Com apenas cincão no bolso, o que ainda dá para comer no Centro?
Refeição por R$ 5 revela sufoco de quem vende e de consumidores que precisam economizar

Quem passa pelo Centro de Campo Grande com fome e apenas R$ 5 no bolso (e no pix) provavelmente já se perguntou: “O que dá para comer com esse dinheiro?” Foi atrás dessa resposta que o Lado B saiu pelas ruas da região central e passou duas horas procurando opções que coubessem no famoso “cincão”.
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A busca mostrou que ainda é possível encontrar algo para matar a fome sem gastar muito, mas também revelou a realidade de comerciantes que precisam driblar os custos dos ingredientes para manter preços baixos e consumidores que chegam ao balcão contando moedas para conseguir completar o valor do lanche.
Na região central de Campo Grande, o Rei dos Pastéis, na Rua 14 de Julho, nº 1803, em frente à Praça Ary Coelho, está há dois anos sob o gerenciamento de Vinícius Simões. O empreendimento passou por mudanças desde o início e, com o tempo, ampliou as opções oferecidas aos clientes. Entre os destaques estão os pastéis, a R$ 5,00, e a cueca virada, por R$ 1,00. Para acompanhar, também há bebidas em versões menores, como os refrigerantes em tamanho mini por R$ 4,00.
Com opções que cabem no bolso de quem tem poucos reais para gastar, o estabelecimento reúne salgados, bebidas e doces a preços variados. Na Barão Pastéis & Cia, na Rua Barão do Rio Branco, segundo a vendedora Eliane Vanil, é possível montar um lanche completo com R$ 5, escolhendo entre pastel de carne, frango ou queijo, salgados de diversos tipos, pão de queijo, café e bebidas em versões menores.

“O pastelzinho de carne, frango ou queijo custa R$4, assim como os salgados. O pão de queijo sai por R$ 2 e o cafezinho, R$2. Também temos Coca-Cola Mini por R$4, água com ou sem gás por R$4 e docinhos por R$3. Com R$5, dá para tomar um café com pão de queijo e ainda sobra R$1”, explica Eliane.
Para juntar as moedinhas - Com o fim da tarde se aproximando, a missão de encontrar opções por até R$ 5 ficou mais difícil para a equipe do Lado B. Muitos estabelecimentos já estavam fechando as portas e, entre os que ainda funcionavam, os preços começavam acima desse valor: casquinhas a partir de R$ 6, salgados por R$ 8 e açaí na versão menor também na faixa dos R$ 8. Diante do cenário, a reportagem aproveitou para perguntar aos comerciantes por que é tão difícil manter opções de R$ 5.
No Só Empadas, há 13 anos, Nilson Fernandes mantém um ponto de venda no Centro de Campo Grande, que ele chama de “98 centímetros de alegria”. No espaço, oferece empadas de 4 sabores: frango, frango com catupiry, palmito e frango com palmito, além de coxinha de massa de mandioca, saltenha, refrigerantes e água. As empadas custam R$ 6, valor que, segundo ele, poderia ser menor se produzissem os próprios salgados.
“As empadas custam R$6 e eu gostaria muito de conseguir vender por R$ 5. Mas eu compro para revender, não sou fabricante. Fazer a própria massa e ter o segredo do tempero é um dom, e eu não tenho. Então, para mim, fica difícil baixar mais o preço”.
Há anos, Irene Bento, de 58 anos, trabalha com a venda de churros recheados em frente à loja Marisa, na Rua Dom Aquino, e mantém o preço de R$ 7 como uma forma de continuar atendendo os clientes mesmo com o aumento dos custos. No cardápio, há sabores como doce de leite, chocolate e biscoito, além do churro tradicional. Segundo ela, o valor já está abaixo do que os gastos com os ingredientes permitem, mas a realidade financeira dos consumidores pesa na decisão de não reajustar o preço.

“As coisas subiram muito e, pelo custo dos ingredientes, o churro já está desatualizado nesse preço. Mesmo assim, estou tentando segurar os R$ 7 porque está difícil para todo mundo e a cidade está sem dinheiro. Hoje, por R$ 5, você quase não encontra mais nada. Eu procuro fazer um produto de qualidade, bem caprichado, e manter esse valor enquanto ainda consigo”.
Com R$ 5, ainda dá para enganar o estômago até a próxima refeição, mas é preciso pesquisar, contar as moedas e, se possível, deixar alguns trocados no bolso para a próxima fome.
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