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Sabor

Com apenas cincão no bolso, o que ainda dá para comer no Centro?

Refeição por R$ 5 revela sufoco de quem vende e de consumidores que precisam economizar

Por Amanda Ferreira | 02/09/2026 05:32
Com apenas cincão no bolso, o que ainda dá para comer no Centro?
No vai e vem do Centro de Campo Grande, encontrar algo para comer e beber por R$5 exige muita pesquisa (Foto: Juliano Almeida))

Quem passa pelo Centro de Campo Grande com fome e apenas R$ 5 no bolso (e no pix) provavelmente já se perguntou: “O que dá para comer com esse dinheiro?” Foi atrás dessa resposta que o Lado B saiu pelas ruas da região central e passou duas horas procurando opções que coubessem no famoso “cincão”.

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No Centro de Campo Grande, ainda é possível encontrar opções de alimentos por R$ 5, mas a busca exige pesquisa. No Rei dos Pastéis e na Barão Pastéis, pastéis e café com pão de queijo cabem no orçamento. Porém, comerciantes como Nilson Fernandes, do Só Empadas, e Irene Bento, vendedora de churros, explicam que os custos dos ingredientes dificultam manter preços baixos, revelando o desafio diário de equilibrar acessibilidade e sustentabilidade financeira.

A busca mostrou que ainda é possível encontrar algo para matar a fome sem gastar muito, mas também revelou a realidade de comerciantes que precisam driblar os custos dos ingredientes para manter preços baixos e consumidores que chegam ao balcão contando moedas para conseguir completar o valor do lanche.

Com apenas cincão no bolso, o que ainda dá para comer no Centro?
O estabelecimento ainda oferece combos com dois pastéis por R$ 10 (Foto: Amanda Ferreira)

Na região central de Campo Grande, o Rei dos Pastéis, na Rua 14 de Julho, nº 1803, em frente à Praça Ary Coelho, está há dois anos sob o gerenciamento de Vinícius Simões. O empreendimento passou por mudanças desde o início e, com o tempo, ampliou as opções oferecidas aos clientes. Entre os destaques estão os pastéis, a R$ 5,00, e a cueca virada, por R$ 1,00. Para acompanhar, também há bebidas em versões menores, como os refrigerantes em tamanho mini por R$ 4,00.

Com opções que cabem no bolso de quem tem poucos reais para gastar, o estabelecimento reúne salgados, bebidas e doces a preços variados. Na Barão Pastéis & Cia, na Rua Barão do Rio Branco, segundo a vendedora Eliane Vanil, é possível montar um lanche completo com R$ 5, escolhendo entre pastel de carne, frango ou queijo, salgados de diversos tipos, pão de queijo, café e bebidas em versões menores.

Com apenas cincão no bolso, o que ainda dá para comer no Centro?
Quando o Lado B chegou para entrevistar os responsáveis, a banca de salgados da Barão Pastéis e Cia já estava com poucas opções (Foto: Amanda Ferreira)

“O pastelzinho de carne, frango ou queijo custa R$4, assim como os salgados. O pão de queijo sai por R$ 2 e o cafezinho, R$2. Também temos Coca-Cola Mini por R$4, água com ou sem gás por R$4 e docinhos por R$3. Com R$5, dá para tomar um café com pão de queijo e ainda sobra R$1”, explica Eliane.

Para juntar as moedinhas -  Com o fim da tarde se aproximando, a missão de encontrar opções por até R$ 5 ficou mais difícil para a equipe do Lado B. Muitos estabelecimentos já estavam fechando as portas e, entre os que ainda funcionavam, os preços começavam acima desse valor: casquinhas a partir de R$ 6, salgados por R$ 8 e açaí na versão menor também na faixa dos R$ 8. Diante do cenário, a reportagem aproveitou para perguntar aos comerciantes por que é tão difícil manter opções de R$ 5.

Com apenas cincão no bolso, o que ainda dá para comer no Centro?
Na portinha ao lado da Riachuelo, a Só Empadas está no Centro há 13 anos (Foto: Amanda Ferreira)

No Só Empadas, há 13 anos, Nilson Fernandes mantém um ponto de venda no Centro de Campo Grande, que ele chama de “98 centímetros de alegria”. No espaço, oferece empadas de 4 sabores: frango, frango com catupiry, palmito e frango com palmito, além de coxinha de massa de mandioca, saltenha, refrigerantes e água. As empadas custam R$ 6, valor que, segundo ele, poderia ser menor se produzissem os próprios salgados.

“As empadas custam R$6 e eu gostaria muito de conseguir vender por R$ 5. Mas eu compro para revender, não sou fabricante. Fazer a própria massa e ter o segredo do tempero é um dom, e eu não tenho. Então, para mim, fica difícil baixar mais o preço”.

Há anos, Irene Bento, de 58 anos, trabalha com a venda de churros recheados em frente à loja Marisa, na Rua Dom Aquino, e mantém o preço de R$ 7 como uma forma de continuar atendendo os clientes mesmo com o aumento dos custos. No cardápio, há sabores como doce de leite, chocolate e biscoito, além do churro tradicional. Segundo ela, o valor já está abaixo do que os gastos com os ingredientes permitem, mas a realidade financeira dos consumidores pesa na decisão de não reajustar o preço.

Com apenas cincão no bolso, o que ainda dá para comer no Centro?
Irene conta que não consegue baixar o preço dos churros, pois já os vende por um valor abaixo do que gostaria (Foto: Amanda Ferreira).

“As coisas subiram muito e, pelo custo dos ingredientes, o churro já está desatualizado nesse preço. Mesmo assim, estou tentando segurar os R$ 7 porque está difícil para todo mundo e a cidade está sem dinheiro. Hoje, por R$ 5, você quase não encontra mais nada. Eu procuro fazer um produto de qualidade, bem caprichado, e manter esse valor enquanto ainda consigo”.

Com R$ 5, ainda dá para enganar o estômago até a próxima refeição, mas é preciso pesquisar, contar as moedas e, se possível, deixar alguns trocados no bolso para a próxima fome.

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