Menos água no Rio Paraná: usina reduz vazão para enfrentar período de seca
Porto Primavera na divisa de MS reduz vazão para evitar pressão no sistema elétrico nacional

A partir desta quarta-feira (20), a vazão mínima liberada pela Usina Hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta, conhecida como Porto Primavera, começará a ser reduzida gradualmente no Rio Paraná. A medida foi determinada pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) como estratégia para preservar os níveis dos reservatórios da bacia do Paraná diante da aproximação do período de estiagem.
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A vazão mínima da Usina Hidrelétrica Porto Primavera, no Rio Paraná, será reduzida de 4.600 para 3.900 metros cúbicos por segundo a partir desta quarta-feira (20), por determinação do Operador Nacional do Sistema Elétrico. A medida preventiva visa preservar os reservatórios da bacia diante do período de estiagem. A CESP manterá monitoramento ambiental com biólogos, técnicos e drones no trecho entre Porto Primavera e a foz do Rio Ivinhema.
A usina, localizada na divisa entre Mato Grosso do Sul e São Paulo, é considerada uma peça importante do sistema hidrelétrico nacional. Porto Primavera é a penúltima de uma sequência de 19 hidrelétricas com reservatório em operação na bacia do Rio Paraná. A redução também deverá ocorrer na UHE Jupiá, seguindo diretrizes do sistema elétrico brasileiro.
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Pela determinação operacional, a vazão mínima defluente será reduzida dos atuais 4.600 metros cúbicos por segundo para 3.900 m³/s. A alteração será feita de forma gradual e controlada, acompanhada diariamente pelo setor elétrico e pelos órgãos ambientais.
A decisão ocorre em meio à preocupação com a chegada do período seco, tradicionalmente marcado pela queda no volume de chuvas e redução da capacidade de recuperação dos reservatórios. O objetivo é evitar pressão sobre o sistema energético nacional e garantir armazenamento suficiente para os próximos meses.
Segundo o gerente do Centro de Operações da CESP, Paulo Rodrigues Souza, a medida é preventiva e faz parte do planejamento nacional de segurança energética.
“A redução controlada da vazão é uma medida preventiva e necessária diante da chegada do período seco. O objetivo é preservar os níveis dos reservatórios e garantir segurança energética para o país nos próximos meses, especialmente em um cenário de menor volume de chuvas”, afirmou.
Mesmo com a diminuição da vazão, a companhia afirma que manterá um plano especial de monitoramento ambiental aprovado pelo Ibama. As ações se concentram no trecho do Rio Paraná entre a jusante de Porto Primavera e a foz do Rio Ivinhema, uma das áreas ambientalmente mais sensíveis da região.
O acompanhamento inclui equipes embarcadas com biólogos e técnicos especializados para monitorar a qualidade da água, o comportamento dos peixes e possíveis impactos ambientais causados pela redução do fluxo do rio. Também estão previstos trabalhos de resgate de peixes, caso haja necessidade.
Drones serão utilizados nas áreas de difícil acesso para ampliar a fiscalização e a coleta de dados ambientais ao longo do período operacional.
Para o gerente de Sustentabilidade da companhia, Odemberg Veronez, o monitoramento ambiental será mantido em paralelo à operação energética.
“A flexibilização da vazão ocorre paralelamente a um plano robusto de monitoramento ambiental, construído para preservar a fauna aquática e acompanhar continuamente as condições do rio durante todo o período operacional”, destacou.
A expectativa é que os níveis anteriores de vazão sejam retomados conforme a evolução das condições climáticas, hidrológicas e do armazenamento dos reservatórios do Sistema Interligado Nacional.

