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Comportamento

Mesmo a pressa como inimiga, Flávio levou 1º lugar após tattoo de 12 horas

Participando de competição nacional, ele representou MS e ganhou título; "não ficou exatamente o que eu queria, mas tá bom", diz

Por Raul Delvizio | 27/01/2021 12:13
Flávio é o aquidauanense que trouxe título de competição nacional de tattoos à MS (Foto: Arquivo Pessoal)
Flávio é o aquidauanense que trouxe título de competição nacional de tattoos à MS (Foto: Arquivo Pessoal)

Em Aquidauana, município vizinho a 120 quilômetros de Campo Grande, o tatuador Flávio Peregrinelli, de 32 anos, resolveu aderir a uma competição on-line que lhe trouxe sorte em tempos de pandemia. Por 12 horas, tatuou a perna de um cliente que foi sua "tela", isto é, a "cobaia" da vez. Mesmo com o tempo limite como seu maior inimigo, ainda sim faturou o 1º lugar pelo desenho colorido e marcado na pele.

"Por mais que eu tenha levado o título, queria ter feito muito mais coisa, uma tattoo com mais detalhes, saca?", lamenta. "Mesmo eu não ter necessariamente errado em nada no traço, acredito sim que a pressa seja inimiga da perfeição – apenas não ficou exatamente do jeitinho que eu pensei. Mas tá bom, não tenho o que reclamar", brinca Flávio.

Tatuagem vencedora de Flávio (Foto: Arquivo Pessoal)
Tatuagem vencedora de Flávio (Foto: Arquivo Pessoal)

Evento de porte nacional, ele concorreu com mais de 20 tatuadores do Brasil todo, e representando MS trouxe o 1º lugar na categoria (desenho de) "Guerra" – mas foi por pouco. "Meu irmão, que acompanhava a sessão, alertou que, devido ao fuso horário, só faltavam 20 minutos para a entrega. Finalizei a tattoo super na pressa, porque se o tempo fosse excedido, não seria aceito, e portanto o trabalho estaria 'perdido', digamos assim".

Sobre essa "pressa", ele esclarece: "é que o limite de 12 horas nem se compara ao tempo de execução de uma tatuagem desse porte, por ser grande, com desenho realista e ainda por cima colorida. Geralmente, uma sessão dessa dura muito mais".

Tatuando um nome, registro de Flávio antes da pandemia (Foto: Arquivo Pessoal)
Tatuando um nome, registro de Flávio antes da pandemia (Foto: Arquivo Pessoal)

Da organização, Flávio recebeu um código. Antes de iniciar os trabalhos, gravou um vídeo de 30 segundos e tirou fotografias com esse número impresso e o desenho junto da parte do corpo onde seria tatuado no cliente. Assim que finalizou "rapidão", fez a mesma coisa e enviou o resultado para o concurso. Na ocasião, ele foi o último participante a entregar o material.

"Essa competição não tem prêmio em dinheiro, é mais pelo título, pela nossa paixão na tatuagem. A gente que participa não preza só pelo status, mas sim a nossa arte. Sacrifiquei um final de semana que eu poderia estar no meu descanso porque é aquilo que eu realmente mais gosto de fazer", ressalta.

O campo-grandense Lavisse também faturou lugar na mesma competição, porém em outra categoria (Foto: Arquivo Pessoal)
O campo-grandense Lavisse também faturou lugar na mesma competição, porém em outra categoria (Foto: Arquivo Pessoal)
Registro da tatuagem que Lavisse fez na amiga, ganhando o 2º lugar no torneio (Foto: Arquivo Pessoal)
Registro da tatuagem que Lavisse fez na amiga, ganhando o 2º lugar no torneio (Foto: Arquivo Pessoal)

Parceria de MS – Mas não foi só Flávio que levou para casa o prêmio. Aqui na Capital, Lavisse Costa, tatuador de 40 anos, tirou 2º lugar na categoria (desenho) "Colorido".

"Fiz um rosto rosto feminino com uma bailarina ao lado e uma flor de lótus, representando a força da mulher nos dias de hoje. Ainda, fiz questão de tatuar uma amigona minha, a Karina. Durou cerca de 8 horas a sessão, no domingo passado", relembra.

No esquema virtual, ele já tinha participado dessa mesma competição e de uma outra no Nordeste, no estado de Sergipe, quando na ocasião faturou o 3º lugar na mesma categoria, de uma tattoo colorida.

Aqui, os "brothers" e tatuadores de MS mostram o título do ano passado (Foto: Arquivo Pessoal)
Aqui, os "brothers" e tatuadores de MS mostram o título do ano passado (Foto: Arquivo Pessoal)

Sobre a parceria sul-mato-grossense, Lavisse e Flávio se conhecem já algum tempo, desde 2005, antes mesmo que o campo-grandense virasse um profissional na arte da tatuagem. "Com o tempo viramos amigos, 'brothers' mesmo, e sempre que ele vem à Campo Grande nos encontramos", diz.

"É que as pessoas do interior são muito bacanas, e Flávio segue isso a risco. Fiquei tão contente pelos nossos títulos que não dá nem para explicar, afinal foi um 'brother' meu que junto comigo também representou MS", agradece.

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