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Meio Ambiente

Embrapa descobre nova espécie de tuvira, peixe 'isca' dos ribeirinhos

Pesquisa indica que legislação estadual está desatualizada

Por Izabela Sanchez | 16/09/2017 08:03
As três espécies de Tuvira utilizadas pelos ribeirinhos do pantanal
As três espécies de Tuvira utilizadas pelos ribeirinhos do pantanal

O uso de algumas espécies de peixes do pantanal como iscas vivas, pelos ribeirinhos, não corresponde mais ao que disciplina a legislação estadual. É o que aponta uma pesquisa da Embrapa Pantanal, que afirma, ainda, que a legislação ambiental de Mato Grosso do Sul pode estar desatualizada. A pesquisa foi publicada na revista Zebrafish, dos Estados Unidos. A Embrapa descobriu que são comercializadas três espécies diferentes de Tuvira na região para serem utilizadas como isca.

A legislação de Mato Grosso do Sul, resolução n. 3 de 28/02/2011 da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, no entanto, fala de somente duas espécies: Gymnotus paraguaensis e a Gymnotus inaequilabiatus, as únicas permitidas para utilização. As espécies como as Tuviras correspondem a mais de 50% das iscas comercializadas, segundo a assessoria da Embrapa.

Genética

O estudo tem parceria com a UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso), e diferente do que regulamenta a lei, os pesquisadores identificaram que os ribeirinhos utilizam três espécies diferentes: Gymnotus paranguaensis (prevista na legislação), a Gymnotus pantanal e a Gymnotus sylvius.

"Em três anos de coleta da pesquisa em comunidades ribeirinhas, a Gymnotus inaequilabiatus não apareceu nos estoques separados para venda pelos pescadores profissionais, o que não significa que ela não ocorra no Pantanal", explica a assessoria de imprensa da Embrapa.

Pesquisadora, Débora Karla Silvestre Marques relata que o grupo de pesquisa acreditou, inicialmente, que haviam 7 espécies diferentes, em razão das cores apresentadas pelos peixes.

“Não há apenas as duas descritas na legislação nem as sete que eles imaginavam. O estudo comprova que há três espécies sendo comercializadas”, declarou.

Segundo a Embrapa, o artigo publicado explica a diferença genética de cada uma das três espécies identificadas. "A avaliação do cariótipo indica que cada uma delas tem diferentes tipos de cromossomos, tanto em quantidade como em tamanho e estrutura de diferenciação sexual. A variabilidade genética está sendo estudada pelo mestrado da UFMT", comenta.

“A ferramenta transcende a análise genética. Além da informação sobre a qualidade genética daquela espécie, poderemos inferir sobre a sustentabilidade da atividade econômica ao longo do rio Paraguai, dentro do Mato Grosso do Sul", comentou a pesquisadora.

Mapeamento

As informações da pesquisa serão sintetizadas em um mapeamento da produção de iscas nas comunidades envolvidas, que pretende mostrar aos ribeirinhos as espécies e as diferenças entre elas.

Conforme a Embrapa, a espécie Gymnotus sylvius, encontrada na pesquisa, nunca tinha sido registrada no Pantanal. Uma das hipóteses levantadas, aponta a pesquisadora, é que a espécie tenha sido introduzida através de estoques de iscas vivas compradas em outros estados e trazidos à região para pesca.

"A Gymnotus paraguaensis apareceu em maior quantidade. Assim, já se sabe que não se trata de uma exploração homogênea, o que deve requerer políticas públicas igualmente adaptadas à ocorrência de cada espécie", explica a Embrapa.

As tuviras são peixes elétricos, mas as descargas que produzem não tem grande intensidade e não são percebidas pelos seres humanos. "Esses animais têm capacidade de gerar e receptar pulsos elétricos com frequências diferentes, porém específicas, uma vez que as frequências dos pulsos elétricos são diferentes para cada espécie", afirma a Embrapa.

A Embrapa explica que os pequenos choques, na verdade, são emitidos todo tempo para orientação especial das tuviras, em especial para caça e reconhecimento de parceiros na hora da reprodução, o que evita o surgimento de híbridos e de acasalamentos não aproveitáveis.

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