Moradores chegam antes do amanhecer para aproveitar “Saldão do Bem” de asilo
Com peças a R$ 5, bazar beneficente atrai público de madrugada em Campo Grande
Antes mesmo de o dia clarear, a movimentação em frente ao Asilo São João Bosco já indicava que o “Saldão do Bem” teria fila, disputa pelas melhores peças e muita gente disposta a garimpar. Realizado nesta quarta-feira (10), em Campo Grande, o bazar beneficente oferece roupas, calçados e acessórios pelo valor único de R$ 5.
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O "Saldão do Bem" reuniu dezenas de pessoas desde a madrugada nesta quarta-feira (10) em Campo Grande, em frente ao Asilo São João Bosco, que oferece roupas, calçados e acessórios por R$ 5. A ação, das 8h às 17h, arrecada recursos para manter atendimentos a cerca de 90 idosos acolhidos. A instituição, fundada em 1923, depende de doações da população, que representam 56% do custeio, e do Fundo Municipal do Idoso, responsável pelos outros 44%.
A ação ocorre das 8h às 17h e tem como objetivo arrecadar recursos para a manutenção dos atendimentos prestados a cerca de 90 idosos acolhidos pela instituição. O dinheiro arrecadado ajuda a custear despesas como alimentação, medicamentos, produtos de higiene, fraldas, manutenção e cuidados diários.
Entre os primeiros da fila estava Laudisleia Almira, de 47 anos, empreendedora e moradora da região das Moreninhas. Ela chegou acompanhada das primas e não economizou no esforço: estava no local desde as 3h da manhã.
“Cheguei aqui às três horas da manhã para conseguir pegar as melhores peças. Vim procurar roupa da moda, de forma sustentável, e também ajudar o asilo. Quando tem bazar assim, vêm brechonistas de Campo Grande inteira e até de outras cidades. Se você não chega cedo, não consegue pegar as melhores roupas. Também estou comprando peças para o meu brechó”, contou.
A aposentadoria, o orçamento apertado e a chance de encontrar itens baratos também levaram Beto Carvalho, de 60 anos, morador do Santo Amaro, a se organizar cedo. Ele chegou por volta das 6h15 e foi preparado para esperar.
“Vim preparado, trouxe até uma cadeira porque sabia que a fila ia demorar bastante e ninguém aguenta ficar em pé esse tempo todo. Quero olhar roupa, calçado, o que tiver. Estou comprando mais para uso próprio mesmo, mas se tiver oportunidade, a gente também ajuda o asilo, apoiando da forma que consegue”, disse.
A dona de casa Isadora Mendonça de Barros, de 62 anos, foi ao bazar acompanhada da neta, de 11 anos. Para ela, a iniciativa é uma oportunidade de comprar roupas para as crianças sem comprometer tanto o orçamento da família.
“Nosso ganho é pouco, então a gente vem procurar essas pecinhas mais baratinhas, roupa de cinco reais. Vou comprar para minha neta e para o irmãozinho dela também. Estou procurando mais roupa mesmo. Pelo que falaram, parece que vai estar tudo bem baratinho. Aí a gente vem olhar com calma, ver se consegue garantir algumas peças para as crianças”, afirmou.
Por trás da organização, o trabalho começou dias antes. Voluntário no bazar e estudante de Nutrição, Ricardo Alex Souza, de 51 anos, contou que a equipe passou cerca de três dias preparando o espaço, separando roupas e escolhendo as melhores peças para receber o público.
“Ficamos cerca de três dias preparando tudo aqui, separando as roupas e escolhendo as melhores peças para apresentar ao público. Hoje estamos com vários voluntários ajudando na organização e no atendimento, tentando trazer o melhor para quem vier ao bazar”, relatou.
Segundo Ricardo, o bazar funciona durante todo o ano em uma lojinha permanente dentro do asilo, mas o feirão foi pensado para ampliar a divulgação e atrair mais pessoas.
“Na verdade, esse bazar funciona o ano todo. Temos uma lojinha permanente aqui, onde recebemos doações e fazemos as vendas normalmente. Mas agora concentramos tudo neste feirão maior para ampliar a divulgação e trazer mais pessoas, e está funcionando muito bem”, afirmou.
Ele também explicou que decidiu participar como voluntário após uma proposta feita durante o curso. “Escolhi ajudar como voluntário porque estou finalizando o curso de Nutrição. A professora Andressa comentou sobre a possibilidade de fazermos um trabalho voluntário, então resolvi participar para ajudar na causa também”, completou.
O bazar funciona de forma permanente dentro do Asilo São João Bosco, mas o “Saldão do Bem” foi organizado como uma edição especial para ampliar o acesso da população às peças disponíveis. Além de estimular as compras, a proposta é aproximar a comunidade da instituição e divulgar o trabalho realizado com os idosos.
Fundado em 23 de outubro de 1923, o Asilo São João Bosco é uma instituição sem fins lucrativos. Atualmente, acolhe cerca de 90 idosos em situação de vulnerabilidade social, oferecendo moradia, seis refeições diárias, cuidadores 24 horas, serviços de enfermagem, fisioterapia, nutrição, pedagogia, atividades recreativas, culturais e religiosas, além de apoio emocional e espiritual.
A manutenção das atividades depende de recursos do Fundo Municipal do Idoso, responsável por 44% do custeio, e de doações da população, que representam 56%. O asilo está localizado na Rua José Nogueira Vieira, nº 1900, Bairro Tiradentes.
A presidente do Asilo São João Bosco, Isislene Magalhães, explica que esta é a primeira experiência da instituição com um feirão de roupas nesse formato. Segundo ela, a expectativa é positiva, com cerca de três mil peças disponíveis ao público, entre roupas, calças, camisas, blusas, peças íntimas, travesseiros, cobertas, lençóis e sapatos. Todos os itens foram recebidos por meio de doações da sociedade e passaram por etapas de seleção antes de serem colocados à venda.
Isislene destaca que, quando as doações chegam ao asilo, a prioridade é separar o que pode ser aproveitado pelos idosos acolhidos pela entidade. Depois, parte dos itens é destinada ao bazar permanente e o restante ao feirão. Segundo a presidente, as peças colocadas à venda são escolhidas com cuidado e não incluem roupas rasgadas ou desfiadas. Todo o valor arrecadado será revertido para a manutenção da instituição, que atende 90 idosos e tem despesas elevadas, incluindo seis refeições diárias.
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