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Campo Grande, Sábado, 22 de Setembro de 2018

06/08/2018 06:34

Mesmo sem perna, Andresa diz que deu pulos na vida e hoje quer dar um novo passo

Thailla Torres
Ela já saltou de paraquedas, pratica o pilates, ama dançar e encarou o rapel. (Foto: Arquivo Pessoal)Ela já saltou de paraquedas, pratica o pilates, ama dançar e encarou o rapel. (Foto: Arquivo Pessoal)

Quem olha o sorriso e alegria da administradora e consultora de negócios Andresa Lima, de 36 anos, não imagina que aos 11 ele tomou a decisão de ser feliz, após perder a perna esquerda. Ela teve um câncer ósseo que não deu chances para o tratamento, mesmo assim tornou-se uma mulher feliz, que viaja, curte os amigos, já saltou de paraquedas, pratica pilates e ama dançar. Hoje, as mudanças no corpo estão comprometendo a mobilidade de Andresa que tem lutado para conseguir uma prótese e seguir com sua caminhada. Mas antes de largar de vez as muletas, ela conta no Voz da Experiência como foi superar a vida sem uma perna e descobrir que seu corpo é capaz de coisas que ela nem imaginava.

Ela diz ser uma mulher realizada e capaz de (quase) tudo.  (Foto: Arquivo Pessoal)Ela diz ser uma mulher realizada e capaz de (quase) tudo. (Foto: Arquivo Pessoal)

Você já parou para pensar que a sua grande oportunidade, poderia estar no momento mais difícil da sua vida? Aos 12 anos eu era uma menina que se dedicava aos estudos e muito mais ainda ao bal. Dançar era mágico, me sentia em um mundo paralelo e treinava com objetivo de viajar o mundo dançando.

Em 1994 comecei a me sentir cansada, fraca e dores de cabeças constantes acompanhadas de vômitos. Em seguida vieram as dores nas articulações e um diagnóstico muito parecido com virose e reumatismo.

Foram inúmeras consultas médicas e internações, que até me fizeram esconder as dores da mamãe para conseguir continuar dançando. Até que a busca incansável dela por respostas e sua fé nos levou ao médico que na época descobriu, através de um raio X, que o osso da minha perna esquerda estava mais fino que outro. Algo estava estranho ali...

O doutor sugeriu uma biópsia, no entanto, um dia antes da cirurgia para identificar o problema, eu estava deitada em minha cama com muitas dores quando ela quebrou em três pedaços. Fui para o hospital com hemorragia e direto para o centro cirúrgico.

Aquele momento foi a primeira vitória. Após a cirurgia, fui transferida para o Hospital Universitário, o único com recurso naquele tempo para exames mais detalhados. Lá foi diagnosticado o câncer ósseo e recebi a notícia que minha perna seria amputada.

Naquele momento, não entendi o que seria uma amputação. Questionei, ele me disse que a perna seria cortada. Pensei aliviada que as dores teriam fim, mas não conseguia visualizar a falta do membro.

Também nunca abriu mão do espírito aventureiro.  (Foto: Arquivo Pessoal)Também nunca abriu mão do espírito aventureiro. (Foto: Arquivo Pessoal)

Após 18 horas de cirurgia, ainda sentia as dores, sentia a perna, chamada de membro fantasma. Naquele instante tive que fazer escolhas: chorar como a grande maioria que me visitava lamentar ou seguir em frente.

Sempre quis seguir em frente. Meu primeiro pulo, literalmente, foi quando tive alta do hospital. Não queria usar cadeira de rodas e nem ser pega no colo. Desejava sentir o chão com o meu próprio corpo, sentir que daqui dali pra frente seriam alguns pulos me apoiando na minha mãe até chegar o carro.

É imensurável como minha vida mudou depois disso. Comecei a fazer coisas que nunca tinha feito antes e criei uma meta para cada situação. Queria me surpreender e também todos a minha volta.

Aos poucos reaprendi fazer coisas que jamais pensaria em fazer de novo. Natação, basquete de cadeira de rodas e até um campeonato “paradesportivo” em que vi pessoas de todas as formas. Ali entendi que a nossa vida não está em um corpo perfeito.

Das dificuldades tirei lições. Aprendi não é preciso valorizar o que não é essencial, como por exemplo, os problemas que escolhemos encará-los. É preciso foco na solução, porque as cicatrizes contam a nossa história.

Andresa perdeu a perna aos 12 anos, mas nunca deixou de lado seus sonhos. (Foto: Arquivo Pessoal)Andresa perdeu a perna aos 12 anos, mas nunca deixou de lado seus sonhos. (Foto: Arquivo Pessoal)

Aprendi correr atrás dos meus sonhos sem desistir, porque quem nasce grande é gigante e tudo é uma questão de construção, decisões, escolhas e para ganhar é preciso algumas lutas. O mesmo sempre estará presente, mas é necessário enfrentá-lo.

Quando começamos a dar desculpas ou nos fazer de coitadinhos, é preciso aprender a olhar as cicatrizes e tratá-las como feridas. Sei que nada iria trazer minha perna de volta, por isso, escolhi dar meus pulos.

No entanto, hoje preciso dar um novo passo e os meus amigos têm lutado por essa caminhada ao meu lado. Cheguei em um estágio onde meu corpo está sofrendo modificações anátomo-fisiológicas e biomecânicas, comprometendo minha mobilidade futura. Essas modificações podem ser contidas com uso de uma prótese de quadril. Ela será composta por uma cesta pélvica que dá melhor sustentação e conforto. Isso deve acontecer o mais breve possível para que eu consiga me adaptar de maneira menos agressiva. Com  com o passar dos anos isso fica mais difícil.

Por isso digo para todo mundo que sempre fui uma "perneta" feliz. Nunca tive problemas com as minhas muletas, mas por motivos de saúde, preciso da prótese. Mas tudo que aprendi sem ela foi totalmente transformador".

Para contribuir - Quem tiver interesse em ajudar Andresa, pode entrar em contato com ela em sua página no Facebook.

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