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Comportamento

Religiosos alertam para "espíritos do mal" e escola ameaça dar suspensão

Por Antonio Marques | 07/06/2015 12:09
Para os religiosos o desafio "Charlie, Charlie, não é brincadeira para criança (Foto: Divulgação site/adorocinema.com)
Para os religiosos o desafio "Charlie, Charlie, não é brincadeira para criança (Foto: Divulgação site/adorocinema.com)

O desafio “Charlie, Charlie” viralizou no mundo virtual, real e pode também estar atraindo espíritos inferiores do plano espiritual. Muitos podem não acreditar, mas os religiosos cristãos alertam as pessoas para não brincarem com “fogo”, principalmente crianças, como está acontecendo nas escolas por todo o país.

Nesta semana, a coordenação de uma escola particular de Campo Grande foi incisiva com os alunos das diversas séries do Ensino Fundamental para evitarem a brincadeira nas dependências da escola, com o risco de advertência e até suspensão a quem for pego desobedecendo à ordem.

Conforme a coordenadora, que será mantida sob sigilo para não expor os alunos, alguns pais procuraram ou ligaram na escola para reclamar que muitos ficaram assustados depois de participarem do desafio no colégio. “Recebi relato de pais sobre criança que chegou a desmaiar em casa e outra com hematoma no braço”, contou.

A Coordenadora disse que teve aluno do oitavo ano que não conseguia mais dormir ou ficar sozinho em casa, com medo. E acrescentou que as reclamações foram feitas por pais de diversas religiões e por respeito as crenças de cada um a escola decidiu proibir a brincadeira em suas dependências, explicando aos alunos que a brincadeira era apenas um viral para divulgar um filme, que em dois dias espalhou-se no mundo inteiro.

Porém, para os religiosos consultados pela reportagem esse desafio não é brincadeira de criança, a partir do momento em que trata-se de invocação de espíritos do mal, neste caso uma referência ao fantasma do filme de terror, cujo nome não deveria ser dito. Na trama, um jovem (chamado Charlie!) morreu em um trágico acidente durante a exibição de uma peça de teatro do colégio, vinte anos atrás, e volta a assombrar o local quando adolescentes decidem reencenar a peça.

Padre - A mediunidade e a consulta aos mortos não é novidade de nosso tempo e é citada na Bíblia, conforme lembra o padre Wagner Divino de Souza, da comunidade Cristo Luz dos Povos, na Vila Bandeirantes. Ele cita o livro do Levítico, no Antigo Testamento, em está descrito: “Não procurem a ajuda dos que invocam os espíritos dos mortos e dos que adivinham o futuro. Isso é pecado e fará com que vocês fiquem impuros...”

Segundo o padre Wagner, a Igreja Católica ainda não tem uma posição oficial respeito do assunto, mas já tomou conhecimento do desafio “Charlie, Charlie” por ter viralizado na internet, com auxílio da televisão. Ele admite a existência do mundo espiritual, sobrenatural e diz que anjos e demônios existem. “Eles estão em um plano diferente do nosso e por isso devemos ter cuidado”, alerta.

Para o padre, as pessoas não devem jamais invocar espíritos, principalmente crianças, que ainda não têm discernimento das coisas. Padre Wagner relatou que na semana passada atendeu uma mãe que levou até ele a filha de 9 anos. Ela teria sentido-se mal depois de ter feito o desafio na escola. “Neste caso específico rezamos juntos e a garotinha sentiu-se melhor”, afirmou padre Wagner.

Ele lembra que as crianças são mais frágeis e essa brincadeira jamais deveria ocorrer em ambiente infantil e juvenil. Para o padre, o simples fato de terem participado do desafio podem ficar com medo e esse medo abala o psicológico, provocando diversas reações. “Instintivamente quando se evoca um espírito do mal, pode atrair coisas ruins”, comentou, referindo-se que na estória do filme seria um espírito mexicano do mal.

Pastor – O pastor Marcos Alexandre Sgorlon, da igreja Presbiteriana Renovada também defende que o desafio “Charlie Charlie” não é brincadeira de criança. Ele disse acreditar no reino do homem, “onde o céu e o inferno é real” e que existiria um “lacuna singela, uma porta” entre esse reino e o reino espiritual. “Independente de ser brincadeira é uma invocação de espíritos dos mortos”, lembra.

Segundo o pastor Marcos, o desafio pode ser considerado uma tentativa de abrir essa porta para o reino espiritual. E a pessoa, acrescenta ele, pode ser atingida realmente por um demônio possessivo, como aconteceu em Manaus, em que os alunos de uma escola precisaram de atendimento médico, depois de terem feito o desafio numa escola. “As crianças não devem brincar com fogo”, enfatizou.

O pastor Marcos disse lamentar que as pessoas tendem a valorizar as coisas ruins, quando deveriam concentrar as energias em ações que promovam o bem, como divulgar atividades e entidades que realizam “coisas boas ao próximo. Temos que dar mais ênfase nas causas e ações para beneficiar quem mais necessita e apoiar o quem faz o bem”, destacou.

Espírita – O vice-presidente da FEMS (Federação Espírita de Mato Grosso do Sul), Gerson Queiroz da Silva também condenou a brincadeira do “Charlie, Charlie”. Segundo ele, como os espíritos estão em todos os lugares, essas manifestações e reações que as crianças dizem sentir são possíveis e naturais acontecerem. “Da mesma forma que as crianças estão brincando, também tem espíritos inferiores que podem participar da brincadeira”, explicou ele, acrescentando que vivemos misturados, os encarnados e os desencarnados.

Conforme Gerson Queiroz, as pessoas não devem invocar os espíritos em qualquer lugar e muito menos por brincadeira, pois estão sujeitos a atraírem “espíritos inferiores” com energias ruins. Ele lembra que as pessoas possuem mediunidade de efeito físico, mas ela não é ostensiva em todas. “Se acontecer a manifestação de um espírito brincalhão, as crianças podem se assustar, sentir-se mal ou até desmaiarem”, comentou.

O vice-presidente da FEMS alertou que os médiuns e espíritas invocam os espíritos em ambientes preparados e que estão sobre a proteção de espíritos superiores e numa escola não há proteção. “Ninguém deve ficar brincando com invocação do plano espiritual”, afirmou Gerson Queiroz.

A brincadeira macabra do desafio "Charlie, Charlie" faz parte de uma estratégia de marketing para divulgar o filme “A Forca”. Charlie é um dos personagens da história, que morreu dentro de um colégio.

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