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Campo Grande, Domingo, 19 de Maio de 2019

19/04/2019 07:35

Tem índios na Medicina e que querem chegar onde poucos médicos querem estar

Os acadêmicos realizam ações a cada 15 dias na comunidade de Campo Grande e Sidrolândia

Alana Portela
Rayra Aquino é pernambucana, da etnia Atikum e está no terceiro ano de medicina na UEMS (Foto: Paulo Francis)Rayra Aquino é pernambucana, da etnia Atikum e está no terceiro ano de medicina na UEMS (Foto: Paulo Francis)

Estudantes indígenas de outros estados entraram para o curso de Medicina na UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) e realizam projetos de extensão para atender as aldeias do Estado. As temáticas são voltadas a saúde e educação, e a ação ocorre a cada 15 dias. Os acadêmicos vão à comunidade no Jardim Noroeste, em Campo Grande e na aldeia urbana Tereré, em Sidrolândia.

A pernambucana, Rayra Aquino, 20, da etnia Atikum, está no terceiro ano de Medicina, e criou um projeto contra parasitose. “Vamos para a aldeia Tereré e atendemos outra comunidade aqui na Capital. Passamos nossos conhecimentos, para que eles possam repassar a informação para as pessoas ao redor. Assim reduzimos as doenças”, explica.

A estudante é natural de Carnaubeira da Pena e fala sobre a importância do projeto, em tornar as pessoas multiplicadoras do conhecimento. “Vamos ao local e pegamos informações, fazemos um levantamento de dados e posteriormente a intervenção, que seria a nossa ação. Depois de tudo, avaliamos se os atendimentos contribuíram”, disse.

Na aldeia urbana Tereré, poucas crianças apresentaram sintomas de que estariam com parasitose. “Numa turma de 22 alunos, apenas dois relataram que tiveram diarreia, que é o principal sintoma de parasitose. Na Capital, minha ação foi mais expositiva, em um mutirão no qual foram vários projetos. É como se fosse um acolhimento para eles, pois confiam e dão credibilidade no que falamos”, relata.

O aluno, Danilo Lopes é da etnia Pitaguary e pretende trabalhar com saúde dos povos indígena (Foto: Paulo Francis)O aluno, Danilo Lopes é da etnia Pitaguary e pretende trabalhar com saúde dos povos indígena (Foto: Paulo Francis)

Levando em conta a figura clássica de um índio, as feições de Danilo Lopes causam confusão. Mas ele é  etnia Pitaguary, do Ceará, e está no curso Medicina há quatro anos. “A minha etnia é um bracinho dos Potiguaras. Vim para estudar no Estado e ajudar os indígenas. Trabalho com sobrepeso e dor lombar nas comunidades e por lá, temos dois extremos. Estudando a saúde indígena, percebe-se que existe muita desnutrição no começo da vida e sobrepeso na fase adulta. Queremos entender esse fenômeno”, afirma.

Segundo ele, esses problemas ocorrem pela modificação dos hábitos, que antigamente envolviam gastronomia tradicional e agora são feitos de alimentos industrializados. Além do sobrepeso, o estudante também fez outro projeto no qual avaliou médicos que atendiam aos povos indígenas. “Esse foi em 2017, queria saber a opinião deles a cerca da medicina dos índios, que é diferente da que estudamos aqui”, explica.

Após se formar, ele deseja trabalhar com saúde indígena. “Seja como uma exclusividade, atuando em uma unidade para essas aldeias ou dentro de uma especialidade. Meu foco é a psiquiatria porque percebemos que as doenças mentais, como depressão, esquizofrenia, suicídio são frequentes nas comunidades”, destaca.

O acadêmico relata também que após se formar, pretende voltar para o estado de origem. “Tenho uma divida com Mato Grosso do Sul, quero ajudar aqui. Contudo, desejo retornar para minha comunidade e contribuir. Lá, tem uma unidade de saúde exclusiva para essa tribo”, contou.

Fátima Quadros é orientadora dos projetos de estudos voltados a saúde indígena da UEMSFátima Quadros é orientadora dos projetos de estudos voltados a saúde indígena da UEMS

Orientação - A professora e pesquisadora de Medicina da UEMS, Fátima Quadros, é coordenadora dos projetos de Rayra e Danilo. Ela comenta que a proposta de atender as comunidades indígenas, surgiu há três anos, após realizar outras pesquisas voltadas a saúde dos índios.

“Percebi a necessidade de montar um grupo de pesquisa com os povos indígenas porque sabia que tinha alunos indígenas no curso de medicina. Já faz três anos de estudos”, conta. A professora relata que é interessante a interação dos alunos com os moradores das comunidades.

“A comunidade é mais receptiva quando são pessoas indígenas atendendo. Conseguem trocar ideias, tanto cultural quanto cientifica. No projeto de extensão temos 26 projetos de bolsas PIBEC [Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica] dos alunos que estão vinculados ao programa de educação e saúde”, explicou.

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