Portinha na Zahran esconde relíquia de família, roqueiro e barbearia
Cadeira antiga, com cerca de 80 anos, foi herança do pai que ensinou a profissão ao filho
Uma porta discreta na Avenida Eduardo Elias Zahran guarda uma história que pouca gente conhece. Sem placa, sem anúncio e quase passando despercebida, a pequena barbearia de José Firmino, de 63 anos, chama atenção pelo detalhe mais importante, a cadeira onde ele atende clientes há décadas, uma verdadeira relíquia da família.
O móvel, com cerca de 80 anos, foi presente do pai, José Firmino, que também era barbeiro. Foi com ele que o filho aprendeu o ofício quando ainda tinha 20 anos. “Ele perguntou se eu queria aprender. Eu quis. Aí ele me ensinou”, resume. Desde então, já são mais de 4 décadas dedicadas ao corte de cabelo, sendo 23 anos ao lado do pai.
A cadeira veio de um antigo salão onde o pai trabalhou, o Salão Cristal. Na época, eram seis barbeiros e seis cadeiras. Conforme ensinava os filhos, o pai presenteava cada um com uma. “Além de ensinar a profissão, ele deu uma cadeira para cada filho. Está tudo na família até hoje”, conta José.
O espaço atual segue o mesmo espírito simples de sempre. Do lado de fora, apenas um pequeno portão de grade, um muro baixo e uma porta marcada pelo tempo. Nada que indique que ali funciona uma barbearia. Ainda assim, movimento não falta.
A clientela é formada, em grande parte, por pessoas que acompanham o barbeiro há décadas. “Tem cliente de 30, 40 anos comigo. Teve gente que vinha com o pai quando era criança e hoje traz o filho, até o neto”, diz. Para ele, não há necessidade de divulgação. “Não preciso de anúncio. Meus clientes fiéis mantêm o negócio”, garante.
O estilo também não mudou com o tempo. José mantém o corte tradicional, o que ele chama de “raiz”. Nada de degradê ou tendências modernas. “Se a pessoa quer corte diferente, eu indico outro lugar. Aqui é o clássico, com máquina, tesoura e barba tradicional”, explica.
A rotina segue disciplinada, de segunda a sábado, das 8h às 19h, com pausa para o almoço. Foi com o trabalho na barbearia que ele criou as duas filhas, construiu duas casas e hoje acompanha o crescimento dos quatro netos.
Mesmo com oportunidades de modernizar o negócio, ele preferiu ficar como está. “Minha liberdade não tem preço. Meu sossego, minha paz”, destaca.
Agora, a única incerteza é o futuro do ponto. O imóvel está à venda após a morte da proprietária, e José já pensa em uma alternativa próxima. “Quero continuar por aqui, perto dos meus clientes, da minha família”, pontua.
Enquanto isso, ele segue firme na cadeira herdada, a mesma que carrega o peso dos anos, mas também a memória de quem ensinou tudo. “Sinto que estou continuando o legado do meu pai. Mantendo a profissão que ele me ensinou”, finaliza.
A barbearia fica na Avenida Eduardo Elias Zahran, número 575.
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