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Consumo

Bares vendem cerveja antecipada e até móveis para não fecharem de vez

Para driblar queda no movimento causado pelo coronavírus, estretégias vão de bazar com peças do salão à delivery com brindes

Por Danielle Errobidarte | 01/04/2020 07:20
Antes e depois do coronavírus mostra realidade de casas de show em Campo Grande. (Foto: Reprodução/ Blues Bar)
Antes e depois do coronavírus mostra realidade de casas de show em Campo Grande. (Foto: Reprodução/ Blues Bar)

Lotados aos finais de semana, bares e casas noturnas da Capital não estavam acostumados com uma queda tão grande no movimento, nem em dias de semana. Com a música ao vivo proibida, a limitação de apenas 30% do espaço aberto ao público e artistas remarcando shows, o silêncio na cidade é preocupação amenizada com criatividade e vontade de “permanecer em pé”.

No Blues Bar, a música ao vivo já era uma das poucas opções para os amantes de rock na Capital dominada pelo sertanejo. Com a pandemia de coronavírus, a solução foi antecipar o ingresso dos shows e vender vouchers de consumação que podem ser descontados quando a casa reabrir.

“Tínhamos shows fechados até o mês de agosto, remarcamos os shows de agora para datas no segundo semestre. Tínhamos bandas covers de Red Hot Chilli Peppers, Aerosmith, Legião Urbana, The Doors, fora os shows das bandas locais. Nenhuma apresentação foi cancelada, só adiamos”, explica o proprietário Ivan Torres, de 42 anos.

Ivan afirma que, assim como os shows, as dívidas e contas não foram sanadas, apenas adiadas. A solução foi vender ingressos que vão de R$10 a R$30 e consumação de R$50 a R$100. “Temos folha de pagamento, salário, aluguel... As contas não param de chegar!”.

Já no Velfarre Bar, a criatividade despertou nos momentos mais difíceis. Qualquer pedido feito por aplicativos vai acompanhado de um livro, fruto de parceria com a Livraria Hamurabi. A ideia, além de atrair clientes, serve para estimular o hábito de leitura como forma de aproveitar o tempo livre. “Conversando com o dono da Hamurabi, ele comentou sobre as pessoas estarem perdendo o hábito de ler. Pensamos em incentivar, já que estão todos em quarentena”, relata o proprietário Heriko Hata, de 33 anos.

A aposta está dando certo e Heriko afirma que as vendas cresceram 15% após o envio de livros junto com o pedido. A falta dos artistas também é outro problema enfrentado pelo bar. “Tínhamos show com música ao vivo todos os sábados”, relata.

Letreiro era parada para fotos no centro da Capital. (Foto: Reprodução)
Letreiro era parada para fotos no centro da Capital. (Foto: Reprodução)

Roberto Ferreira é proprietário do Saideira Classic Bar. O sobrinho dele, que mora em São Paulo, foi diagnosticado recentemente positivo para o coronavírus. Apesar de sentir os impactos da doença dentro da família, ele acredita na permanência em isolamento social para garantir a saúde da família de casa e do bar. “Acho que o momento agora é de se preocupar com o próximo. Nós empresários, principalmente onde há aglomerações, temos que ter consciência e cautela nesse momento. Tenho colaboradores fixos e freelancers, a preocupação é grande mesmo após retomarmos as atividades”.

Ele admite que a reunião dos amigos e presença física no espaço é o que movimenta os barzinhos de Campo Grande, e que será preciso alguns meses para se recuperar. Enquanto isso, a solução foi “atender os clientes com delivery, fazer um cadastro no WhatsApp para mantê-los próximos e chamar atenção por postagens nas redes sociais”.

Por se encaixar na categoria de restaurante, Roberto admite a responsabilidade caso voltasse a funcionar antes do isolamento terminar definitivamente. “Sou bar e restaurante, já poderia voltar, mas não pretendo ainda. Vou ser cauteloso e cuidar primeiro da nossa saúde”.

Juliano Werthmeier, proprietário do Jack Music Hall, compara a presença dos músicos e dos shows que já estavam agendados, a poltronas em um avião. “O show é igual assento em voo. Se o avião voou com um assento vazio, nunca mais ninguém poderá ocupá-lo. Pode ter outro voo com aquele mesmo assento, mas não é capaz de retornar. O show é a mesma coisa. Um fim de semana fechado, o cachê para o artista e o lucro para a casa, nunca mais vai voltar”.

A estratégia de Juliano foi dar férias coletivas para os cinco funcionários fixos, e não contratar mais os terceirizados, como seguranças, enquanto a casa estiver fechada. Além disso, ele tenta a suspensão dos aluguéis nos dias parados. Enquanto as portas não reabrem, Juliano decidiu não só lamentar pelo dinheiro perdido. Com as economias feitas, programa uma reforma para o Jack, que pretende entregar já no retorno após a pandemia.

“Também me preocupo com os fornecedores, porque é uma rede de profissionais que são afetados. Se não preciso de produtos para abastecer a geladeira, por exemplo, a empresa que produz também não precisa dos funcionários e não tem esse giro na produção”, explica.

Outra solução criada para diminuir os impactos do fechamento foi aproveitar a reforma, já planejada, para vender móveis e acessórios do interior da casa. Desde os sofás almofadados até os quadros com personalidades famosas do rock, um bazar virtual, montado na página do Facebook, ajudará nos custos após a retomada.

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