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Campo Grande, Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018

22/06/2017 07:33

Por amor, Paulo não desistiu até trazer Chico, o cachorro japonês, para o Brasil

O taxista hoje tem 13 cães, teve de mudar de endereço e até abriu mão das visitas da mãe por causa deles

Eduardo Fregatto
Os melhores amigos, Paulo e o cachorro japonês de raça francesa, Chico. Certa vez, Paulo viajou por uma semana, e Chico chegou a adoecer por conta da saudade do dono. (Fotos: Marcos Ermínio)Os melhores amigos, Paulo e o cachorro japonês de raça francesa, Chico. Certa vez, Paulo viajou por uma semana, e Chico chegou a adoecer por conta da saudade do dono. (Fotos: Marcos Ermínio)

Por amor ao melhor amigo, o taxista Paulo Chinen Júnior, 42 anos, fez de tudo para transportar um cachorro do Japão para o Brasil. A viagem teve seus obstáculos e imprevistos, mas o cachorro japonês Chico, de 8 anos, mora hoje em Campo Grande e ganhou mais 12 "irmãos" caninos. O dono teve de mudar de casa para continuar com a família grande e até abriu mão das visitas da mãe para viver com tantos animais.

Chico entrou na vida de Paulo de forma inesperada, como um presente. "Eu consegui trabalho para um amigo, e ele quis me agradecer me dando um cachorro", conta. Inicialmente, ele pensou em recusar o cãozinho, pois já pretendia voltar para o Brasil e "jamais deixaria o cachorro para trás".

Mas acabou cedendo, porque sempre foi apaixonado por bichos. A amizade cresceu e, na hora de finalmente retornar ao país de origem, Paulo decidiu que faria de tudo para trazer Chico com ele. "Foi complicado, lá é bem difícil. Tivemos que ir na alfândega várias vezes, dar todas as vacinas, e na Alemanha quase deu problema", revela.

Paulo e a esposa, Yuriko Chichen, 52, foram chamados pelos funcionários do aeoroporto alemão, durante a conexão. Sem entender nenhuma palavra do idioma, e compreendendo muito pouco de inglês, eles pensaram que fossem perder Chico. "Diziam que o cachorro estava muito bravo e babando. Falaram: 'ele está louco', e eu respondi: 'louco quem está é você, porque eu dei todas as vacinas'", relata o taxista.

Paulo e Yuriko têm vontade de voltar para o Japão, mas não deixariam os 13 cachorros.Paulo e Yuriko têm vontade de voltar para o Japão, mas não deixariam os 13 cachorros.
Chico tem 8 anos, é japonês mas de raça francesa, chamada Kai Ken.Chico tem 8 anos, é japonês mas de raça francesa, chamada Kai Ken.

Ele foi levado até Chico e descobriu a causa do problema: "Era sede, ele tomou duas garrafas de água inteiras". Durante o vôo, de 13 horas, os animais não têm acesso à comida ou bebida. Passado o susto, a viagem seguiu até o Brasil. Aqui, a empresa aérea, em São Paulo, também encontrou problemas para a viagem até Campo Grande: achou a caixa de transporte de Chico muito grande.

Mais uma vez, Paulo teve que correr para reverter a situação, para não perder o amigo. Tudo foi resolvido, felizmente, e agora cachorro japonês que, na verdade, é de uma raça francesa chamada Kai Ken, vive bem com o restante da família. Família, aliás, que hoje é formada por 13 cães, além do filho de Paulo e Yuriko, o estudante Paulo Neto, de 16 anos.

O amor pelos animais é tão grande que Paulo saiu da própria casa e alugou uma outra, para poder abrigar os bichos. "Reclamavam do barulho, agora aqui é mais tranquilo", diz, falando do bairro Jockey Club. "Quero construir um tipo de canil aqui, para eles ficarem melhor, já falei com o pedreiro", promete, já que os pets precisam passar a maior parte do tempo nos cômodos dentro da casa.

A mãe do taxista detesta cachorros, e nunca visita a família. Mas não tem problema. "Eu visito ela", explica o filho. Para ele, os cuidados com os bichos é o mais importante. "Eu não compro sapato mas compro a ração".

Infelizmente, o casal perdeu as fotos que tinham no Japão. Mandaram uma caixa, com todos os registros, para uma amiga no Brasil, que nunca devolveu ou deu satisfação. Os cachorros também são difíceis de fotografar. "Se chegar gente estranha perto, eles ficam incontroláveis, brigam entre si". Mas os latidos e as brincadeiras são audíveis na varanda da casa.

A sapeca Chuchu e o amigo Chico.A sapeca Chuchu e o amigo Chico.

Dificuldades - Paulo e Yuriko voltaram do Japão cheios de planos, e com bastante dinheiro guardado durante anos. Moraram no país oriental por mais de uma década, trabalhavam até 10 horas por dia, ou mais. "Cheguei a fazer 150 horas extras em um mês", recorda.

Mas a vida era boa, garantem. Nos feriados japoneses, iam para a praia ou para a neve, dependendo da estação do ano. Viviam felizes, até que a crise de 2008 e 2009 afetou a economia e os postos de trabalho. Paulo, que trabalhava numa fábrica de peças para carros, acabou desempregado, e vivia de bicos.

Em 2010, o pai de Paulo adoeceu, no Brasil, e não teve jeito: a família decidiu voltar. Aqui na Capital, investiram o dinheiro em vários projetos: dois lava-jatos, um restaurante e imóveis. Infelizmente, devido a alguns infortúnios do destino e dificuldades técnicas, nada deu muito certo. "Fui perdendo o dinheiro todo", conta Paulo.

Restou apenas a casa própria, onde hoje mora sua mãe. A vontade de voltar para o Japão, e reconstruir a vida, existe. Mas agora é impossível: Paulo e Yuriko jamais deixaram os 13 cachorros para trás. "Nem cogitamos", afirmam.

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