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Campo Grande, Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018

27/06/2018 07:54

Cafezinho colhido no quintal e moído na hora virou tradição para Maria e Luiz

Nos fundos da casa humilde, eles ainda cultivam pés de café.

Willian Leite
O velho pé de café nos fundos de casa é o cenário que mais define o casal. (Foto: Willian Leite)O velho pé de café nos fundos de casa é o cenário que mais define o casal. (Foto: Willian Leite)

Casados há 37 anos, Luiz George Ferreira, 82 anos, e Maria Gama da Silva, de 66, foram os primeiros moradores do Bairro Jardim Colúmbia, em Campo Grande. Em 1983, compraram três terrenos no loteamento que havia acabado de ser lançado, na saída para Cuiabá.

De lá para cá, eles viram muitas histórias no mais novo bairro da Capital. “Lembro-me que naquela época não tinha nem energia por aqui, água era só de poço e não víamos dificuldades em viver aqui”, relembra Luiz.

O casal que sempre prezou por comer o que plantava na época, mantinha várias plantas frutíferas no quintal, dona Maria era quem cuidava e já colhia o café que sempre foi à paixão da dona de casa. “Meu pé de café sempre foi meu xodó e ainda hoje tenho mudas das sementes que plantamos naquela época”, Afirma.

Peculiaridade ou não, ainda hoje o cafezinho feito na hora é do pó produzido ali mesmo, na casa de seu Luiz e dona Maria. Ela afirma que sempre gostou das coisas caseiras e que os filhos poucas vezes iam ao médico, pois faziam o tratamento com remédios caseiros. “Assim como meu café, minhas crianças sempre foram tratadas com remédios caseiros, nunca gostei de dar esses comprados em farmácia”, diz.

 

Maria e o companheiro de todas as tardes, antes do anoitecer deixa o pó prontinho para o outro dia. (Foto: Willian Leite)Maria e o companheiro de todas as tardes, antes do anoitecer deixa o pó prontinho para o outro dia. (Foto: Willian Leite)

Eles, que sempre foram muito hospitaleiros, oferecem café e fazem questão perguntar, para ver se sai aquele da hora. “Todos que chegam sempre perguntam do nosso café e eu que não tenho preguiça logo vou pra cozinha e preparo”, lembra Maria.

Uma pequena capela de São Luiz Gonzaga no bairro também foi construída com a ajuda do casal, local onde muitos foram catequizados. “Isso aqui era tudo um enorme matagal, nós minha velha e eu que desbravamos na enxada de baixo de sol quente este terreno”, explica seu Luiz.

O campo de futebol onde hoje acontecem os campeonatos, também teve participação dos dois. “Nunca medimos esforços para ajudar para que o bairro ficasse melhor, em tudo sempre fomos muito prestativos”.

Se comparado ao bairro ao lado, o Novo Lima, o Jardim Colúmbia é bem novo, tem apenas 37 anos, essas três décadas são parte da vida do casal. “Nossa vida foi construída aqui neste mesmo local onde moramos, criamos nossos filhos e netos e ainda hoje presamos pelo modo simples e caseiro como vivemos”.

No quintal, além de café, eles mantém um ipê roxo, que virou ponto de destaque na paisagem. Seu Luiz garante que tem gente que vem ao Hospital São Julião, que fica perto, para fazer tratamento e de longe enxerga as flores e faz fotos. Depois, ainda aproveitam para tomar o bom e famoso café da dona Maria.

“Tem foto nossa que foi parar em São Paulo, um pessoal chegou e bateu palma pedindo para tirar foto de baixo de nosso Ipê, a resposta foi sim e depois ainda tomaram nosso café”, lembra.

Luiz e Maria levam a vida simples de 35 anos atrás e dizem que não se arrependem de continuar vivendo na simplicidade, pois é isso que ainda os mantem vivos. “Fazemos questão de ainda hoje manter nossa tradição de cultivar e manter nossas plantas e mudas frutíferas. Aqui é nosso lar e gostamos disso tudo, até onde vamos não sei, mas enquanto estivermos vivos nosso jeitinho caseiro vai ser nossa referência”, finaliza.

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Em meio ao matagal o casal mostra como tudo começou no bairro. (Foto: Willian Leite)Em meio ao matagal o casal mostra como tudo começou no bairro. (Foto: Willian Leite)
A pequena capela da comunidade São Luiz Gonzaga é lembrança fresca de quem ajudou a construir.A pequena capela da comunidade São Luiz Gonzaga é lembrança fresca de quem ajudou a construir.


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