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Consumo

Boneco de orixá em crochê nasceu da imensa saudade da Bahia

Ela também produz amigurumis de Nossa Senhora, santos católicos e personagens de desenhos, filmes e brinquedos

Por Clayton Neves | 16/06/2026 07:35
 Boneco de orixá em crochê nasceu da imensa saudade da Bahia
Amigurumis de Oxum, uma das orixás mais vendidas. (Foto: Arquivo Pessoal)

Com saudade da Bahia, mas já apaixonada por Campo Grande, a artesã Daniela Adlay encontrou nos amigurumis uma forma de manter vivas as próprias raízes. Morando na Capital há cerca de um ano e meio, ela cria bonecos de crochê inspirados em orixás, parte de uma identidade cultural tão comum no lugar de onde veio e que acabaram se transformando em um elo afetivo com a terra natal.

Além dos orixás, Daniela também faz amigurumis de santos católicos, personagens infantis, animes, filmes e games.  Segundo ela, a paixão pelos trabalhos manuais a acompanha desde a infância.

Ela conta que aprendeu técnicas artesanais dentro de casa, observando e herdando conhecimentos. O contato com os amigurumis veio apenas em 2015, quando descobriu vídeos na internet ensinando a técnica japonesa de criar bonecos de crochê.

 Boneco de orixá em crochê nasceu da imensa saudade da Bahia
Oxalá, considerado o pai de todos os orixás. (Foto: Arquivo Pessoal)
 Boneco de orixá em crochê nasceu da imensa saudade da Bahia
Com arte que faz, Daniela se sente mais perto da cultura baiana. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Comecei por hobby. Em 2015 fazia só porque gostava. Em 2017 as pessoas começaram a encomendar e aí virou uma atividade profissional”, relembra.

No início, os pedidos eram voltados principalmente ao universo infantil e à cultura pop. Com o tempo, surgiram encomendas de orixás, algo que Daniela já conhecia bem por causa das origens baianas.

Natural do interior da Bahia, ela decidiu direcionar parte do trabalho para as figuras religiosas após a mudança para Mato Grosso do Sul. “Quando cheguei em Campo Grande, resolvi focar mais nos orixás por causa de uma saudadezinha da Bahia. É uma forma de me reconectar com as minhas origens”, explica.

 Boneco de orixá em crochê nasceu da imensa saudade da Bahia
Daniela veio da Bahia e mora há pouco mais de 1 ano em Campo Grande. (Foto: Arquivo Pessoal)

Hoje, ela divide o trabalho em três linhas diferentes. Uma é dedicada ao público infantil, com personagens de desenhos e brinquedos. Outra atende fãs da cultura geek, com figuras de animes, filmes e games. Já a terceira reúne santos, imagens de Nossa Senhora e os orixás, muito presentes na cultura baiana.

Apesar de não seguir uma religião de matriz africana, Daniela diz que a temática faz parte da história e da identidade da família. “Meu marido é da religião e a gente tem muito carinho pelos orixás, tanto pelas nossas origens quanto pela fé dele”, comenta.

Entre as peças produzidas, há amigurumis de Iemanjá, Xangô, Iansã, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Fátima, Santa Guadalupe, além de personagens como Lilo & Stitch, Moranguinho, Pantera Cor-de-Rosa e até personagens da série Friends.

 Boneco de orixá em crochê nasceu da imensa saudade da Bahia
Além dos orixás, artesã faz diversos personagens do universo dos desenhos e filmes. (Foto: Arquivo Pessoal)

Cada boneco exige horas de dedicação. Como a técnica é feita ponto por ponto, todo o processo acontece manualmente, desde o corpo até os detalhes das roupas e acessórios.

Os preços variam entre R$ 60 e R$ 150, dependendo do tamanho, dos materiais utilizados e dos detalhes solicitados pelo cliente. Algumas peças podem levar mais de um dia inteiro para serem concluídas.

Atualmente, os amigurumis são a única fonte de renda de Daniela. Além das encomendas, ela também participa da Feira Ziriguidum, onde expõe parte do trabalho.

 Boneco de orixá em crochê nasceu da imensa saudade da Bahia
Frida Kahlo também foi representada pela arte de Daniela. (Foto: Arquivo Pessoal)

Entre os orixás, Oxum é a campeã de pedidos em Campo Grande. “Aqui o pessoal procura muito Oxum. Lá na Bahia era mais Iansã”, relata.

Mesmo mantendo viva a ligação com o Nordeste através dos bonecos, Daniela garante que já se adaptou à nova cidade. “Já acostumei, já me apaixonei por Campo Grande. Já aprendi até a tomar tereré”, brinca.

Por enquanto, ela prefere deixar para as artesãs locais a missão de retratar o Pantanal e os símbolos regionais de Mato Grosso do Sul. Mas não descarta explorar o tema futuramente.

 Boneco de orixá em crochê nasceu da imensa saudade da Bahia
Oxumaré, o rixá dos ciclos e transformação, reprrsentado pelo arco-iris. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Já fiz alguns animais do Cerrado, mas aqui existem artesãs que conhecem muito mais essa cultura do que eu. Prefiro somar e focar no que eu entendo melhor. Quem sabe mais para frente eu não entro nessa também?”, finaliza.

O telefone para contato e encomendas é o (77) 99129-7076.

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