ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no Twitter Campo Grande News no Instagram
JUNHO, SÁBADO  15    CAMPO GRANDE 22º

Comportamento

Viagem para Okinawa fez Patrícia se reconectar com seus antepassados

Professora de arte do Marco integra a terceira geração de descendentes okinawanos em sua família

Por Aletheya Alves | 08/05/2024 07:12
Patrícia em visita ao Castelo de Zakimi. (Foto: Arquivo Pessoal)
Patrícia em visita ao Castelo de Zakimi. (Foto: Arquivo Pessoal)

Professora no Marco (Museu de Arte Contemporânea de Campo Grande), Patrícia Nogueira Aguena viajou para o outro lado do mundo querendo se reconectar com as histórias deixadas como heranças por seus avós, a primeira geração de okinawanos em sua família que veio para Mato Grosso do Sul. Mergulhando na cultura, sua programação já garantiu desde pratos afetivos de Okinawa, visita a castelo e até passeio com sua família fazendo o caminho reverso - levando as mulheres okinawanas para comer comida brasileira no Japão pela primeira vez.

Mais do que turistar, a professora explica que um de seus objetivos é fortalecer os laços com sua família e aprofundar os estudos sobre seus antepassados, principalmente antes de Okinawa. “Esta ilha já foi um reino independente no passado, o Reino de Ryukyu. Vim também tratar de projetos culturais em reunião com o setor de divisão internacional de intercâmbio cultural da prefeitura de Okinawa”.

E, para quem fica curioso com os principais destaques da viagem, Patrícia garante que o que mais chama sua atenção são as pessoas. “São muito gentis e cordiais. Em Okinawa existe um provérbio que diz “Ichariba Chōde” que significa, “uma vez que nos encontrarmos, somos irmãos”, traduzindo bem o espírito uchinaanchu”.

Outro ponto é a culinária com sabores passados de geração em geração como os pratos “raíz” e afetivos, “Okinawa sobá, unbussá, rafute e taco rise”, exemplifica.

Soki Sobá foi um dos pratos experimentados durante a viagem. (Foto: Arquivo Pessoal)
Soki Sobá foi um dos pratos experimentados durante a viagem. (Foto: Arquivo Pessoal)

Integrando a terceira geração de descendentes de okinawanos em Campo Grande, Patrícia pesquisa justamente sobre imigração e artes da ilha japonesa. E, antes dos seus estudos atuais, sua relação com os ancestrais começou já na infância.

“Frequentei a Associação Okinawa quando era criança, na época em que meus avós, Koei Aguena e Kamado Aguena tocavam sanshin e praticavam danças clássicas okinawanas. Fiquei afastada por um longo período durante a minha adolescência, porém sempre pesquisando e estudando sobre a cultura e história de Okinawa, minha paixão”.

Para a professora, foi esse contato constante que fortaleceu seu senso de identidade, principalmente considerando que, além da descendência japonesa, também tem portugueses na família. “Tenho orgulho de dizer que sou brasileira e okinawana. Nossos povos resistiram a inúmeras dificuldades sociais e desastres naturais”.

Entrevista para a FM Koza, no Japão, sobre a Associação Okinawa de Campo Grande. (Foto: Arquivo Pessoal)
Entrevista para a FM Koza, no Japão, sobre a Associação Okinawa de Campo Grande. (Foto: Arquivo Pessoal)

Ainda sobre sua trajetória na associação, Patrícia relata que, em 2018, conseguiu restaurar o sanshin deixado por seu avô e essa foi a reconexão. “Uma jovem e habilidosa luthier, Sarita Shirado, única mulher da América do Sul a fabricar e restaurar sanshin, consertou o instrumento herdado por mim e, pouco antes da pandemia, iniciei meus estudos na Associação Okinawa de Campo Grande”.

As aulas eram feitas com o sansei Crystian Proença e, em 2022, ela foi convidada para compor a diretoria da associação. “A função política desse chamamento precisa ser evidenciado na sua complexidade: uma sansei, multirracial, mulher, compondo o cargo de diretoria pela primeira vez em uma das instituições mais antigas, prestigiadas e majoritariamente masculina”, explica.

Patrícia detalha que, inclusive, conversas com o presidente da associação, Marcel Arakaki Sato, e diretores culturais ajudaram para que sua viagem ocorresse, pensando em ideias e projetos.

Campo-grandense levou família japonesa para comer comida brasileira. (Foto: Arquivo Pessoal)
Campo-grandense levou família japonesa para comer comida brasileira. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Dentre algumas dessas ideias e projetos estão: a construção do Museu da Imigração Okinawana em Campo Grande, em fase de implementação. O projeto em curso e em parceria com a Biblioteca de Okinawa é o Encontrando Raízes Okinawanas em Campo Grande em que pesquisamos os processos de imigração junto às famílias que desejam saber mais informações sobre seus antepassados. Outro projeto é a fabricação de instrumentos de Okinawa como Sanbá e Fuē em parceria com o Curso de Artes Visuais da UFMS”.

A professora completa que Campo Grande é a cidade, fora de Okinawa, mais ‘okinawana’, já que cerca de 60% de seus descendentes japoneses são da ilha. “A cultura okinawana está muito marcada na nossa cidade, como o sobá, o karatê. Portanto, eu gostaria muito de poder trazer mais visibilidade e foco para a nossa comunidade e mostrar a importância dos nossos antepassados em Campo Grande; seja através de apresentações culturais, palestras ou cursos”.

Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial, Facebook e Twitter. Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui).

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.

Nos siga no Google Notícias