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Meio Ambiente

Até agora, nenhum município notificou Estado sobre falta de água

Maior crise hídrica dos últimos 91 anos tem afetado fornecimento de água e a geração de energia em todo País

Por Guilherme Correia e Gabriela Couto | 02/09/2021 09:48
Meses de seca, em meados de setembro, podem comprometer o fornecimento de água. (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)
Meses de seca, em meados de setembro, podem comprometer o fornecimento de água. (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)

Ainda que municípios tenham recebido alerta sobre falta de água, por conta da escassez hídrica vivida pelo Brasil, tanto a Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul), que atende 68 municípios de Mato Grosso do Sul, quanto o governo estadual, a respeito das outras 11 cidades, afirmam que nenhum lugar teve racionamento do recurso, até esta quinta-feira (2).

Os municípios que não são atendidos pela concessionária, segundo o secretário da Seinfra (Secretaria Estadual de Infraestrutura), Eduardo Riedel, não informaram nenhum tipo de problema hídrico ao executivo estadual. Ainda assim, ele alerta para os perigos deste período.

Não recebemos solicitação dos 11 municípios que têm serviço autônomo. Estamos à disposição para apoiar e ajudar os sul-mato-grossenses que vivem nesses municípios", afirma Riedel.

"Há um receio muito grande não só da escassez de água, direta, para uso, como também da energia. São dois insumos básicos para a sociedade, que nos preocupam nesse momento", disse Riedel em coletiva, quando questionado sobre o assunto.

Ele também mencionou que a redução do ICMS para a bandeira vermelha da energia foi feita para suavizar os preços para a população.

"Já tivemos uma crise hídrica com perfuração de poços, novos ativos, para garantir onde ela opera, a normalidade do fornecimento, apesar de toda a dificuldade. Mas em relação a energia, não depende apenas do Estado", finaliza.

Segundo a Águas Guariroba, especificamente, que atende Camp Grande, o serviço de abastecimento de água em em funcionamento normal em todas as regiões. "Porém, com o cenário da estiagem se estabelecendo em altas temperaturas e baixa umidade relativa do ar, a concessionária reforça a importância do consumo consciente da água evitando o desperdício".

Crise hídrica - O próprio Estado informou que se vê obrigado a adotar medidas para evitar o desabastecimento de água em várias cidades, sobretudo aquelas que captam o recurso de rios, segundo o titular da Semagro (Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar), Jaime Verruck.

Em reunião virtual do CERH (Conselho Estadual de Recursos Hídricos), Verruck disse que há plano de contingenciamento para trazer outros caminhos. Ladário, por exemplo, caso não haja capacidade de captar água do Rio Paraguai, haverá sistema de bombeamento alternativo, assim como Corumbá e Porto Murtinho.

Segundo a fiscal ambiental do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), Elisabeth Arndt, metade dos grandes reservatórios de água da Bacia do Rio Paraná apresentam o pior nível dos últimos 22 anos, e os demais, se distribuem entre o terceiro, quarto e quinto lugares.

Segundo o Monitor de Secas, serviço disponibilizado pela ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), todo território sul-mato-grossense estava, em julho, em situação de seca grave, moderada e extrema. “Mesmo se tivéssemos chuvas normais para o período - mas a indicação é que ficarão abaixo da média -  a recomposição se daria muito lentamente”, disse.

No mês retrasado, foi verificado redução do nível dos rios em Mato Grosso do Sul.
No mês retrasado, foi verificado redução do nível dos rios em Mato Grosso do Sul.

“Estamos passando por uma crise hídrica que poderá levar a região e o país a um apagão de energia elétrica, caso a estiagem se estenda e a próxima estação chuvosa não recupere os níveis dos reservatórios", afirmou Verruck. “Todos os outros usos múltiplos serão suspensos. Isso já é uma diretriz, considerando os riscos que temos”, completou, caso a situação se agrave, e a priorização aconteça apenas para a geração de energia elétrica.

Também demonstrou preocupação com a solução que, normalmente, é tomada nesses casos de crise hídrica: a abertura de poços profundos para extrair água do aquífero. “Normalmente, esse é o movimento”.  Verruck salienta que “não há uma solução a curto prazo. Os contratos para geração de energia elétrica através das termelétricas estão feitos já para março do ano que vem”, e que o uso racional dos recursos hídricos é imprescindível nesse momento.

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