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Comportamento

No Instagram, gatos esbanjam fofura e chamam atenção para o abandono

São mais de 200 felinos espalhados pela Universidade Federal e estudante cria rede social para pedir doações e ajudar projeto

Por Alana Portela | 02/07/2020 06:42
Confira a Galeria de Imagens:
O perfil no Instagram mostra vários gatos na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. (Foto: @gatinhosdaufms)
O perfil no Instagram mostra vários gatos na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. (Foto: @gatinhosdaufms)

Não é novidade animal na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), né? Até mesmo capivara já deu um rolêzinho na sala de aula. Contudo, os personagens da vez agora são os gatinhos, que tomaram conta do local. Espalhados por toda parte, eles ganharam um perfil no Instagram, por onde esbanjam fofura, mas também chamam atenção para o abandono de animais em Campo Grande.

A conta @gatinhosdaufms foi criada em 2018 pela acadêmica de Turismo, Milena Rossato. Aos 21 anos, ela não resiste aos felinos e teve a ideia de compartilhar a fofura dos bichanos através de fotos na rede social, para dar um “up” no dia dos seguidores.

“Amo muito os animais, sou daquelas que não pode ver bichinhos na rua que já quer adotar, fazer carinho e na universidade foi assim. Quando percebi a presença dos gatos, logo fui me aproximando e criando um carinho. Comecei a tirar as fotos automaticamente, pois gosto muito de fotografar as coisas, mandar para os amigos”.

Um gatinho no banco e outro andando pela universidade. (Foto: Milena Rossato)
Um gatinho no banco e outro andando pela universidade. (Foto: Milena Rossato)

Milena estuda na universidade desde 2018 e relata que sempre viu os felinos pelo local. “Eles são lindos e alguns bem carinhosos. Então, toda vez que via algum gato por perto, estava fazendo carinho e tirava fotos, por isso veio a ideia de compartilhar essas imagens com mais pessoas que gostam dos gatinhos”, diz.

Após publicar o primeiro registro feito por ela, a estudante pediu para os seguidores também enviarem fotos através do e-mail do perfil. “Fui postando as fotos deles e pedi para marcarem nos stories quando postassem fotos dos gatinhos. Assim, o perfil foi crescendo”.

Entre um clique e outro, a estudante consegue mostrar o charme dos gatinhos. Eles colorem o perfil, com os pelinhos que vão do tom branco ao alaranjado. Os olhares conquistam e revelam as características dos gatos: espaçosos, dorminhocos e curiosos.

Milena Rossato segurando um dos gatinhos na UFMS. (Foto: Arquivo pessoal)
Milena Rossato segurando um dos gatinhos na UFMS. (Foto: Arquivo pessoal)

É só a estudante postar a foto que uma chuva de likes toma conta do perfil. Já são mais de dois mil seguidores e Milena aproveita o alcance para pedir doações de rações e colaborar com o projeto de extensão “Grupo Proteção Felina UFMS”, que cuida da alimentação dos gatos.

“Tive a ideia de falar sobre alimentação depois de ver um tweet de um voluntário, o Alexandre, pedindo doações de ração. Falei com ele e entrei para o grupo. Mostrei minha ideia e eles concordaram, então, começamos a postar e recebemos doações”.

Após ver o retorno, ela deu continuidade à campanha que busca arrecadar rações e até dinheiro para auxiliar nos cuidados com os felinos. “Lembrando que toda a alimentação dos gatinhos é feita através dessas doações”, diz.

“Os voluntários além de arrecadarem ou até mesmo pagarem a alimentação, levam os gatinhos para serem castrados e assim, evitamos mais animais sem lar e tudo mais”, completa.

Projeto -  O projeto de extensão existe há alguns anos na universidade. A ideia saiu do papel após funcionários e alunos perceberem a quantidade de gatos que surgiram no local e notarem que precisavam de ajuda. Atualmente, a proposta é coordenada pela professora do curso de Jornalismo, Taís Marina Tellaroli Fenelon.

Gatinho todo tranquilo, descansando no chão. (Foto: Ludmilla Theodoro)
Gatinho todo tranquilo, descansando no chão. (Foto: Ludmilla Theodoro)

Aos 38 anos, a professora comenta sobre a situação e chama atenção para questão do abandono de animais. Isso porque, de uma hora para outra, mais gatos começaram a surgir e até houve flagrante de abandono. “Isso é crime”, destaca Taís.

O abandono de animais é crime previsto no artigo 32 da Lei 9.605/98 e a pena é de três meses a um ano de detenção e multa. Se ocorrer morte, a penalidade pode ser aumentada.

Conforme a professora, os animais abandonados no local, por estarem adaptados a um estilo de vida, não sobrevivem quando se deparam com outra realidade, sem comida, água e num ambiente totalmente estranho. A atitude é cruel, pois deixa os bichinhos à mercê da sorte e na universidade, já foram encontrados gatos mortos. “Isso é uma questão de saúde pública”.

O projeto de extensão surgiu para proteger esses felinos e também atuar no combate ao abandono. “A gente foca na castração porque se não fizermos, vai aumentar o número e ficará inviável, pois não terá comida para todos. Estamos atentos a essa questão do abandono, com olhar mais aguçado nisso.  É um problema de consciência das pessoas”, frisa Taís.

Na universidade existe uma placa informando que abandono de animais é crime. (Foto: Arquivo pessoal)
Na universidade existe uma placa informando que abandono de animais é crime. (Foto: Arquivo pessoal)

A professora comenta que existem mais de 200 gatos espalhados pelo local e que o grupo já conseguiu castrar muitos deles. No entanto, o abandono transforma o animal num ser arisco, difícil de se aproximar, o que também dificulta os cuidados.

O projeto tem parceria com o CCZ (Centro De Controle De Zoonoses), que ajuda na castração dos animais. Porém, não é sempre que se consegue vaga pelo local e os voluntários do “Grupo Proteção Felina UFMS” se unem e doam dinheiro para custear a castração e comprar ração.

Gatinho comendo a ração que foi colocada por um dos voluntários do "Grupo Proteção Felina UFMS". (Foto: Arquivo pessoal)
Gatinho comendo a ração que foi colocada por um dos voluntários do "Grupo Proteção Felina UFMS". (Foto: Arquivo pessoal)

Antes da pandemia do coronavírus, o grupo chegou a realizar campanha de conscientização pela universidade. “Já fizemos panfletos e distribuímos, e teve uma ação com alguns calouros”, comenta a professora.

Taís informa que são cerca de 25 pontos de alimentação dentro da universidade. “Nesses locais têm casinhas para proteger a ração e não deixar molhar em dia de chuva”. O projeto permanece cuidando dos gatos nesse período e conta até uma escala diária de voluntários, que vão ao local para alimentar os animais.

O trabalho do grupo tem ajudado a preservar a vida desses felinos, que colorem a UFMS. Mas, além dos cuidados, o projeto também está atento ao abandono, mantendo contato com os seguranças da universidade. Em caso de flagrante, providências serão tomadas para que esse tipo de crime não ocorra mais.

Os interessados em contribuir doando ração ou até mesmo dinheiro para ajudar nos cuidados com os gatos, podem entrar em contato com a professora através do e-mail taistella@hotmail.com ou pelo perfil do Instagram @gatinhosdaufms criado pela estudante.

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