, a longo prazo, formar uma espécie de CVV para as mulheres que acabaram de descobrir a gestação. “Um lugar onde a mulher sinta-se segura para desabafar”.

Por enquanto, a primeira ação será uma imersão em um coaching para que a mulher possa mudar o ‘mindset’ em que vive, se descobrir além da maternidade. “Vamos lançar vídeos das 17 pessoas que hoje já fazem parte do grupo para elas servirem de exemplo, mostrando sua própria história, provando que uma hora tudo se ajeita e desta forma dar força para quem está quase desistindo, com exemplos”, completa Ana.

Elas são pontuais ao dizer que não têm a intenção de passar a mão na cabeça das mães, é abraçar, mas dizendo o que é correto e o que está errado. “Se precisar puxar a orelha você fala: será que você não está sendo megera quando não tinha que ser? Trazer o equilíbrio a ela porque nenhuma mãe é dona do seu filho e as vezes ela acha que é e impede, por meio da alienação parental, o contato do filho com o pai”.

Este é, inclusive, um ponto muito sensível de todo o processo de ser mãe solo e, na opinião das duas, é importante fomentar a relação do filho com o pai, deixando claro os malefícios da falta de contato, por exemplo, a nível psicológico para a criança, e prevenir todo o tipo de problema que um desequilíbrio emocional pode causar. O site da vaquinha fica disponível aqui.

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