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Campo Grande, Terça-feira, 25 de Setembro de 2018

08/04/2018 07:10

Nos tempos do Orkut, fotógrafo de site de balada era rei na noite da cidade

Os caras sofriam assédio pesado da galera que queria de todo jeito ir parar na capa de sites como Tá na Web e Acontece CG

Thaís Pimenta
Em festa a fantasia, grupo de amigos vestidos de Chapolin Colorado, registrado por Renato Amaral. (foto: Renato Amaral)Em festa a fantasia, grupo de amigos vestidos de Chapolin Colorado, registrado por Renato Amaral. (foto: Renato Amaral)

Num passado não tão distante, as fotos que abasteciam o Orkut do início dos anos 2000 eram, em maioria, aquelas imagens registradas por um fotógrafo que não se conhecia, mas que tinha status de rei na balada. Ele abordava a galera nos bares, casas noturnas e até mesmo em festas particulares, para tirar uma foto que iria para o site onde trabalhava. Era a coluna social democrática, que antecedeu a exposição do tipo Instagram. Foi assim por anos, até que o acesso aos celulares com boas câmeras fez esses profissionais se "aposentarem" antes do esperado.

Para muitos deles, aquela era a primeira experiência com fotografia e a paixão pela profissão foi tanta que seguem até hoje, a maioria com estúdio próprio. É o caso de Guilherme Molento, que começou no "Tá na Web", em 2003, e ficou no site por seis anos. "Trabalhava todo fim de semana, Natal, feriado, fim de ano. Fazia muitas festas particulares, tipo casamento, quinze anos, e lembro que os donos dessas festas passaram a gostar mais do nosso trabalho do que do próprio fotógrafo contratado por eles porque a gente pegava umas poses mais espontâneas", lembra.

Ele tinha uma cyber shot de 4.1 megapixels e na época chegou a bater um milhão de fotos com a bichinha. "No começo, nós recebíamos por foto publicada, depois começamos a receber um valor mensal. Como eu trabalhava muito, tirava bem", conta. Hoje, já está se achando tiozão. Diz que fez fotos de casamentos de meninas que havia conhecido aos 15 anos na balada. "Não imaginava que trabalharia com fotografia, mas me encontrei nessa área. Hoje tenho uma produtora e um estúdio próprio".

Câmera usada por Guilherme Molento. (foto: Guilherme Molento)Câmera usada por Guilherme Molento. (foto: Guilherme Molento)
Galera na balada no show do Gustavo Limma em 2012.  (Foto: Renato Amaral)Galera na balada no show do Gustavo Limma em 2012. (Foto: Renato Amaral)

Renato Amaral começou em 2002, aos 19 anos, a trabalhar com fotografia de balada pelo Acontece CG. Seis anos depois, foi para o Site Boss, onde continua até hoje, trabalhando como uma segunda fonte de renda. "Foi um dos poucos sites a continuar com esse serviço. Hoje eu faço mais evento fitness, mas dá pra ver foto antigona, dos anos de 2012, ainda online no site".

Ele conta ainda que uma coisa era muito comum na noite. "Eu fazia foto de um casal e depois era abordado por uma pessoa pedindo para eu apagar porque o cara ou a mulher eram comprometidos. Aí eu tinha que lidar com descrição e apagar pra não gerar conflito ao casal".

Relembrando os tempos antigos, o fotógrafo ia muito ao Tango, a Água Doce Cachaçaria, ao D-Edge, ao Tozen, Tango, ao Pintanga, Macalé e ao Garage. "Na época do Boss eu ia ao Miça, que era pagode".

No Bodega Bar, que ficava na Afonso Pena, grupo de amigos curtiam uma noite tranquila no ano de 2011. (foto: Renato Amaral)No Bodega Bar, que ficava na Afonso Pena, grupo de amigos curtiam uma noite tranquila no ano de 2011. (foto: Renato Amaral)
Grupo de amigos no Miça. (foto: Renato Amaral)Grupo de amigos no Miça. (foto: Renato Amaral)

Para muitos deles, o trabalho sério era também diversão. É o caso do fotógrafo Gabriel Gabino, que até hoje continua na área, também com seu próprio estúdio. Ele começou a trabalhar no dia 10 de janeiro de 2008 no site Emmy e a cada noite trabalhada ele enxergava uma oportunidade de estar com seus amigos. 

Gabriel conta que ganhava R$ 500 por mês para fotografar na noite, em bares movimentados da época, como Café Mostarda, Pele Vermelha, Tango, Garage, Casa Colonial, Tibatata e ainda pegava festas particulares. "Eu usava uma powershot Canon, bem pequena, mas que rendia boas fotos. Depois de dois anos comprei minha primeira DSLR com flash externo".

O assédio com os fotógrafos era dos grandes, para ter a foto publicada na internet e sair na capa dos sites. Quando maior a bebedeira, pior a perturbação, lembra. Ele diz, por exemplo, que nenhum de seus colegas gostava de fotografar no Pele Vermelha, porque o público de lá sempre estava muito bêbado. "Era eu chegar lá que o assédio começava. As mulheres pediam fotos, eu fazia, e já me pediam um beijo, e eu, moleque, achava o máximo. Já saia acompanhado do Pele Vermelha umas três vezes", completa.

Ele conta ainda que cansou de ir pra balada com seu notebook para passar as fotos das festas na hora. "Quando eu demorava um pouco, tinha gente que me ligava pra saber que horas as fotos estariam no ar, era surreal".

Gabriel sente falta de trabalhar com o público, de estar em contato com várias pessoas, e de fazer amizades com os seguranças das baladas, os garçons e os porteiros. "Foi uma fase boa que eu acho que acabou por conta da explosão das redes sociais mesmo".

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