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Campo Grande, Terça-feira, 21 de Agosto de 2018

06/04/2018 09:13

Da batata ao bolo de carne, lanchonete na Bandeirantes tem tradição de gerações

Batata Lanches é famosa pelo bolinho de carne e o segredo está na massa que leva pão

Guilherme Henri
Batata Lanches fica na avenida Bandeirantes (Foto: Saul Schramm)Batata Lanches fica na avenida Bandeirantes (Foto: Saul Schramm)

O cheiro inconfundível de fritura pode ser sentido de longe. Ele sai do lugar de faixada simples na avenida Bandeirantes, com bancos antigos de assento de plástico, que rodeiam um balcão de mármore claro. A estufa à frente já mostra a especialidade da casa: salgados, todos fritos. Mas, é a tradição de quem começou fritando batatas há 48 anos em Campo Grande que dá o verdadeiro sabor nas receitas que passaram de pai para filho.

A história começou com os pais de Henrique Ishii, imigrantes que vieram do Japão para o Brasil. O casal fez de Campo Grande morada, mas precisava ganhar o sustento e viu a oportunidade na batata frita.

Não é preciso muito esforço aos mais velhos para lembrar daquelas batatinhas bem fininhas, que a maioria gostava de servir junto ao tradicional bobó. O casal, já com filhos, vendia de porta em porta e depois também nos bares da cidade.

Bety Geize Arakaki Ishii ao lados das famosas batatinhas (Foto: Saul Schramm)Bety Geize Arakaki Ishii ao lados das famosas batatinhas (Foto: Saul Schramm)
Coxinhas de mandioca e bolinhos de carne (Foto: Saul Schramm)Coxinhas de mandioca e bolinhos de carne (Foto: Saul Schramm)

Em 1986, os dois resolveram apostar no salão, montado na frente da própria casa, na avenida que estava longe de ser tornar o que é hoje, rodeada de comércios. E a escolha do nome do lugar não poderia ser outra: Batata Lanches.

O negócio sempre foi tocado em família. Então, logo Henrique passou a dominar o estilo e as receitas da desejada coxinha de mandioca, dos espetinhos fritos e do que hoje é marca registrada do Batata Lanches: o bolinho de carne.

Os ponteiros do relógio giraram e os pais de Henrique resolveram passar a fritadeira ao filho, que então era casado com Bety.

Servindo salgados, refrigerantes e sempre com um largo sorriso, Bety conta que o lugar é o mesmo de 33 anos atrás, quando abriu como lanchonete. “Eu não sei como este chão ainda não furou”, brinca. E não foi preciso muito tempo no lugar para entender do que ela fala.

Bety servindo clientes com sorriso no rosto (Foto: Saul Schramm)Bety servindo clientes com sorriso no rosto (Foto: Saul Schramm)

O entra e saí de pessoas de todas as idades no lugar é espantoso. E o mais difícil para quem pede é ficar apenas em um salgado. Henrique conta que não há segredo. Tudo é feito como se fosse para ele mesmo comer. “A medida é que não há medida”, afirma.

As mãos do cozinheiro viram balança e ao mesmo tempo zelam pelos salgados que estão na fritadeira. Parece até impossível, mas todos os salgados ficam corados igualmente. E podem acreditar, Henrique chega a fazer até 500 salgados por dia.

Além da esposa, ele também conta com a ajuda de Caio e Caique, que assim como ele já estão aprendendo “as manhas” do negócio da família.

Bolinho – No Batata Lanches você encontra a tradicional coxinha de mandioca, o espetinho frito, pastel, kibe e o kibe de ovo. Porém, é o bolinho de carne que faz sucesso na freguesia.

Clientes Maria José e Mansueto (Foto: Saul Schramm)Clientes Maria José e Mansueto (Foto: Saul Schramm)

Bety revela o segredo: a receita foi inventada pelo sogro. Ao olhar o bolinho na estufa já é fácil entender a diferença. “Na massa colocamos pão. É algo inusitado, mas que faz toda a diferença. Não empanamos os bolinhos, eles vão da mão que os modela para a fritadeira”, detalha.

Cliente há 20 anos, o representante comercial Mansueto Martins, 52 anos, não deixa de comer um salgado ou dois sempre que pode. “É bom demais e não muda”, garante.

Opinião compartilhada pela copeira Maria José, 59 anos, que chega a mudar de rota para conseguir comer no lugar. “Entre um ônibus e outro é aqui que eu paro. Os salgados são sequinhos, o tempero é sem igual e não é gorduroso”, descreve o bolinho de carne em mãos.

Henrique Ishii fritando salgados (Foto: Saul Schramm)Henrique Ishii fritando salgados (Foto: Saul Schramm)

Batata – Mas, nem tudo foi só alegria. Bety conta que em 2013 os negócios foram colocados na balança e eles tiveram que admitir que a batata frita outrora tão desejada perdeu o posto para os salgados fritos da lanchonete. “Vendemos a máquina, mas não abandonamos a raiz. Fazemos questão de comprar para vender aqui o que um dia tornou tudo possível”, diz.

O Batata Lanches fica na avenida Bandeirantes, uma quadra antes de chegar na Salgado Filho. O lugar abre logo quando o galo canta, às 6h30 e funciona de segunda a sábado. O preço dos salgados não foge da margem do Centro, R$ 4 cada. Mas, atenção, quem pretende ir ao local deve levar “dinheiro vivo”, pois como nada foi mudado desde sua abertura, o lugar não aceita cartão de crédito ou débito.

 



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