Mãe e filha fazem ursinhos e colchas com roupas antigas de bebê
Ateliê transforma peças afetivas em objetos de afeto e ajuda famílias a ressignificar lembranças
O que antes ficava guardado em sacolas, gavetas ou no fundo do guarda-roupa agora ganha forma, textura e afeto. Desde 2025, a artesã Beatriz Defendi, de 42 anos, trabalha ao lado da mãe transformando roupas carregadas de lembranças em ursos e colchas de retalhos.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Em Campo Grande, a artesã Beatriz Defendi transforma roupas carregadas de memórias em ursos e colchas de retalhos. Desde 2025, ela trabalha ao lado da mãe e mais duas costureiras no ateliê Afeto, onde peças guardadas por anos ganham nova vida através de um trabalho manual e minucioso. O projeto vai além da costura, eternizando histórias de entes queridos que já partiram ou momentos especiais da vida. Com preços entre R$ 359,90 para ursos e até R$ 2.800 para colchas grandes, o ateliê recebe encomendas de todo o país, transformando de 6 a 200 peças de roupa em objetos que mantêm vivas as lembranças afetivas.
Beatriz conta que objetivo é ressignificar histórias e criar novas formas de preservar a memória de quem já partiu ou de fases marcantes da vida. Ela define a produção como um trabalho desafiador, que vai muito além da costura. “É uma responsabilidade. Tem uma mãe que o filho dela faleceu em 1993 e ela enviou as roupas para a gente eternizar. É algo extremamente emocional”, relata.
As histórias que chegam ao ateliê envolvem perdas, despedidas e também muito amor. “Tem peças de vovôs e vovós que já partiram. Essa semana enviei um ursinho para uma mãe que gravou o chorinho do bebê e pediu para colocar junto da roupinha. O bebê faleceu com oito meses. Ela é bem forte”, conta.
Antes de empreender, Beatriz teve uma trajetória ligada à moda, mas também passou por outras áreas. “Trabalhava no mundo da moda, minha mãe era costureira desde quando nasci. Antes da empresa, eu atuava em um escritório de advocacia. Não estava feliz e foi quando surgiu a oportunidade de continuar uma loja que uma conhecida queria vender”, relembra.
A mudança de rotina trouxe também desafios emocionais. “Quando você mexe com sentimentos é totalmente diferente. Você mexe com histórias. A gente não constrói ursos, a gente constrói histórias por meio do objeto”, afirma.
Segundo Beatriz, o maior desafio do trabalho é compreender e preservar a história que acompanha cada peça. “Tem o cheirinho do neném, o amor da mãe. É uma experiência delicada, porque aquela roupinha é algo que a mãe guarda desde o nascimento e é o que ela vai levar para a vida.”
A proposta também atende quem deseja manter lembranças mais presentes no dia a dia. “Muitas pessoas querem ter aquela peça para sempre e, em vez de deixá-la no guarda-roupa ou em uma sacola, ela se transforma em um urso decorativo, para colocar na cama ou até dormir abraçada”, explica.

Os relatos das clientes costumam ser intensos. “As mamães enviam muitos depoimentos. Elas dizem: ‘chorei’. Muitas mandam cartinhas contando a história da roupa e explicando como querem que o urso seja feito.” Em um dos casos, uma cliente guardou as roupas da mãe por cinco anos. “Ela só abriu o guarda-roupa novamente quando descobriu a nossa empresa e teve confiança de nos enviar.”
Todo o processo é feito à mão, desde o corte até a costura e o bordado. Atualmente, o ateliê conta com três costureiras que trabalham diretamente na confecção das peças, unindo técnica, sensibilidade e respeito pelas histórias que chegam em forma de tecido.
Por lidar com recordações guardadas por anos, o cuidado durante a produção é redobrado. “A gente precisa ter muito cuidado na hora do corte, porque só existe aquela peça, não tem outra. É um trabalho delicado e minucioso”, reforça.
Além dos ursos, o ateliê confecciona almofadas e colchas de retalhos. Para cada urso, o ateliê usa de 6 a 15 peças de roupa. As colchas variam de tamanho e complexidade, podendo exigir de 50 a 200 peças. “Quanto mais roupas, melhor. Mas, se a pessoa só tiver uma, conseguimos confeccionar o urso acrescentando nosso tecido”, detalha.
Os ursos custam R$ 359,90 e podem receber personalização na patinha, com nome, data, peso e horário de nascimento. As colchas pequenas custam R$ 1.200, enquanto as grandes chegam a R$ 2.800, com frete grátis. Uma colcha grande, de 2,20 por 2,40 metros, leva de sete a dez dias para ficar pronta. As encomendas podem ser feitas pelo telefone (67) 98149-8508.
Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial, Facebook e X. Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui).
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News.





