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Comportamento

Coisas da vida: o filho mal saiu da adolescência e já voou para longe

Por Ângela Kempfer | 29/02/2012 16:31
Suyanne agora vive em São Paulo.
Suyanne agora vive em São Paulo.

Durante a vida, a gente descobre algumas vezes como dói amar um filho. Primeiro é quando o bebê fica doente, depois quando surgem as brigas na adolescência, mas a prova derradeira mesmo vem quando o dito cujo resolve crescer e sair de casa e, pior, escolhe uma cidade dez vezes maior para morar.

Neste ano, muitos experimentaram a sensação pela primeira vez. Os filhos deixaram Campo Grande para estudar fora e agora enfrentam com os pais a difícil tarefa da readaptação.

Marlene Trindade já definiu regras. A filha Suyanne, de 17 anos, tem de mandar mensagens toda vez que sai de casa. A menina faz cursinho em São Paulo, a terceira maior metrópole do mundo. A mudança foi decidida para aumentar as chances de ser aprovada no vestibular de Medicina.

“Chorei muito quando a gente decidiu, fiquei até doente, mas não tem jeito, é melhor para ela”, diz a mãe professora, que ainda lacrimeja quando lembra da distância.

Primeiro o marido viajou até São Paulo para escolher apartamento para a filha. Depois, Marlene acompanhou Suyanne para instalar a jovem na nova casa. Ficou quatro dias por lá e a passagem para visitar a família em Campo Grande já foi comprada para 9 de março. “Ela vem agora e em abril eu vou”.

Suyanne divide o apartamento com outra estudante, na casa de uma ex-professora, dona Carmem, que há anos recebe filhas e conforta mães. "Não é fácil para nenhum dos lados. Mas é uma etapa que os pais têm de enfrentar com tranquilidade, porque tudo sempre dá certo", ensina.

Jô e Isadora.
Jô e Isadora.

De novo - Saudade parece não calejar coração de mãe. Apesar de “experiente”, Jô Simão posta dia sim dia não no Facebook a dor de ficar longe da filha.

O mais velho, Felipe, saiu de casa já há 8 anos, depois de formado foi trabalhar em São Paulo. Neste ano foi a vez de Isadora, que aprovada no curso de Medicina, trocou Campo Grande por São Paulo.

A insegurança na maior capital do País é algo que Jô prefere nem pensar. “Senão a gente pira”. No primeiro semestre de Felipe fora, a mãe diz que ficou com febre praticamente todos os dias. Mas depois veio a lição que pode servir de alento para quem enfrenta a situação. “Com o tempo, percebi que a dor dá lugar à felicidade, pelas realizações deles por lá”, explica.

Mesmo assim, enquanto a dor pela falta de Isadora não se transforma, na quinta-feira Jô vai de novo visitar a filha. “Morava só eu e ela, é muito complicado. A gente almoçava junto todos os dias. Fico triste porque estou me separando, mas fico feliz porque lá está o futuro dela”.

No Sudeste, Isadora ri ao lembrar da mãe e fala que, além da saudade, o mais difícil é aceitar que a independência traz tarefas do tipo cozinhar, lavar e passar. “Isso é chato, mas a gente aprende”, diz aos 19 anos.

Pois é, a gente descobre algumas vezes como dói amar um filho. Eu também entendi isso na semana que passou. Assim como Jô e Marlene, “perdi” minha filha de 17 anos para o futuro em São Paulo. A feliz coincidência é que no mesmo dia minha sobrinha Luiza resolveu andar pela primeira vez. É a vida...

A liberdade chegou também para minha filha.
A liberdade chegou também para minha filha.
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