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Terapia virtual é saída para não parar tratamento quando mais precisa

Psicólogas explicam como são sessões sem presença física e afirmam que conteúdos sobre a COVID-19 devem ser consumidos com cuidado

Por Danielle Errobidarte | 04/04/2020 07:39
Agora o trabalho da psicanalista Isloany Machado é assim, direto online. (Foto: Arquivo Pessoal)
Agora o trabalho da psicanalista Isloany Machado é assim, direto online. (Foto: Arquivo Pessoal)

Se isolar do convívio com a família, interromper as relações de trabalho e até perder a fonte de renda são situações que muitos psicólogos precisaram se adaptar para entender. Com os pacientes em quarentena e a impossibilidade de atender nos consultórios, a rotina também mudou para eles.

A psicanalista Isloany Machado não tem ido ao consultório e adotou as chamadas de vídeo para continuar atendendo os pacientes. “Claro que o atendimento online não substitui o presencial, mas são condições adversas, ninguém nunca tinha passado por isso antes”.

Ela também afirma que, apesar da modalidade a distância ser diferente do atendimento presencial, ela não impossibilita o tratamento. “O atendimento online já é adotado por alguns profissionais, com a supervisão do Conselho de Psicologia, mas antes era para pacientes que viajam muito ou mudam de cidade e querem continuar com o mesmo terapeuta”, explica.

Psicanalista transformou cantinho de casa em consultório virtual. (Foto: Arquivo Pessoal)
Psicanalista transformou cantinho de casa em consultório virtual. (Foto: Arquivo Pessoal)

Para Isloany o isolamento pode ser absorvido em duas realidades diferentes, que variam de caso em caso. “A primeira é essa angustia generalizada, e aí entra a diferença social. Mas também existe o “como” isso afeta cada um isoladamente, se o sujeito mora longe da família, se nesse momento sozinho ele retoma algo da infância, tudo tem que ser considerado”.

Isloany recomenda sempre falar sobre os sentimentos. “Mesmo que seja para dizer “mas que droga!”, é fundamental estarmos conectados com as pessoas que amamos. E muitas vezes ficar nessa de “calma, vai ficar tudo bem”, não ajuda, porque não temos certeza do futuro”, recomenda.

Cristiane Teixeira trabalha com atendimento online desde 2018. Além das sessões de psicoterapia, ela faz publicações em suas redes sociais para estimular a segurança dos pacientes durante o isolamento.

“Gerar esses conteúdos, fazer lives e interagir ajuda as pessoas a identificarem sintomas, necessidades e conflitos. Esse é um momento que tivemos uma ruptura de nossas realidades. Se conectar consigo mesmo ajuda a perceber quando é necessário começar uma terapia. Hoje nossas emoções estão muito exacerbadas”, afirma.

Para Cristiane, criar uma rotina dentro de casa, com a família e o trabalho, baseada na rotina de trabalho, ajuda a ocupar o tempo disponível com coisas que nos farão bem. “É necessário tentar estabelecer metas de acordar, tomar banho, tirar o pijama, ter um horário para almoçar, para conversar com os filhos e fazer atividade física”, explica.

O fato é que, para as duas profissionais, é fundamental tomar cuidado com a quantidade de informação absorvida durante o período de quarentena. Cristiane sugere reservar um tempo do dia para consumir as informações, e não a todo momento.

Do divã para as telas, terapia agora é por chamada de vídeo. (Foto: Arquivo Pessoal)
Do divã para as telas, terapia agora é por chamada de vídeo. (Foto: Arquivo Pessoal)

Para garantir a segurança e sigilo nos atendimentos, Tarita Almirão utiliza plataformas psicografadas de encontros online com os pacientes. “Como sou psicóloga de crianças e adolescentes dentro do espectro autista, fica a cargo da família qual plataforma usar”.

Tarita ainda afirma que “é difícil falar dos efeitos do isolamento sem considerar diversos recortes, como de classe, raciais, de gênero e do histórico individual”. Para ela, não existe receita para cuidados com a saúde emocional, mas o que devemos buscar é “não se comparar com uma pessoa que vive outra realidade”.

Ela recomenda a divisão do tempo entre atividades que são obrigações com atividades mais prazerosas. "Se for possível, e te fizer bem, pode ser bom fazer aquela leitura atrasada, acompanhar um vídeo de exercícios físicos, estreitar laços com os amigos e familiares, ou ainda, se dar o direito de apenas não fazer nada".

E a psicóloga ainda deixa um recado:

Estamos falando de saúde emocional devido, dentre outras coisas, ao isolamento; e as famílias de pessoas dentro do espectro autista, em geral, são muito isoladas. Isso ocorre tanto pelo desconhecimento de como o transtorno afeta o comportamento de maneira que varia de indivíduo para indivíduo, como pela falta de investimento nos diversos setores sociais.

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Atenção com crianças também é importante nesse período e psicóloga pede para que não esqueçamos dos autistas. (Foto: Arquivo/ Henrique Kawaminami)
Atenção com crianças também é importante nesse período e psicóloga pede para que não esqueçamos dos autistas. (Foto: Arquivo/ Henrique Kawaminami)