ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
SETEMBRO, TERÇA  15    CAMPO GRANDE 18º

Diversão

Escondida no quarto, Rita Lee deu empurrão para Rebeca subir ao palco

Cantora aprendeu sozinha, abandonou curso na UFMS e hoje transforma inspiração na Rainha do Rock em tributo

Por Amanda Ferreira | 15/09/2026 06:03
Escondida no quarto, Rita Lee deu empurrão para Rebeca subir ao palco
Rebeca aprendeu a cantar sozinha ainda criança, em um quarto nos fundos de casa (Foto: Maduda Ribeiro)

Antes dos palcos, havia um quarto nos fundos de casa. Era ali, longe dos ouvidos da família, que Rebeca Felix, 21 anos, passava horas escutando música e aprendendo a cantar sozinha. O talento ficou escondido durante anos. Enquanto crescia, entrou no curso de Física da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e tentou conciliar cálculos, provas e ensaios.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Rebeca Felix, 21 anos, trocou o curso de Física da UFMS pela música após perceber que não tinha tempo para o que mais amava. Inspirada por Rita Lee, montou uma banda tributo que ganhou projeção após um vídeo viral com 1,7 milhão de visualizações no TikTok. Hoje no segundo ano de graduação em Música, ela prepara composições próprias e planeja lançar trabalho autoral em breve.

Até que, às vésperas de uma avaliação, percebeu que estudava tanto que já não tinha tempo para aquilo que mais gostava. Trancou a graduação, prestou vestibular para Música e trocou as fórmulas pelos palcos. A coragem para a virada veio de uma velha companheira dos fones de ouvido: Rita Lee.

A música, porém, apareceu bem antes da ideia do tributo. Rebeca aprendeu a cantar sozinha ainda criança, escondida em um cômodo nos fundos de casa, onde passava horas ouvindo canções e tentando reproduzi-las. O gosto pelo rock das décadas de 1970 e 1980 também veio da convivência com os pais.

“Eu ficava lá isolada, escutando música e tentando aprender a cantar sozinha. Sempre gostei de música antiga, dos anos 70 e 80, e sempre gostei de rock porque meus pais escutavam bastante”.

Mesmo sabendo cantar, colocar a voz diante de outras pessoas era outra história. Quando decidiu que queria montar um tributo a Rita Lee, Rebeca procurou aulas de canto com Magali Medeiros e começou a conhecer músicos da cidade.

Primeiro, formou um duo de voz e violão com um colega da faculdade. Enquanto o parceiro encarava as apresentações como hobby, ela percebeu que queria transformar aquilo em profissão.

Naquele momento, Rebecca já estava no segundo ano de Física e dividia a rotina entre os estudos e a vontade crescente de ensaiar. A escolha aconteceu durante a preparação para uma prova. Cansada de estudar e frustrada por não conseguir reservar tempo para a música, decidiu trancar o curso. No mês seguinte, prestou vestibular para Música e foi aprovada em segundo lugar. Hoje, está no segundo ano da nova graduação.

Escondida no quarto, Rita Lee deu empurrão para Rebeca subir ao palco
Rebeca começou a montar a banda enquanto ainda cursava Física (Foto: Ellen Oguma)

“Todo mundo à minha volta só descobriu que eu pensava em levar a música para a vida quando decidi de uma vez. Eu simplesmente chutei o balde. Mudei completamente da Física para a música. Foi por causa da Rita”.

A banda começou a tomar forma nesse mesmo período. Por intermédio da professora de canto, Rebeca conheceu o tecladista Daniel Einner e o baterista Guilherme Napola. Sem equipamentos e ainda sem renda própria, ela conta que recebeu ajuda dos músicos para conseguir ensaiar e dar os primeiros passos no palco. Houve caronas, ensaios bancados pelos colegas e até apresentações sem cachê enquanto o projeto começava a ganhar forma.

Foi justamente um desses primeiros shows que mudou a dimensão do projeto. Durante uma apresentação, uma amiga ficou responsável por gravar alguns momentos e registrou Rebeca cantando “Papai Me Empresta o Carro”, faixa de Rita Lee.

O vídeo foi publicado nas redes sociais e, segundo a cantora, alcançou cerca de 1,7 milhão de visualizações no TikTok e quase 1 milhão no Instagram. “De um dia para o outro tinha milhões de pessoas no meu perfil. À noite, o vídeo já estava com 500 mil visualizações. Foi muito, muito louco”.

A repercussão trouxe público, divulgação e também renda. Rebeca passou a produzir o próprio material para as redes e encontrou na internet uma maneira de divulgar os shows sem depender de uma estrutura profissional que ainda não tinha. “Esse show pagou muitas contas. Até hoje recebo comentário naquele vídeo. Foi um divisor de águas”, resume. Embora diga que começou a “plantar” o projeto em 2023, ela considera 2025 como o início efetivo de sua trajetória profissional.

Escondida no quarto, Rita Lee deu empurrão para Rebeca subir ao palco
Além do tributo, Rebeca já prepara as primeiras músicas autorais (Foto: Gether Neto)

A Ovelha Negra Rita - Por trás do repertório, a ligação com Rita Lee é mais pessoal. Rebeca conta que passou parte da adolescência se sentindo deslocada, inclusive na escola particular onde estudava como bolsista.

Em casa, a mãe costumava ouvir Rita e uma das músicas que ficaram na memória foi “Lança Perfume”. Anos depois, ela decidiu voltar à canção e acabou mergulhando na discografia. Ouviu álbuns inteiros, procurou outras músicas e ganhou de presente uma biografia da artista.

A leitura, segundo Rebecca, aprofundou uma identificação que já existia. Ela encontrou nos relatos de Rita uma defesa da liberdade individual que fazia sentido justamente quando deixava a adolescência e tentava descobrir o próprio caminho.

“Ela era uma mulher muito livre e se recusou a mudar quem era por qualquer pessoa, gravadora, família ou mídia. Eu estava entrando na vida adulta, descobrindo quem eu era, e me identifiquei muito com isso, eu me empoderei disso", conta.

Rebeca também encontrou paralelos entre o começo da carreira de Rita e os próprios primeiros passos. Nenhuma das duas nasceu em uma família de músicos e, na visão da jovem, foi necessário procurar caminhos para entrar nesse universo. Até uma coincidência profissional apareceu: antes de viver da música, Rebeca também trabalhou como professora de inglês, atividade que Rita exerceu antes da fama.

“Eu me empoderei muito com a coragem dela. Eu tinha muito medo de não dar certo, de as pessoas não gostarem. Cantar sozinha e cantar no palco são coisas muito diferentes".

Escondida no quarto, Rita Lee deu empurrão para Rebeca subir ao palco
Vestido usado por Rebeca foi pensado como figurino antes mesmo da formação da banda (Foto: Ellen Oguma))

Estilo  - A influência dos anos 1970 aparece também no guarda-roupa, mas Rebecca rejeita a ideia de que tenha criado um personagem apenas para interpretar Rita Lee. Antes do tributo, já havia passado por cabelos azuis, vermelhos, rosas, roxos e platinados e experimentado diferentes estilos conforme as músicas que escutava.

Quando mergulhou no rock setentista, passou a frequentar brechós em busca das peças que combinavam com aquela estética.

“Eu nunca tive muita vergonha de me vestir do jeito que quisesse. O tributo me ajudou a explorar mais isso, mas esse é o meu estilo. Eu não me visto assim para ser a Rebecca que faz cover da Rita Lee".

Um dos figurinos usados nos shows, inclusive, existia antes da própria banda. Rebecca comprou e ajudou a criar o vestido cerca de dois anos antes de subir ao palco com ele, já imaginando que a peça poderia servir para uma futura apresentação. Uma costureira de São Paulo (SP), que havia feito seu vestido de formatura, desenvolveu o modelo. Depois, a peça ganhou até o nome de “vestido Rebecca” na loja. “Eu comprei já pensando que ele seria um figurino um dia. Eu não tinha banda, não tinha nada”, lembra.

Agora, enquanto mantém o tributo, Rebecca prepara o próximo passo: apresentar músicas próprias. Ela já escreve letras, trabalha em composições e aprende outros instrumentos para conseguir participar mais diretamente da construção dos arranjos. Primeira artista da família, diz que ainda espera dominar melhor esse processo antes de lançar o trabalho autoral.


Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial, Facebook e X. Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui).

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News.