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Campo Grande, Sexta-feira, 24 de Maio de 2019

30/01/2019 08:59

No Dia da Saudade, Mato Grosso do Sul faz muita falta para quem vive fora

E você? Do que sente mais saudade?

Thailla Torres
Pôr do sol faz muita falta para quem vive fora daqui. (Foto: Arquivo Pessoal) Pôr do sol faz muita falta para quem vive fora daqui. (Foto: Arquivo Pessoal)

Um céu com várias nuances é uma das belas lembranças de quem espera a hora de pisar em Mato Grosso do Sul de novo. Há 6 anos, Giovana Vasconcelos fecha os olhos e lembra deste céu toda vez que a angústia bate forte no peito. Nela, resiste a saudade de um lugar que jamais vai esquecer. Aproveitando o Dia da Saudade, comemorado hoje, o Lado B saiu por ai perguntando qual o sentimento de quem vive fora do Estado.

Na imagem acima, Giovana teve o prazer de fotografar o céu que dá show quase todo fim de tarde em Campo Grande. O registro é de quem hoje vive em Orlando.

"Minha maior saudade do Mato Grosso do Sul são os espetáculos da natureza que podem ser vistos em qualquer lugar. Sejam tucanos no meio da cidade, araras no quintal de casa, cachoeiras e grutas espalhadas por todo o estado, ou simplesmente ver o pôr do sol tomando um tereré em um parque qualquer. Renova a energia de qualquer um", descreve.

Sandra Luz e o filho mais velho, na Praça Ary Coelho. (Foto: Arquivo Pessoal)Sandra Luz e o filho mais velho, na Praça Ary Coelho. (Foto: Arquivo Pessoal)

A jornalista Sandra Luz saiu de Campo Grande para viver em Portugal e descobriu por lá uma saudade imensa, principalmente do filho, e da cultura sul-ma-grossense que não dá para levar completa na bagagem.

"É claro que eu sinto falta da família, dos amigos, do jeito das pessoas, mas há coisas que nunca haverá aqui, como o sobá. São coisas pequenas, mas de importância imensa. Eu aqui tenho pão de queijo, farofa e, até, feijoada. Há uma leva grande de brasileiros aqui e os pratos são parecidos de norte a sul, mas sobá faz lembrar do sabor, dos amigos, de toda aquela coisa que eu vivi na feira. Ainda sou do tempo anterior à transferência do local.

Eu também sinto saudades das ruas e de alguns locais de Campo Grande, como o Parque das Nações Indígenas. Meu filho mais velho cresceu naquele parque, fomos a shows e eventos lindos lá. 

Eu sinto saudades de uma Campo Grande que não estava mais aí quando voltei. E, claro, estar longe do meu filho mais velho é um desafio. Ele escolheu morar com o pai, foi difícil, mas eu tinha que respeitar. Não consigo definir muito isso porque ao mesmo tempo que dói eu o respeito demais por saber o que quer. Quando todos o criticaram por não querer ficar na Europa, ele mostrou que o importante não é parecer ser, mas ser inteiro.

Saudade para mim é um virar de página. É poder olhar para esse tempo, de muitas notas para fazer, de amigos incríveis e perceber que passou. Boa sorte em suas histórias, o mundo precisa de quem sente prazer em contar".

Flavia ao lado de uma arara azul  em MS. (Foto: Arquivo Pessoal)Flavia ao lado de uma arara azul em MS. (Foto: Arquivo Pessoal)

A saudade de Flávia Silva Ribeiro, de 35, advogada leva para o lado mais encantador de Mato Grosso do Sul: a natureza. Em um dos registros, a fotografia com uma arara azul traduz o amor que sente pelo detalhes e a privilégio de ter por perto uma natureza tão rica.

"Sinto saudade da natureza típica da região, dos rios, lagoas e cachoeiras, dos ipês e do pôr do sol típicos do cerrado. Sinto saudades de planejar um feriado em Bonito com o meu irmão.

Sinto saudades da chipa, da sopa paraguaia. Também do pão de queijo de Sidrolândia, da linguiça de Maracaju, do frango caipira que a minha tia preparava, do arroz carreteiro feito com as sobras de churrasco de um domingo em família, do cachorro quente, após uma noite de balada com as amigas. Sem contar que senti saudades da pizza de coração de frango da Giuseppe quando estava grávida.

Sinto saudades de caminhar no Parque das Nações Indígenas com a minha mãe e de curtir os shows da concha acústica por lá.

Sinto saudades de convidar meu pai para um tereré como desculpa para um bate papo filosófico.

Saudades da feira! Ahhh! A feira... que delícia eram os sábados que decidíamos jantar por lá e voltávamos com a roupa impregnada de cheiro de pastel.

No fundo no fundo, a saudade é das desculpas que inventávamos para nos reunir e curtir um ao outro. E quando a saudade bate forte, eu recorro a minha playlist de chamamé para acalentar a alma."

Na foto, Lisie (à direita) com sua melhor amiga Marlova em um dos períodos mais festivos do ano.  (Foto: Arquivo Pessoal)Na foto, Lisie (à direita) com sua melhor amiga Marlova em um dos períodos mais festivos do ano. (Foto: Arquivo Pessoal)

Lisie Garlipp mora no Canadá e tem seu Dia da Saudade resumido em uma foto com a melhor amiga, Marlova Mioto.

“Aqui no Canadá o Brasil é sinônimo de cores vibrantes, calor, praias e claro, Carnaval, mas o que eles não sabem é de um tesouro maravilhoso da nossa cultura que ninguém ouve falar por aqui: Festa Junina.

Todo mês de junho aqui bate a maior saudade. As ruas da cidade não estão decoradas com bandeirinhas, não tem fogueira de São João, não tem dança de quadrilha, não tem quentão, pamonha, paçoca, milho verde nem canjica em toda esquina. No melhor mês do ano por aqui fica só a vontade de pintar um dente podre com lápis de olho, vestir xadrez, chapéu de palha, soltar bombinha... “

Carla Xavier e sua mãe, numa fotografia que transborda saudade. (Foto: Arquivo Pessoal)Carla Xavier e sua mãe, numa fotografia que transborda saudade. (Foto: Arquivo Pessoal)

Carla Xavier, de 25 anos, é estudante e há 1 ano foi morar na França. A foto com a mãe lhe acompanha em cada passo dado fora de casa e hoje ela resume a saudade.

''Além da minha mãe, família e amigos, sinto muita falta da minha casa, do lugar físico. Sinto saudade do meu quarto, minha sala, cozinha. Do terreno pra dentro, sinto saudade de tudo''

Paula morre de saudade da natureza sul-mato-grossense. (Foto: Arquivo Pessoal)Paula morre de saudade da natureza sul-mato-grossense. (Foto: Arquivo Pessoal)

Depois de 5 anos vivendo em Londres, perto da neblina e chuva, Paula Aggio de Sa não esconde a saudade do pôr do sol radiante no horizonte toda vez que voltava para casa em Campo Grande, no fim do expediente. A foto é um registro perto da natureza, lugar que também faz sua saudade bater mais forte.  

"Obviamente o que mais me faz falta é a minha família e os amigos que ficaram no MS. Mas, não para por aí. Depois 5 anos morando na terra da neblina e chuva, onde seu horizonte geralmente é cinza e chuvoso, o maravilhoso pôr do sol colorido no horizonte quando eu voltava para casa me faz ficar muito saudosa, principalmente, quando volto no metrô lotado de Londres. Outra coisa, que eu sempre falo com muito orgulho e sinto muita falta, é do quão normal sempre foi para mim, nascida e criada no MS, os animais silvestres, o contato com a natureza. Aqui, normalmente o animal que vejo são pombos, e quando vou ao parque alguns esquilos.

Nos dias em que a saudade aperta, a comida também me deixa com saudades. Sempre fui fã de mandioca, frutas do cerrado e tudo que envolvia o dia-dia em Campo Grande que passa batido como parte da rotina. Sinto falta também como tudo é mais fácil e tranquilo no MS. Aqui parece que estou sempre com pressa e atrasada. Acho que mesmo refazendo a vida em um lugar novo, Mato Grosso do Sul sempre será minha terra".

Mais um registro do pôr do sol, este feito por Leandro da Rocha.Mais um registro do pôr do sol, este feito por Leandro da Rocha.

Leandro Da Rocha, de 39, deixou Campo Grande para viver em Dublin, Irlanda. São muitas as saudades do Estado, mas para resumir, ele preferiu enviar a foto preferida que guarda como recordação, desde a última visita, há cinco anos. 

"Faz 13 anos que deixei o Mato Grosso do Sul e faz mais de 5 anos a última vez que visitei. O que eu sinto mais saudade no MS é o lindo pôr do sol", descreve.

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