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Campo Grande, Sábado, 23 de Setembro de 2017

18/08/2017 06:05

Quem vende tecido ainda hoje sabe como tratar cliente que só procura um carinho

Thailla Torres
Adely é uma das funcionárias que se destaca pela simpatia. Adely é uma das funcionárias que se destaca pela simpatia.

Com grosseria farta no comércio é tão frequente o número de reclamações de clientes que dizem serem mal atendidos que um simples "olá" bem dado faz a fama de atendentes no Centro de Campo Grande. Em uma loja de tecidos, aberta há mais de uma década na 14 de Julho, o que não falta é elogio. E as funcionárias até concorrem pelo título de melhor atendimento.

Situação que deveria ser comum, mas acaba virando notícia porque muitos consideram ser cada vez mais difícil de encontrar gente disposta por aí. Por isso, bastou dar atenção exemplar, que Adely Curvo, de 30 anos, começou a colecionar reconhecimento. No dia a dia, ela jura ser tímida, mas não tira o sorriso do rosto a cada cliente que entra na loja. "É o nosso trabalho, se a gente não começar com um sorriso, como é que vamos continuar?", questiona.

Daliane tem paciência até com cliente que busca carinho. (Foto: André Bittar)Daliane tem paciência até com cliente que busca carinho. (Foto: André Bittar)

Há 2 anos na loja entre tecidos e cortes, paciência é uma vocação de todas elas, principalmente, porque a maioria dos clientes é mais velha e muitas vezes entram no lugar em busca de atenção. "É incrível como tem gente que só entra para conversar. É claro que a gente pensa em vender, mas se o cliente também quer papo, a gente continua papeando com ele", conta.

Aos 20 anos, o trabalho como atendente na loja é o primeiro ofício de Daliane Alves dos Santos. Entusiasmada, atende os clientes sorrindo e afirma que tem gente que entra na loja de tecido em busca de carinho.

"Em tempos de produção industrial, só clientes fiéis entram aqui pelo tecido. Em outro momento há senhoras que só querem um pouco de conversa, ver novidades e saem dizendo que voltam outra hora. Mas se atendo bem eu sei que elas voltam", afirma.

A ofício também vale para exercitar a paciência, quando muitas vezes o a ignorância vem do lado de fora. "As vezes é o cliente que chega com ignorância e a gente rebate com educação. As vezes é tão forte que já teve caso da cliente ficar sem graça por ter sido grossa e saiu daqui nos pedindo desculpa".

Mas dedicação, respeito e atenção ao cliente só fizeram todo sentido quando Flávia Fernandes, de 28 anos, chegou em Campo Grande. Alagoana, ela diz que veio tentar uma vida diferente no comércio e acabou dando de cara com o jeito introvertido do campo-grandense. 

Dona Antônia é quem ensina as funcionárias na base da educação. (Foto: André Bittar)Dona Antônia é quem ensina as funcionárias na base da educação. (Foto: André Bittar)

"Sinceramente? Aqui tem muita gente ignorante, lá era bem mais receptivo. Mas aos poucos a gente vai se adaptando", diz. Para ela o segredo é só entender o que o cliente precisa. "Atendimento é prestar um serviço, simples. Fazer isso bem feito é ouvir e atender. Depois responder o cliente da mesma maneira como gostamos de ser tratado em qualquer outro lugar". 

O olhar observador sob o comportamento das funcionárias diz muito sobre o atendimento na loja de Antônia Almeida Curvo, de 63 anos. É o tom de voz, que segundo ela, revela o segredo de fazer o cliente voltar por ter sido bem atendido. "Aqui ninguém repara, grita ou faz distinção de cliente. Todo mundo é tratado como se estivesse em casa. E é desse jeito que eu trato meus funcionários, o que elas fazem é reflexo", ensina. 

O segredo ela aprendeu com a família e não precisou entrar fundo nas dicas de empreendedorismo para se destacar. "Trabalho desde os meus 14 anos, e existe uma diferença muito grande em querer ser patrão e querer ser o melhor. Aqui mostro que podemos ser melhor com os outros da mesma forma que queremos o melhor pra gente".

E o resultado é o crescimento que enche dona Antônia de orgulho. "Minhas funcionárias duram muito na loja. Mas incentivo tanto que elas acabam estudando, se formando e buscando outros trabalhos. Fico feliz e procuro ensinar novas pessoas", finaliza.

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Antônia torce para que sua equipe cresça e trilhe novos caminhos. (Foto: André Bittar)Antônia torce para que sua equipe cresça e trilhe novos caminhos. (Foto: André Bittar)



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