A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quinta-feira, 21 de Novembro de 2019

23/10/2019 15:51

Tatiana Trad faz caminho "inverso" e usa a experiência de casa no poder público

Durante uma década, ela se dedicou à cuidar das filhas e da casa e hoje também apoia a administração do marido

Marta Ferreira
Tatiana deixou de trabalhar fora depois da primeira filha e hoje comanda Fundo de Apoio a Comunidade). (Foto: Paulo Francis) Tatiana deixou de trabalhar fora depois da primeira filha e hoje comanda Fundo de Apoio a Comunidade). (Foto: Paulo Francis)

Advogada de formação, a primeira-dama de Campo Grande, Tatiana Trad, de 43 anos, fez escolhas diferentes das mulheres de sua geração. Enquanto parte considerável delas priorizava a carreira aos filhos ou casamento, em uma época de natalidade em queda e rotina tripla em alta, ela interrompeu a carreira jurídica quando teve a primeira das filhas, 15 anos atrás, e dedicou-se à vida familiar.

Durante mais de uma década, sua participação na vida pública era “zero”, como ela mesma define, mas hoje, ainda que sem filiação partidária, tem papel importante, comandando o FAC (Fundo de Apoio à Comunidade), no atendimento as comunidades carentes, e cuidando de projetos como a Cidade do Natal e a comissão municipal responsável por ações de desenvolvimento sustentável.

O caminho, relembra Tatiana, foi “natural”, e começou na campanha para prefeito, quando sua presença passou a ser mais solicitada nas agendas. “Minha figura foi mais requisitada e eu automaticamente me coloquei à disposição. Eu acho que, pelo fato da vice ser uma mulher [Adriane Lopes (PMN)], a gente fez uma ligação muito boa, acabou que foi acontecendo”, resume.

Somou-se a esse trajeto pessoal, a vontade nata de praticar solidariedade. “Eu gosto de ajudar e apareceu a oportunidade maior, que consigo ajudar bastante, hoje é uma proporção grande e é bom. A gente ouve que quando ajuda é melhor do que quem é ajudado e é mesmo".

Indagada sobre o sentimento mais comum ao fazer esse trabalho, ela responde que é a safistação pelos agradecimentos, mesmo que o auxílio pareça pequeno, como a entrega de um colchão a quem precisa. “Você vê que pode fazer diferença com tão pouco”.

O tempo exclusivo de gerenciamento de uma casa com duas meninas e um marido bastante atarefado, como vereador, deputado e agora prefeito, em vez de ser “perdido” - como ainda creem os que não reconhecem o trabalho domiciliar das mulheres, foi aproveitado, afirma Tatiana. Ela levou para suas atividades a experiência de lidar com as filhas, com a rotina, com o marido.

“Foi uma opção minha, pessoal.Não me arrependo, não acho que perdi tempo, de forma alguma”, comenta. Para exemplificar o quanto a “mãe” Tatiana colabora com a presidente do FAC Tatiana Trad, ela cita com carinho, o projeto de balé mantido no Parque Jacques da Luz, inspirado na convivência da filha mais nova, Alice, com a dança.

“Na época, a Alice fazia balé e eu fui lá e a sala estava abandonada. Falei pro Rodrigo: Vamos? E ele topou na hora”, diz, citando o presidente da Funesp (Fundação Municipal de Esportes). Com apoio privado, o projeto foi montado e está em andamento, comemora. 

Autocuidado – Hoje, com as filhas um pouco maiores, uma pré-adolescente e a outra já estudando para entrar em Medicina, Tatiana consegue dedicar mais tempo às atividades na prefeitura, exercidas sem remuneração. "Ontem, por exemplo, eu saí 20h, tem dias que tenho uma rotina mais pesada. Faço tudo que preciso para depois conseguir dar uma segurada."

Mas nem por isso, a vida particular deixa de ser prioridade e o dia a dia de autocuidado, tão defendido pelos especialistas em bem estar, é levado a sério. Tatiana frequenta academia todos os dias, faz terapia duas vezes por semana e não descuida da prática religiosa. Pelo menos uma vez por semana, frequenta a igreja Ministério Atos de Justiça, para a qual “levou” Marquinhos, anos atrás.

Na escala de importância, porém, as filhas estão no topo. Volta e meia, uma delas interrompe a agenda diária com alguma demanda e, segundo a mãe, assim a vida vai se resolvendo. “A minha prioridade são as meninas e eu não tenho vontade de mudar isso. Não tenho pretensão de nada politicamente. Meu papel é realmente estar ajudando ele, não só ele, mas acho que fazendo diferença, fazer bem dentro do que posso, dentro dos meus limites”, avalia.

Tatiana Trad discursa em evento público, observada pelo marido, ao fundo. (Foto: Divulgação/PMCG)Tatiana Trad discursa em evento público, observada pelo marido, ao fundo. (Foto: Divulgação/PMCG)

“Marcos” - O prefeito, em casa não é chamado no diminutivo, como e é reconhecido popularmente. A esposa só o chama de Marcos. “Eu casei com o Marcos antes dele ser político, ele era advogado. Para mim é muito difícil chamar ele de Marquinhos, não consigo explicar o motivo, parece que não é ele, para mim”, confessa.

Ser casada com alguém da vida pública é uma transformação para qualquer pessoa e não deixou de ser assim com ela. Teve de passar a aceitar, por exemplo, a exposição. “É uma coisa que eu tive dificuldade. Agora já está mais natural, os discursos, mas era sofrido”, admite.

Já citada em rumores de uma candidatura, a advogada usa uma máxima, de “nunca pode se dizer nunca”. No entanto, avisa: “Se você disser “Tatiana, é o seu sonho?: De verdade, não. Meu papel é acompanhar o Marcos”.

Para ela, o prefeito tem todas as condições de ser governador. E quanto ao papel dela? Vislumbra como o de ser liderança das primeiras-damas dos municípios nas questões sociais, mas também faz planos independentes disso, voltados ao empreenderismo. Tatiana tem formação em coach, além do Direito.

Tatiana e as filhas Alice e Mariana junto do prefeito Marquinhos Trad, que em casa é chamado de Marcos (Foto: Arquivo)Tatiana e as filhas Alice e Mariana junto do prefeito Marquinhos Trad, que em casa é chamado de Marcos (Foto: Arquivo)
imagem transparente

Classificados


Copyright © 2019 - Campo Grande News - Todos os direitos reservados.