Paraguai alerta para risco grave em peptídeos e anabolizantes ilegais
Autoridade sanitária do país vizinho identificou emagrecedores e injetáveis para performance física

O governo do Paraguai emitiu alerta sanitário sobre a comercialização irregular de medicamentos à base de peptídeos e análogos hormonais (anabolizantes) vendidos na fronteira com o Brasil. A Dinavisa (Direção Nacional de Vigilância Sanitária) classificou o caso como de “risco grave” à saúde pública e determinou a suspensão imediata do uso dos produtos, usados para emagrecimento, ganho de massa muscular e melhora da performance física.
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Segundo o órgão paraguaio, os medicamentos não possuem registro sanitário no país e os fabricantes declarados também não estão autorizados a produzir, importar ou distribuir os itens no país vizinho. Entre as marcas citadas estão USA Peptides, Biogenesis, Synedica – Alluvi Healthcare, Oxigen e Veltrane.
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O alerta foi divulgado após a identificação da venda dos produtos na região de fronteira com Mato Grosso do Sul, conhecida pela intensa circulação de brasileiros em busca de medicamentos e suplementos.
Na lista de irregulares da Dinavisa estão o GLOW GHK-CU (Karytirzefit), CJC 1295 Without DAC + Ipamorelin, SS-31, Ipamorelin, TB-500, PT-141, Retatrutide Injection, Retagen 40 MG e Veltrane Gold – Retatrutide. Os itens são comercializados em forma de solução injetável, pó para preparação de injeções e até em canetas aplicadoras.
Um deles, o Veltrane Gold – Retatrutide, por exemplo, traz na embalagem a inscrição "produced in Belgium", mas se trata de uma estratégia comercial enganosa para passar uma falsa imagem de qualidade, segurança e sofisticação, já que a produção é clandestina.
No comunicado oficial, a autoridade sanitária afirma que não é possível garantir “composição, qualidade, segurança e eficácia” dos produtos. O órgão também alerta para o risco de substâncias não declaradas, concentrações incorretas e efeitos adversos graves, inclusive com ameaça à vida dos consumidores.
O órgão sanitário paraguaio orientou a população a não comprar medicamentos sem registro sanitário, principalmente os vendidos em redes sociais e plataformas de livre comércio. O órgão recomendou ainda que consumidores interrompam imediatamente o uso dos produtos citados.
No alerta, a Dinavisa reforça que a legislação paraguaia proíbe a comercialização de produtos falsificados, vencidos, sem autorização sanitária ou introduzidos ilegalmente no país.
Por aqui – Não é novidade que Mato Grosso do Sul é uma das principais portas de entrada desses produtos. No dia 20 de abril, a reportagem do Campo Grande News mostrou que apreensões de medicamentos para emagrecimento enviados pelos Correios, muitos deles oriundos do Paraguai, já somavam uma tonelada.
Ampolas de emagrecedores, anabolizantes e peptídeos são enviadas para todo o país escondidas em bonecas, sanduicheiras e air fryers, garrafas térmicas, livros e até frascos de creme para cabelo. A Vigilância Sanitária já encontrou de tudo na Central de Triagem e Distribuição dos Correios em Campo Grande em operação permanente para coibir o contrabando das “drogas da vez”.
O gerente do Sistema Estadual de Vigilância Sanitária, Matheus Pirolo, afirma que os produtos listados pela Dinavisa, assim como os emagrecedores, são comercializados pela internet com “disfarce” de legais. “Negociam no Mercado Livre com produtos fakes, em códigos. As redes sociais sabem quando o medicamento é irregular e punem o anunciante. Então, usam códigos para anunciar e faturar sobre produto ‘lícito’, por exemplo”.
No Estado, a Vigilância Sanitária também está de olho nos despachos feitos por transportadoras. “Assim encurralamos para que façam o trânsito da mercadoria ilícita nas estradas, que é onde serão pegos em flagrante pelas forças de segurança pública e pela Receita Federal. Enquanto isso, a Dinavisa está cooperando para o enfrentamento dos produtos que são irregulares em ambos os países, tais como o retatrutida e a tirzepatida falsificada”.
E os números de apreensões já subiram em relação a abril. “Já foram 26.031 itens recolhidos até a presente data, nos Correios, e medicamentos emagrecedores, anabolizantes e produtos fumígenos”, completa Matheus.
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