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MARÇO, SÁBADO  02    CAMPO GRANDE 24º

Comportamento

As águas ainda não são de março, mas a música já é trilha sonora do verão

Paula Maciulevicius | 09/02/2012 16:25

Carro, moto e pedestre. Todo mundo improvisando o caminho para passar por cima do coqueiro. (Foto: Pedro Peralta)
Carro, moto e pedestre. Todo mundo improvisando o caminho para passar por cima do coqueiro. (Foto: Pedro Peralta)

“É pau, é pedra, é o fim do caminho, é um resto de toco...” As águas de março ainda não chegaram, mas a letra de Tom Jobim é a trilha sonora do campo-grandense no verão. Hoje a chuva rápida foi suficiente para deixar as ruas alagadas e trazer pau, pedra e até resto de coqueiro para o meio da rua.

Na rua Kriptônia esquina com a Das Garças, no bairro Autonomista, dois coqueiros trancavam a via. Caíram um dia depois da dona de casa Suzana de Andrade, 61 anos, chamar a prefeitura para avaliar o estado das árvores.

Nesta tarde no meio da chuva ela escutou o barulho. “Pensei será que vieram cortar na hora da chuva? Quando olhei na janela, eu falei ué cadê o coqueiro?” Os dois coqueiros dona Suzana, estão no meio da pista.

Entre os motoristas, a maioria desvia o caminho. Pega a rua debaixo, de cima, vira à esquerda e à direita. Mas ainda há os que se atrevem e passam de carro pela calçada mesmo.

Do outro lado da rua, a vizinha que passava de guarda-chuva, se protegendo dos poucos pingos que ainda caíam, já no finzinho da chuva, perguntou “mas isso foi a chuva? Nossa, foi forte assim? Eu não vi nada, estava dormindo”, comentou.

“Ué cadê o coqueiro?” perguntou dona de casa. Os coqueiros já estavam no chão.  (Foto: Pedro Peralta)
“Ué cadê o coqueiro?” perguntou dona de casa. Os coqueiros já estavam no chão. (Foto: Pedro Peralta)

Mas para quem estava acordado a chuva veio. Firme e forte, acompanhada de vento e até granizo para aquela região.

O advogado Sérgio Silva, 46 anos, estava fotografando. Saiu do escritório para ver, entrou de novo e veio com a câmera nas mãos. Esta é a hora em que todo mundo registra o que vê.

“Foi chuva de granizo. Choveu uns 20 minutos. Mas os coqueiros já estavam muito altos mesmo”, avalia.

A chuva de todo dia que força o motoentregador a fazer pit stop. (Foto: Pedro Peralta)
A chuva de todo dia que força o motoentregador a fazer pit stop. (Foto: Pedro Peralta)

Segundo o meteorologista Natálio Abrahão, a chuva é reflexo da frente fria que avança pela região Sul do país. Em direção ao litoral, ela forma áreas de instabilidade por onde passa. Para o mês que antecede as águas que fecham o verão, o volume de chuva previsto é de 180 milímetros.

A chuva forte, mas rápida que caiu no bairro fez com que o motoentregador fizesse um pit stop forçado. Com revistas e jornais para distribuir, ele não via outra alternativa a não ser esperar.

“Ninguém quer receber jornal, revista molhada, quer?”, brinca. A saída foi ficar olhando a água cair debaixo do toldo de uma padaria. Segundo ele, todo dia tem uma pausa, de pelo menos 20 minutos durante a tarde.

“Tem que parar tudo. O vento hoje veio carregado, desceu com tudo. Mas é o ano, o mês, de janeiro, fevereiro. A terra é assim mesmo. Sol, areia, chuva, frio, calor...”.

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