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Comportamento

Médicas explicam porque jovens estão infartando cada vez mais

Uso de anabolizantes pode ser um dos fatores; ele aumenta até 9 vezes chance de infarto

Por Natália Olliver | 31/08/2025 07:12
Médicas explicam porque jovens estão infartando cada vez mais
(Foto: Inteligência artificial)

Por que os jovens estão infartando? Diante de tantos vídeos nas redes sociais de adolescentes e pessoas com menos de 30 anos preocupados com a saúde do coração, o Lado B trouxe as médicas cardiologistas Franciely Bueno Wiginesk e Joanna Beatriz Curado Elias para responder o que todo mundo quer saber. Afinal, o que aumenta mais as chances de infarto nesse grupo: uso de anabolizantes ou o estresse da rotina?

RESUMO

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Jovens enfrentam aumento no risco de infartos, apontam cardiologistas. Fatores como uso de anabolizantes, estresse, tabagismo e obesidade contribuem para o problema. Médicas alertam para a necessidade de avaliação caso a caso, já que as causas são multifatoriais. Embora mais comum após os 50 anos, o infarto em jovens preocupa. Sintomas como dores no peito, falta de ar e ansiedade levam pacientes a buscar ajuda médica. Especialistas destacam que o uso de anabolizantes sem prescrição aumenta significativamente o risco de problemas cardíacos. A ansiedade, embora não cause infarto diretamente, pode gerar sintomas semelhantes, necessitando de avaliação profissional para descartar problemas cardíacos.

De início, é importante saber que as causas do infarto são multifatoriais e precisam ser analisadas caso a caso. Porém, Franciely afirma que não existe dose segura de anabolizante e que isso pode, sim, estar causando aumento do índice de casos. Outra coisa que também pode estar relacionada é o aumento de medicações para emagrecer sem prescrição ou acompanhamento  profissional.

A médica Joana, do Hospital Procon, ressalta que o uso de hormônios sem recomendação médica, ou seja, quando o paciente não precisa da reposição hormonal, pode aumentar em até 9 vezes o risco de infarto. O estresse também pode ser fator determinante para um infarto precoce, alerta Franciely.

Nas redes jovens aparecem em consultórios médicos fazendo exames. Eles relatam dores do peito e, muitas vezes falta de ar. O que antes era considerado um problema de idosos agora virou uma preocupação cada vez mais comum entre os mais novos. Embora o infarto seja mais comum em pessoas acima dos 50 anos, ele pode acontecer em qualquer idade.

“Nos últimos anos, temos visto um aumento preocupante dos casos em pessoas jovens, abaixo dos 45 anos. Isso acontece principalmente quando estão presentes fatores de risco como tabagismo, colesterol elevado, sedentarismo, obesidade, uso de drogas e até mesmo anabolizantes”, comenta Franciely.

Entre os fatores que podem aumentar o risco cardiovascular e antecipar o aparecimento do infarto, mesmo em pessoas jovens, estão o tabagismo (incluindo cigarros eletrônicos), colesterol elevado, estresse crônico e ansiedade não controlada, hipertensão arterial e diabetes, histórico familiar de infarto precoce, obesidade abdominal e sedentarismo. Além disso, o uso de drogas ilícitas, como cocaína e anfetaminas, e o uso indiscriminado de anabolizantes e hormônios.

Médicas explicam porque jovens estão infartando cada vez mais
Ansiedade também leva muitos jovens ao cardiologista (Foto: Inteligência artificial)

Para Franciely, o uso de esteroides causa mais infarto que o estresse nos jovens. Já para Joana, a escolha entre os dois é difícil. No fim, ela concorda com a colega de profissão, mas ressalta que hormônios, quando recomendados e necessários, até protegem a saúde cardiovascular.

“Quando passa a fazer esteticamente, esse é o problema. Os casos de miocardite são 9 vezes mais comuns nas pessoas que usam hormônios em doses supra fisiológicas do que no restante da população. Os agonistas GLP-1 são uma arma poderosa no combate à obesidade, contudo, devem ser prescritos e acompanhados por um médico responsável, porque doses erradas levam a complicações.”

Na enquete deste sábado (30), o Lado B, perguntou aos leitores exatamente sobre isso. A resposta confirma o que as médicas relatam. Confira o resultados.

Médicas explicam porque jovens estão infartando cada vez mais

Ansiedade ou infarto?

Apesar de muitas pessoas descreverem crises de ansiedade como fortes dores no peito, o que leva muita gente para o hospital achando que está morrendo, as médicas comentam que o infarto não costuma aparecer do nada. Ele dá sinais sutis de que algo não vai bem.

“Tem os casos súbitos, mas sempre há uma causa por trás do evento. Na verdade, a obesidade é um fator de risco para o infarto, mas um tratamento feito de forma adequada e com profissionais qualificados será um fator protetor para um futuro evento.”

Embora uma pessoa com crise também possa sentir dor física, falta de ar e outros sintomas semelhantes, elas pontuam que o infarto é muito bem definido. Nesse caso, a dor no peito geralmente é em aperto ou queimação mais intensa, duradoura (mais de 20 minutos) e pode irradiar para braço, costas ou mandíbula. Muitas vezes, vem acompanhada de suor frio, falta de ar, náuseas ou tontura.

Já a ansiedade costuma provocar uma dor ou aperto mais difuso, associada a respiração rápida, tremores, palpitações e sensação de morte iminente.

“A ansiedade ativa mecanismos no corpo que geram sintomas reais. Esses sintomas não são ‘imaginários’. O desafio é justamente diferenciar quando se trata de algo emocional e quando é um problema cardíaco. Por isso, nunca se deve descartar o coração sem antes uma avaliação médica”, explica Franciely.

Os sintomas em homens também podem se manifestar de maneira diferente das mulheres. Eles costumam apresentar o quadro clássico de dor intensa no peito irradiada para o braço esquerdo. Já nas mulheres, os sintomas podem ser diferentes: falta de ar, náuseas, dor nas costas, cansaço extremo ou apenas uma sensação de mal-estar.

Nos idosos, muitas vezes, o infarto ocorre sem dor no peito, que se manifesta por cansaço ao fazer esforço, queimação na região do estômago, suor frio ou queda de pressão.

“Por isso, é tão importante estar atento também aos sinais atípicos. O infarto nem sempre se apresenta com dor forte. Sinais mais sutis incluem fadiga repentina ou cansaço sem explicação, dor ou desconforto leve no peito que vai e volta, dor ou pressão em mandíbula, pescoço, ombros ou costas; náuseas, tontura, suor frio, sensação de peso ou mal-estar inespecífico.”

Médicas explicam porque jovens estão infartando cada vez mais
Sem orientação médica, uso de remédios para emagrecer também  podem prejudicar saúde do coração (Foto: Inteligência artificial)


De acordo com a médica Franciely, esses sinais são mais comuns em mulheres e idosos e muitas vezes são subestimados. “Por isso, diante de qualquer suspeita, o ideal é buscar atendimento médico imediatamente.”, completa.

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