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Consumo

Loja de chapéus funciona há 60 anos no mesmo endereço e continua na moda

Por Ângela Kempfer | 03/09/2012 16:03
Na entrada, alguns modelos em promoção. (Fotos: Rodrigo Pazinato)
Na entrada, alguns modelos em promoção. (Fotos: Rodrigo Pazinato)

Quando tinha três anos de idade, dona Lúcia Oshiro via o pai moldando os chapéus que iriam para a vitrine, no mesmo endereço onde hoje ela toca o negócio da família. Passados 60 anos, tudo parece igual, lembra a senhora de cabelos brancos e rosto sereno.

As enormes caixas continuam umas sobre as outras, espalhadas pelo pequeno prédio na rua 14 de Julho, mas agora tem estampados os rostos de cantores sertanejos famosos, como do cantor Daniel.

Os balcões também são os mesmos da época de Usisuki Oshiro, o pai vindo do Japão para trabalhar na agricultura que resolveu mudar de ramo depois de alguns anos em Campo Grande.

Naquele tempo, os chapéus eram trazidos da Bolívia, inacabados, para o refinamento nas lojas especializadas. Chegavam de trem, muitos deles sujos e eram transformados para vestir mulheres e homens para festas e dias especiais na cidade.

“Meu pai pegava lá na Casa Nasser, que era distribuidora. Depois colocava a carneira (molde) para dar segurança ao chapéu e as fitas que faziam o acabamento. Alguns a gente tinha de lavar, mas ficava novinho”, conta Lúcia, a caçula de uma escadinha de 8 irmãos. O mais velho já morreu, os outros foram embora e coube a ela assumir a loja.

Hoje, os fornecedores são de São Paulo e Santa Catarina. Os chapéus com pelo de lebre, “os melhores”, na avaliação de Lúcia, só existem graças a resistência de uma única fábrica no Brasil, mas o modelo Panamá ainda está na moda e é um dos estilos a manter a loja aberta na 14, entre as ruas Maracaju e Antônio Maria Coelho.

“A cidade é muito quente e o Panamá é um modelo que nunca sai de moda. As mulheres compram, os homens compram. Vendo chapéu aqui de mamando a caducando. Tenho cliente de 97 anos”, brinca.

A senhora tímida, que não gosta de fotografia e só aceita pagamento em dinheiro vivo, se mostra bem antenada com o gosto da clientela, principalmente o dos mais jovens. “Eles compram para usar na balada, no pagode e outros para as festas sertanejas”.

O mais caro, um modelo marrom, imponente, com pelo de lebre, custa R$ 300,00. O tipo Panamá, com fibras naturais, tem preços a partir de R$ 130,00 e ainda há os mais populares, para os peões que ainda andam pelas comitivas no Pantanal.

“Tem chapéu que dura 7, 8 anos, sob chuva e sol. É igual calça jeans, tem alguns mais baratos, mas não são tão bons”, diz dona Lúcia.

Modelo Panamá, vindo do Equador.
Modelo Panamá, vindo do Equador.
Há 60 anos loja funciona no mesmo endereço, na 14 de Julho.
Há 60 anos loja funciona no mesmo endereço, na 14 de Julho.
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