Com canetas em alta, supermercados de MS reveem compras e prateleiras
Produtos nas gôndolas, ritmo de reposições e posicionamentos sofrem alterações com mudança na dieta

Não são só restaurantes e lojas de vestuário que precisaram se adaptar à realidade das canetas emagrecedoras. O segmento dos supermercados também relata impacto nas vendas de itens alimentícios que antes saíam com maior frequência, mas que, atualmente, "encalham" nas gôndolas.
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Supermercados de Campo Grande registram mudanças nas prateleiras diante da busca por hábitos alimentares mais saudáveis, movimento associado ao uso de canetas emagrecedoras. Enquanto a mercearia tradicional sofre queda nas vendas, o setor de hortifruti e produtos fit ganham mais espaço. Dados da Abras apontam crescimento de 2,67% no consumo real entre janeiro e julho deste ano em relação a 2024.
Isso porque um dos efeitos colaterais decorrentes do uso de hormônios de emagrecimento é certa seletividade alimentar, tanto por mudanças no estilo de vida quanto pelo mal-estar que alguns gêneros alimentícios podem causar nos usuários.
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A reportagem foi até três supermercados de Campo Grande para entender, e o consenso é que as prateleiras tiveram alterações, principalmente para a entrada de produtos de empório, como suplementos e outros industrializados proteicos. Em um deles, a saída de certas mercadorias caiu, enquanto a de outras subiu.
Tudo isso é visto não só como reflexo do uso dos medicamentos, mas também como resultado da busca por um estilo de vida mais saudável entre a população.
A pesquisa Consumo nos Lares da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), que mede a evolução real do consumo das famílias no varejo alimentar, descontados os efeitos da inflação, aponta crescimento de 2,67% entre janeiro e julho deste ano em relação ao mesmo período de 2025. O resultado indica que, de forma geral, o volume real de consumo nos supermercados não está caindo.
O presidente da AMAS (Associação Sul-mato-grossense de Mercados) confirma a tendência. "Muitos usuários do medicamento passaram a consumir mais em casa e menos fora do lar. Com isso, passam a buscar alimentos frescos, refeições prontas e mais equilibradas", diz Eder Oliveira.
"No geral, consumidores que vivem uma rotina com uso das canetas emagrecedoras querem varejistas que os ajudem a encontrar produtos saudáveis para auxiliá-los em sua jornada. Com isso, os fornecedores estão expandindo seu portfólio de produtos para atender a essa nova demanda", complementa.
Baixa por um lado, alta em outro - A seção de mercearia de uma unidade do supermercado Santa Rita registrou baixa nas vendas nos primeiros seis meses do ano, segundo o gerente operacional, Vanderson Andrade. Esse é o setor onde ficam alimentos como arroz, bolachas e bebidas industrializadas, por exemplo.
Por outro lado, os produtos de hortifrúti agora precisam de reposição mais rápida e a oferta de produtos fit precisou ser diversificada e ganhar mais espaço no estabelecimento.
“Nosso foco sempre foram os hortifrútis, frutas e legumes. Nesse novo processo a gente notou que batatas, legumes, alimentação mais saudável, estão realmente com procura bem grande. Isso refletiu na parte de mercearia, tivemos que nos reinventar na parte de compra, estratégia de venda, posição de produtos”, descreve o gerente.
A loja instalada há oito anos na Rua José Antônio desde sempre é mais procurada para a compra de frutas, verduras e legumes na região e decidiu reforçar essa vocação ao perceber a mudança de comportamento. A mercearia continuará lá, mas de forma diferente.
"Produtos que a gente comprava a cada um mês, a cada 45 dias, hoje o prazo para compra é a cada três meses. É um giro de venda que diminuiu bastante. A gente está focando mais em ter produtos mais frescos, de qualidade, não deixar faltar o que o cliente vem buscar", completa Vanderson.
Terças e quintas-feiras verdes - Os dias da semana com promoções no setor de hortifrúti do supermercado Legal, no Bairro Tiradentes, andam recebendo mais clientes. Há um ano, whey protein e outros suplementos foram colocados perto do caixa para atrair quem quer comprar ali pela praticidade. O que também vem ocorrendo é os refrigerantes zero açúcar terem que ser repostos com mais rapidez do que os tradicionais.
A gerência não associa tudo isso exclusivamente às canetas emagrecedoras. A leitura é que essa mudança de comportamento faz parte da busca por hábitos saudáveis, perseguidos para evitar doenças e envelhecer bem.
O supermercado Pires, também no Bairro Tiradentes, adotou a mesma estratégia de colocar os suplementos mais à vista para os clientes. A gerência não comentou sobre queda ou aumento nas vendas que possam ser relacionados ao uso dos medicamentos.
Consumidores - A estudante Fernanda Fernandes, 18, passou no Legal para comprar um único produto. Ela não usa canetas emagrecedoras, mas cita a irmã, que está fazendo o tratamento e anda fazendo as compras do mês de uma forma diferente. “Ela está comprando as mesmas coisas, mas em menor quantidade”, relata.
A professora Arisa Kemi do Prado, 26, frequenta o mercado Santa Rita para aproveitar a variedade de frutas e verduras indicadas pelo nutricionista que a está acompanhando. Ela conta que a alimentação mudou e as compras passaram a priorizar alimentos in natura.
"Mudei. Nos últimos meses comecei a fazer dieta visando a minha qualidade de vida mesmo, pois como professora eu gasto muita energia no meu trabalho, percebi que estava ficando doente com muita frequência”, relata.
Arisa não usou as canetas, mas conhece várias pessoas que usam. “Começaram a usar e automaticamente a alimentação mudou, porque a pessoa sente muito mal-estar quando se alimenta com ultraprocessados ou algo do tipo", pontua.
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