Fissuras e falhas na drenagem aparecem 6 meses após inauguração de ponte
Relatório que aponta falhas ambientais na MS-382 e ausência de documentação exigida virou investigação

Irregularidades identificadas em fiscalização ambiental motivaram o MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) a instaurar inquérito civil para apurar possíveis falhas na obra de pavimentação da Rodovia MS-382, na ponte sobre o Córrego Seco, em Bonito, famoso destino do ecoturismo no Estado. O procedimento foi tornado público por edital da 2ª Promotoria de Justiça do município e abrange a obra de pavimentação que foi entregue no ano passado.
RESUMO
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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul instaurou inquérito civil para investigar falhas na pavimentação da rodovia MS-382 e na ponte sobre o Córrego Seco, em Bonito. Vistorias do Imasul identificaram fissuras precoces na estrutura e ausência de dispositivos de drenagem, o que causa o escoamento de sedimentos diretamente no leito hídrico. O órgão aponta descumprimento do projeto técnico e riscos ambientais ao Rio Formoso, exigindo explicações da Agesul sobre as medidas corretivas.
Entre as irregularidades constatadas pela vistoria do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), os fiscais identificaram fissuras lineares na estrutura da ponte, consideradas “incomuns para uma obra com cerca de 6 meses de uso”, conforme consta no relatório. A manifestação técnica aponta que as fissuras podem estar relacionadas a movimentações naturais da estrutura, variações de temperatura e umidade ou eventuais falhas construtivas, recomendando avaliação especializada por engenheiros com experiência em pavimentação.
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Outra falha, segundo o Imasul, é a ausência de dispositivos essenciais de drenagem em um dos sentidos da via, como canais, sarjetas e bueiros. Segundo o relatório entregue ao MPMS, a falta dessas estruturas compromete a estabilidade do pavimento e favorece o escoamento de água e sedimentos diretamente para o córrego, contribuindo para o assoreamento e possíveis impactos na microbacia do Rio Formoso, um dos principais rios turísticos de Bonito.
O documento também aponta que o projeto técnico de manejo e conservação do solo e da água, aprovado anteriormente, não foi cumprido integralmente. Além disso, não houve apresentação do Relatório Técnico de Conclusão da obra, exigido após a execução dos serviços.
No documento apresentado ao MPMS, consta ainda que a licença emitida, em 2024, autorizava a pavimentação asfáltica da rodovia, conhecida como Rodovia do Turismo, no trecho entre Bonito e a Serra da Bodoquena, com extensão de 46,90 quilômetros. O licenciamento também previa a construção da ponte sobre o Córrego Seco com dimensões de 30 metros por 10 metros, em concreto armado pré-moldado, além da implantação de sistema de macrodrenagem e passagem de fauna.
A apuração teve início em 20 de outubro de 2025, após denúncia sobre possíveis danos ambientais relacionados à pavimentação da rodovia, que foi feita ainda em 2025, conforme o relatório. O MPMS solicitou informações ao Imasul, que realizou vistorias nos dias 17 de novembro, 3 e 5 de dezembro do ano passado. A análise técnica, entregue em janeiro de 2026 ao Imasul, apontou falhas consideradas relevantes e indicou necessidade de providências por parte da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), que foi notificada pelo Imasul a tomar providências.
Diante das constatações, o Imasul notificou a Agesul para promover a regularização documental e executar as intervenções necessárias. Com base nessas informações, o MPMS instaurou o inquérito civil para verificar se as determinações foram cumpridas e se foram adotadas medidas corretivas.
No procedimento, o Ministério Público solicitou esclarecimentos sobre a apresentação do Relatório Técnico de Conclusão, a execução das obras de drenagem previstas, a adoção de eventuais medidas sancionatórias e a situação atual da estrutura da ponte e do sistema de drenagem.
Posição da Agesul - A Agesul informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que as medidas citadas tratam do cumprimento de condicionantes ambientais da obra da MS-382, incluindo a apresentação de relatório técnico. Segundo a agência, não há dano ambiental severo, mas ações preventivas, e as adequações estão em processo de regularização e planejamento, já que parte dos serviços não estava prevista no escopo original. A Agesul acrescentou que segue adotando providências para atender às exigências ambientais.
Segue a nota na íntegra:
"A Agesul informa que as medidas citadas referem-se ao cumprimento de condicionantes ambientais, incluindo a apresentação de relatório técnico da MS-382. Ressalta que, conforme o próprio Ministério Público, não se trata de situação de dano ambiental severo, mas de ações preventivas. As adequações necessárias já estão em processo de regularização e planejamento, uma vez que parte dos serviços não constava no escopo original contratado. A Agência segue adotando as providências para o atendimento integral das exigências ambientais, em alinhamento com os órgãos competentes."
A reportagem procurou o Imasul, mas não houve retorno até o fechamento. O espaço permanece aberto para manifestação.
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