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Comportamento

Empresário resgata época boa em prateleira com rádios de mais de 70 anos

Por Ângela Kempfer | 07/03/2012 15:18
Fotos: Pedro Peralta
Fotos: Pedro Peralta

Um aparelho que completa 74 anos é um dos 32 na prateleira do empresário Marcos Silva. Apesar da velhice, ele não é o de mais história.

O modelo alemão, usado para comunicação durante a 2ª Guerra Mundial nos jipes que serviam ao Exército de Adolf Hitler, é o primeiro lembrado pelo colecionador. “Até hoje funciona, tem frequências da Alemanha”, diz.

Dono de uma empresa de informática, Marcos hoje lida com equipamentos de última geração, mas aprendeu na infância o valor de um rádio ligado. “Era a única fonte de informação na fazenda”.

As férias na propriedade rural da família, quase na divisa entre Mato Grosso do Sul e São Paulo, são lembradas também pelos capítulos das radionovelas.

"Nossa, adorava ouvir as novelas de rádio. A gente viajava, ficava imaginando os cenários”, conta.

Quando as radionovelas terminaram, por volta de 1973, Marcos tinha 7 anos, mas o carinho não terminou. "Era fascinante e assim fui me apaixonando pelos aparelhos".

Modelo alemão, com frequências do mundo todo.
Modelo alemão, com frequências do mundo todo.
Modelo capelinha.
Modelo capelinha.

Hoje ele exibe as relíquias na empresa, em duas prateleiras já na entrada, mas ainda guarda os aparelhos preferidos em casa. “São 3 capelinhas, super difíceis de achar”, conta Marcos.

Muitos ele ganha de pessoas que passam pela loja e descobrem o colecionador, mas Marcos só dá importância aos que têm a estrutura de madeira. Investe na restauração e mantém com substâncias contra cupins.

“Mas alguns estão assim, cheio de pozinho, tenho de cuidar melhor. Colecionar dá muito trabalho”, admite o empresário mostrando o efeito dos insetos nas peças.

A recuperação é feita por profissionais da marchetaria. “Encontrei alguns super profissionais aqui mesmo em Campo Grande. Eles dominam a técnica de trabalhar com pequenos pedaços de madeira. Fica perfeito”.

O modelo nacional mais antigo é um Semp Toshiba, ano 56. Alguns usam bateria, outros pilhas que nem são mais fabricadas e também há o movido a energia, chamados “rabo quente”.

Na arquitetura dos modelos tão antigos, a cor da madeira é a parte mais linda, ao lado das telas de proteção dos auto-falantes, com tramas que parecem rendado. Alguns aparelhos ele ganhou, outros comprou por valores simbólicos. “Muita dessa história é abandonada por aí. Então compro, por 50 ou 100 reais”.

Quando alguém promete, mas não aparece com o rádio, Marcos não descansa até conseguir o modelo. “Não dou trégua, fico perturbando, ligo, até conseguir. Para mim, é como resgatar uma época boa”.

Marcos e suas relíquias.
Marcos e suas relíquias.
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