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Campo Grande, Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018

24/02/2018 08:08

Quem é o palhaço que há 16 anos toca gaita na Afonso Pena com Ernesto Geisel?

Palhaço Gaitinha veio de longe para mudar de vida e acabou virando um personagem das ruas

Thailla Torres
 É assim há 16 anos, quando incorpora o Palhaço Gaitinha e vai às ruas garantir uns trocados para mais viver mais um mês pela cidade. (Foto: Thailla Torres) É assim há 16 anos, quando "incorpora" o Palhaço Gaitinha e vai às ruas garantir uns trocados para mais viver mais um mês pela cidade. (Foto: Thailla Torres)

Em um saquinho pendurado no cinto, Heleno Bezerra da Silva, carrega os pirulitos que vende aos motoristas e passageiros do Centro. É assim há 16 anos, na pele do Palhaço Gaitinha para garantir uns trocados e viver mais um mês pela cidade.

Sempre na Avenida Afonso Pena com a Ernesto Geisel, Gaitinha é o personagem pelo instrumento que toca nas ruas, além da roupa e peruca colorida. Antigamente, a pintura de palhaço cobria o rosto, mas o tempo levou a vontade de se maquiar. "É muito calor e dá trabalho, porque vai saindo a pintura na gaita, fica ruim de tocar", justifica.

Gaitinha tem 64 anos, nasceu em Bezerros, interior do Pernambuco. De 21 irmãos, ele foi o que decidiu trabalhar longe de casa. Começou a vida profissional como garçom na baixada santista, até que um dia, segundo ele, conheceu a família Pereira de Campo Grande. "Cheguei aqui como visitante, gostei da cidade, fiquei um mês e decidi morar por aqui". 

De garçom a palhaço, o caminho foi curto. Gaitinha diz que a simpatia com as crianças foi motivo para levar o personagem às ruas. "Sempre fui muito gentil com as crianças, até no restaurante elas me adoravam. Eu também precisava de mais dinheiro e decidi ser artista na rua".

Ele diz que pretende se aposentar em 2019. (Foto: Thailla Torres)Ele diz que pretende se aposentar em 2019. (Foto: Thailla Torres)

Ele conta que depois de problemas de saúde ficou mais difícil arranjar emprego na cidade. "Tive nódulo no pulmão, operei da vesícula e depois veio o diabetes, ninguém contrata", acredita.

Hoje, é sorrindo e tocando a gaita que ele consegue dinheiro para o sustento. "Não toco de verdade, faço só um barulho, gaiteiro mesmo era meu pai".

O brilho nos olhos denuncia a saudade que sente do passado. "Meu pai era analfabeto, mas tocava como ninguém, chegou até tocar gaita em uma rádio em 1950, mas não tinha conhecimento suficiente pra ficar em um programa da época".

Solteiro e pai de 11 filhos, da família não tem ninguém em Campo Grande. "Vim sozinho e continuei só. Mas sinto muita saudade da minha família, sempre que posso vou a Pernambuco".

O trabalho como palhaço não é só em Campo Grande. "Já viajei por Paraná, São Paulo e Pernambuco pra trabalhar no sinal", conta.

Aqui ele vive de aluguel em uma pensão no bairro Amambaí, trabalha no Centro pelo menos quatro vezes na semana. Quando não está cruzamento da Afonso Pena com a Ernesto Geisel, vai tocar na Praça Ary Coelho.

Hoje ele diz que até pensa em parar, mas gosta de ver as crianças, clientes fiéis que acabam convencendo os pais de ajudar com uns trocados. "Faço por amor. Gosto mesmo das crianças, mas estou cansado, trabalhar na rua não é fácil, quando não tá chovendo, o sol queima nas costas".

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É entre os carros que garante o sustento. (Foto: Thailla Torres)É entre os carros que garante o sustento. (Foto: Thailla Torres)


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