Mudança nos perfis das mães pode afetar vendas, mas não desanima comerciantes
Canetas emagrecedoras tendem a desestimular a ida a restaurantes, aponta CDL
O Dia das Mães está próximo: será em 10 de maio, o segundo domingo do mês. Já neste sábado (2), alguns filhos se anteciparam e saíram de casa para procurar no comércio de Campo Grande algo para presenteá-las.
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Com o Dia das Mães se aproximando, a CDL de Campo Grande prevê mudanças no perfil de consumo da data, atribuindo às canetas emagrecedoras e ao endividamento familiar uma possível queda nas vendas. Restaurantes podem ser os mais afetados, já que apenas 19% dos filhos pretendem levar as mães para jantar fora. Apesar disso, lojistas e empresários do setor se mostram otimistas com o movimento esperado para o segundo domingo de maio.
A previsão da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) é que as vendas locais de mercadorias e serviços para presente sejam afetadas por uma mudança no perfil das mães, que está relacionada à popularização das canetas emagrecedoras. Outro fator que pode influenciá-las é o endividamento das famílias, que pode levar à desistência de comprar uma lembrancinha.
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A entidade aponta que os restaurantes podem ser os mais impactados, considerando que a pesquisa nacional da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), em parceria com o instituto de pesquisa Offerwise, mostra que apenas 19% dos filhos têm a intenção de levar as mães para almoçar ou jantar fora na data.
"Para a CDL Campo Grande, esse índice enfatiza a mudança de manequim e a nova busca por saúde, autocuidado e bem-estar físico das mães, impulsionadas pelo fenômeno das canetas emagrecedoras. O dinheiro, que antes era amplamente direcionado à gastronomia de volume, como os tradicionais almoços e rodízios fartos, migrou definitivamente para a estética e a moda. O lojista que não adequar o seu mix de produtos e a sua oferta para atender a essa 'nova mãe' corre o sério risco de perder vendas", publicou a Câmara campo-grandense.
Confiantes - Proprietário de uma churrascaria no Centro, Munir Saad Junior não acredita que vai enfrentar queda nas reservas e demandas espontâneas atendidas no Dia das Mães. Ao contrário, ele espera manter o incremento de 50% na data em comparação aos domingos comuns.
"É o dia mais esperado para o segmento de alimentação, o mais movimentado para os restaurantes que funcionam durante o dia. A expectativa todo ano é de casa lotada desde cedo", afirma o empresário.
Ele reconhece que as canetas emagrecedoras e o cenário econômico geram ansiedade, mas confia que a data é especial e não ficará de lado. "Dia das Mães todo mundo quer curtir a mãe, quer fazer aquela coisa especial para a mãe. Historicamente, nunca falhou", finalizou.
Gerente de uma loja de roupas de todos os tamanhos, também no Centro, Kelly Martins já percebe o movimento aumentando, como em todos os anos. Ela é outra que destaca qualquer prejuízo nessa data. "Se formos falar das canetas, não é ruim para as vendas. É bom porque essas mulheres têm que renovar o guarda-roupa e logo está entrando o inverno. Une o útil ao agradável: as vendas para o Dia das Mães e para o friozinho", explica.
O que elas querem - A aposentada, mãe e avó Ada Ferreira Barros, 74 anos, acredita que vai ganhar o de sempre: perfume.
"Gostaria de ganhar tudo que me faça feliz e nada que me faça sofrer. Meus filhos ainda não perguntaram o que eu quero ganhar, mas eles sempre dão presentes. A minha filha gosta de perfume, então eu sempre ganho um", conta.
Em anos anteriores, os filhos a levavam a restaurantes. Este ano, ela mesma não quer. "Estou preferindo ir à igreja", finaliza.
Já a auxiliar de cozinha Fátima Maria da Silva, 57 anos, não quer presentes. O que ela pede é outra coisa.
"Amor. Estar comigo sempre é o mais importante. Nesse dia prefiro ficar em casa, almoçar com minha família, com a minha mãe. Para nós, o que importa é a presença e não outras coisas", afirma.
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