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Diversão

Roteiro une estrada, turismo e rock para quem viaja de moto pela Capital

Projeto acadêmico propõe percurso de 3 dias voltado ao "mototurismo" na Cidade Morena

Por Geniffer Valeriano | 06/01/2026 07:40
Roteiro une estrada, turismo e rock para quem viaja de moto pela Capital
Old Sheep Steak Bar está entre as paradas do guia desenvolvido por Francisco (Foto: Marcos Maluf/Arquivo)

Motociclista e estudante de Turismo, Francisco José Moreira Filho, de 25 anos, decidiu “unir o útil” ao agradável  e criou um roteiro voltado a quem se aventura sobre duas rodas por Campo Grande. O projeto surgiu a partir da percepção da falta de percursos estruturados para esse público e considera a Capital como ponto estratégico de apoio à Rota Bioceânica.

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Um estudante de Turismo de Campo Grande desenvolveu um roteiro específico para mototuristas que visitam a capital sul-mato-grossense. Francisco José Moreira Filho, de 25 anos, baseou o projeto em uma pesquisa com mais de 100 motociclistas, criando um percurso de três dias que combina cultura urbana, natureza e gastronomia. O roteiro inclui visitas ao Bioparque Pantanal, Parque das Nações Indígenas e bares de rock, além de passeios pela Estrada Parque de Piraputanga e Rochedinho. A iniciativa considera Campo Grande como ponto estratégico de apoio à Rota Bioceânica, aproveitando sua infraestrutura de serviços e posição logística privilegiada.

O roteiro foi desenvolvido com base em uma pesquisa acadêmica que buscou compreender hábitos, preferências e motivações de motociclistas que realizam viagens de média e longa distância. Ao todo, 101 respostas foram analisadas. O resultado é um percurso de três dias que combina cultura urbana, natureza, gastronomia regional e espaços ligados à cena do rock, estilo musical fortemente associado ao perfil do público.

“Quando entrei na universidade, sempre busquei saber sobre viagens de moto, mas não encontrava tanto conteúdo teórico sobre mototurismo. A partir disso, vi a necessidade de estudar mais o tema e dar visibilidade a uma prática que eu vejo como um estilo de vida”, explica Francisco, integrante do GEPECTUR (Grupo de Estudos e Pesquisas em Culturas e Turismo), da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul).

No primeiro dia, o roteiro sugere desacelerar após a chegada à Capital. A proposta é conhecer a cidade sem pegar estrada, explorando equipamentos culturais e áreas verdes. Entre os pontos indicados estão o Bioparque Pantanal, considerado o maior aquário de água doce do mundo; o Parque das Nações Indígenas; o Museu das Culturas Dom Bosco; e o Parque dos Poderes, onde o passeio de moto faz parte da experiência.

Roteiro une estrada, turismo e rock para quem viaja de moto pela Capital
Além de estudante de turismo, Francisco também é motociclista (Foto: Arquivo Pessoal)

À noite, o roteiro se conecta diretamente ao universo simbólico do motociclista. A sugestão é encerrar o dia em espaços que unem gastronomia e rock, como o ELVIRA's Rock Bar, apontado como um dos clássicos da cidade, ou o Bar do Japonês, conhecido pela comida regional e ambiente informal.

“Os motociclistas são, majoritariamente, um público que gosta do estilo musical do rock. Na pesquisa, perguntamos quais locais costumam frequentar em Campo Grande, e esses espaços apareceram com força, por terem essa cultura mais ligada ao rock”, explica o estudante.

O segundo dia é dedicado à estrada, elemento central do mototurismo. O roteiro apresenta três opções de passeios do tipo “bate e volta”, com distâncias e propostas diferentes, respeitando o perfil de cada viajante.

A primeira alternativa é a Estrada Parque de Piraputanga, pela BR-262 e MS-450, com cerca de 140 quilômetros. O trajeto é conhecido pelas curvas, paisagem serrana e pela passagem por Camisão, onde está localizada a Vinícola Terroir Pantanal. A segunda opção é mais curta, até o distrito de Rochedinho, pela MS-080, com visita à comunidade quilombola Furnas do Dionísio. Já a terceira rota é voltada aos mais experientes: Bonito, a cerca de 300 quilômetros, em um desafio de resistência e pilotagem.

“A viagem de moto é totalmente diferente da de carro. Você sente o vento, observa mais a paisagem. Muitas pessoas dizem que você e a moto se tornam um só, parte da estrada”, relata Francisco. Segundo ele, no mototurismo o foco está mais na experiência do que no destino final. “Tem motociclistas que viajam apenas por gostar da estrada.”

Roteiro une estrada, turismo e rock para quem viaja de moto pela Capital
Bioparque Pantanal também está entre os atrativos presente no guia (Foto: Juliano Almeida)

O retorno à Capital prevê descanso e imersão cultural, com opções como a Feira Central, conhecida pelo sobá, ou o Old Sheep Steak Bar, que mistura rock, carnes e cervejas artesanais.

No terceiro dia, o roteiro sugere compras de lembranças e despedida da cidade, com passagens pelo Mercado Municipal de Campo Grande e pela Casa do Artesão, antes da retomada da viagem. Confira o roteiro clicando aqui.

Orientadora do projeto, a coordenadora do curso de Turismo da UEMS, Débora Fittipaldi Gonçalves, destaca que a escolha de Campo Grande como ponto central do roteiro não é aleatória. “Campo Grande é o coração logístico do Estado. A escolha se justifica pela infraestrutura de serviços, oficinas especializadas, hotelaria e gastronomia, além de ser considerada pelo Ministério do Turismo um destino indutor”, afirma.

Segundo ela, no contexto da Rota Bioceânica, a Capital se posiciona como principal centro de apoio aos viajantes. “O roteiro prepara a cidade para não ser apenas um local de passagem, mas um destino de permanência para os motociclistas que percorrerão o corredor transcontinental.”

Para Débora, estudos como esse podem fortalecer a atividade, atrair investimentos, melhorar a infraestrutura viária e impulsionar a economia local. “O mototurismo está em crescimento, ainda pouco falado, mas com grande adesão no Estado”, avalia.

Francisco reforça que o roteiro não é definitivo. “Ele foi fruto de uma iniciação científica, mas pretendo desenvolver novos estudos e criar outros roteiros. Quem sabe expandir para todo o Estado”, projeta.