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Meio Ambiente

Bacia do Taquari ganha 721 km de barreiras para conter perda de solo

Intervenções protegem 3,1 mil hectares e buscam reduzir sedimentos levados aos rios

Por Gustavo Bonotto e Kamila Alcântara, enviada especial a Aquidauana | 03/07/2026 19:21
Bacia do Taquari ganha 721 km de barreiras para conter perda de solo
Bacia do Rio Taquari, que passa por Coxim. (Foto: Arquivo/Silvio de Andrade)

A implantação de 721,8 quilômetros de terraços passou a proteger 3.118 hectares de áreas cultiváveis contra a erosão em quatro municípios de Mato Grosso do Sul entre 2022 e 2025. Os dados, divulgados pelo Instituto Taquari Vivo nesta sexta-feira (3), medem ações executadas em Coxim, Bonito, Figueirão e Alcinópolis para conter a perda de solo na parte alta da Bacia do Taquari.

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Entre 2022 e 2025, foram implantados 721,8 quilômetros de terraços em quatro municípios de Mato Grosso do Sul, protegendo 3.118 hectares contra erosão na Bacia do Taquari. O projeto Prosolo também recuperou 67,4 quilômetros de estradas rurais. Paralelamente, a Rede de Sementes Flor do Cerrado reúne mais de 100 coletores de sementes nativas, majoritariamente mulheres de comunidades quilombolas, gerando renda e abastecendo projetos de restauração ambiental no Cerrado.

No mesmo período, o projeto recuperou ou readequou 67,4 quilômetros de estradas rurais e vicinais. As intervenções fazem parte do Prosolo e buscam reduzir o volume de terra carregado pela chuva até córregos e rios, além de preservar pastagens, lavouras e vias usadas no escoamento da produção.

Os terraços são barreiras construídas no terreno para diminuir a velocidade da água. Quando a chuva escoa sem obstáculos, a enxurrada arrasta a camada superficial do solo, onde se concentram nutrientes importantes para a produção. Com as estruturas, parte da água fica retida ou perde força antes de abrir erosões.

Na Bacia do Taquari, o problema ultrapassa os limites das propriedades rurais. O solo levado das áreas mais altas pode alcançar a rede de drenagem e se acumular nos rios. Esse processo contribui para o assoreamento e afeta o caminho da água até a planície pantaneira.

Por isso, a estratégia concentra esforços antes que os sedimentos desçam pela bacia. A lógica combina conservação dentro das propriedades e correção de trechos de estradas que podem funcionar como corredores para enxurradas.

As ações foram executadas entre 2022 e 2025. Em 2024, o programa passou a integrar uma política estadual sob gestão da Semadesc (Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).

Bacia do Taquari ganha 721 km de barreiras para conter perda de solo
O diretor-executivo do Instituto Taquari Vivo, Renato Roscoe, durante a apresentação de dados no Pantanal Tech. (Foto: Reprodução)

Sementes viram renda - Outro projeto apresentado no Pantanal Tech reúne mais de 100 coletores de sementes nativas em Mato Grosso do Sul. Segundo o Instituto Taquari Vivo, a maioria é formada por mulheres de comunidades quilombolas e assentamentos rurais.

Criada em 2022, a Rede de Sementes Flor do Cerrado atua em Figueirão, Sidrolândia, Nioaque e Corguinho. Os participantes coletam sementes de espécies nativas que depois abastecem projetos de recuperação da vegetação.

O modelo liga conservação ambiental e geração de renda. As famílias recebem pela atividade extrativista, enquanto o material coletado segue para ações de restauração em áreas consideradas importantes para a ligação entre remanescentes de vegetação nativa.

As sementes abastecem trabalhos nos corredores de biodiversidade Figueirão/Rio Negro/Jaraguari e Miranda/Bodoquena. A rede resulta de parceria entre o Instituto Taquari Vivo, o WWF-Brasil e a Associação de Restauração Ecológica e Inclusão Social.

Para o diretor-executivo do Instituto Taquari Vivo, Renato Roscoe, o encontro permite colocar diferentes setores na mesma discussão sobre o futuro do bioma. “Precisamos de todos os atores presentes na discussão, estimulando a troca e a difusão de conhecimento”, afirmou.