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Consumo

Artesanato mudou “ex-hippie chic”, que venceu drogas e ganhou amor

Há 20 anos, fios viram acessórios e decoração nas mãos de tatuador, que planeja viajar o país com a esposa fazendo macramê

Por Thailla Torres | 13/05/2020 08:55
Acessórios como colares são feito com toda delicadeza pelo tatuador. (Foto: Paulo Francis)
Acessórios como colares são feito com toda delicadeza pelo tatuador. (Foto: Paulo Francis)

Você deve estar se perguntando de onde a gente tirou a expressão “hippie chic” para contar a história desse artesão, tatuador e web designer apaixonado pelo macramê. Saiba que o título é ele mesmo quem dá ao contar sua história que “daria um livro”, conforme cita, de tantos altos e baixos desde adolescência.

Nascido em Marília e criado em Ubirajara, interior de São Paulo, Eliandro Aparecido Elias da Silva, 42, chegou por aqui há cinco anos para trabalhar ao lado da esposa, Leisiane Balta da Silva, 37. Os dois se conheceram há 12 anos quando ele era hippie e ela secretária do fórum de Presidente Venceslau (SP).

Eliandro se diz apaixonado pelo artesanato há 20 anos. (Foto: Paulo Francis)
Eliandro se diz apaixonado pelo artesanato há 20 anos. (Foto: Paulo Francis)

Nessa época, Eliandro conta que o artesanato que o fez superar o vício em drogas foi o mesmo que aproximou ele de Leisiane. Os dois viram a relação entre artesão e cliente virar amizade, ganhar um beijo e se transformar em uma nova história de amor.

“Eu era considerado por alguns um hippie chic, porque eu não tinha aquele estereótipo despreocupado, que não tomava banho ou tinha o cabelo sujo, eu era um hippie que gostava de estar mais arrumadinho”, diz.

Leisiane e Eliandro estão juntos há 12 anos. (Foto: Paulo Francis)
Leisiane e Eliandro estão juntos há 12 anos. (Foto: Paulo Francis)

Desde então o casal está junto no amor e nos negócios, Eliandro é o artista que já foi chapeiro de lanchonete, moto entregador, hippie, viajante e há anos é um artesão de mão cheia. A esposa auxilia no acabamento e se dedica na divulgação do trabalho. Além do artesanato que está por toda parte do espaço deles na Rua Aroeira, bem próximo à Orla Morena, ali funciona o estúdio de tatuagem, que agora anda meio parado por causa da pandemia, mas sobrevive graças ao talento do paulistano com os fios.

Dos acessórios aos objetos de decoração, tudo é feito com a mesma técnica de amarração, o macramê, conhecida por conta daquelas pulseirinhas de hippie, mas há muito tempo o macramê voltou repaginado, para exibir o verde pela casa, ou para deixar os acessórios pessoais ainda mais personalizados.

Assim Eliandro produz suporte de plantas, filtro dos sonhos, colares, pulseiras, brincos e uma diversidade de acessórios tanto para as mulheres quanto para os homens.

Macramê como decoração é um dos trabalhos do tatuador. (Foto: Paulo Francis)
Macramê como decoração é um dos trabalhos do tatuador. (Foto: Paulo Francis)

Para falar da trajetória com os fios, Eliandro volta ao passado, sem nenhum receio de falar do drama de ser um dependente químico em recuperação, que há quase 20 anos não faz uso de drogas.

“Sou filho de mãe costureira e pai sitiante, então tive uma infância dentro de uma cultura simples. E desde cedo tive contato com pintura e a costura por causa da minha mãe. Aos 12 anos, muito rebelde, fugi de casa. Fui para outra cidade no interior de São Paulo e tive meu primeiro contato com as drogas”, lembra.

Desde então foram 10 anos de luta contra o vício. “Voltei e sai da casa dos meus pais algumas vezes, fui estudar no colégio agrícola, desandei novamente por causa da droga e cheguei a ficar 10 anos longe da família. Nesse tempo passei por vários lugares, fui apreendido na adolescência e só me recuperei quando entrei em uma comunidade do Amor Exigente, e foi lá meu maior contato com o artesanato”.

Eliandro passou três anos internado na reabilitação. Quando saiu trabalhou em vários lugares, mas foi o artesanato que o libertou para viajar pelo país e conhecer pessoas.  “O artesanato, especialmente o macramê virou minha vida de cabeça pra baixo. Tudo o que eu tenho hoje é derivado do artesanato. Digo que clínica consertou minha cabeça e o artesanato me deu um norte para seguir em frente, conhecer a tatuagem, lugares e pessoas. Me considero vitorioso”.

Juntos, além das vendas e do estúdio de tatuagem, o casal trabalha por um sonho. “Nosso projeto é ganhar dinheiro para ter um motor home e fazer com que o artesanato e o estúdio de tatuagem sejam nômades. Nosso sonho é viajar pelo país ou até o mundo levando o nosso trabalho”.

Quem quiser conhecer o trabalho do casal, que aceita encomendas e envia para qualquer lugar do país, pode entrar em contato pelo Instagram (clique aqui).

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Pulseiras, colares e brincos são alguns dos acessórios produzidos pelo ex-hippie. (Foto: Paulo Francis)
Pulseiras, colares e brincos são alguns dos acessórios produzidos pelo ex-hippie. (Foto: Paulo Francis)