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Meio Ambiente

Pesquisador sugere que MS lidere criação de métricas para "economia verde"

Ao questionar palestrante doutor em Direito e Bioeconomia, Eduardo Riedel foi provocado a ser protagonista

Por Gabriela Couto | 01/04/2024 12:45
Doutor e mestre em direito pela Universidade de Harvard, Daniel Vargas, abriu o Fórum Estadual de Mudança Climática, com palestra Transição Climática e Conversão do Verde em Valor’ (Foto: Paulo Francis)
Doutor e mestre em direito pela Universidade de Harvard, Daniel Vargas, abriu o Fórum Estadual de Mudança Climática, com palestra Transição Climática e Conversão do Verde em Valor’ (Foto: Paulo Francis)

Interessado em colocar Mato Grosso do Sul como pioneiro na questão da sustentabilidade e se tornar Estado Carbono Neutro até 2030, o governador Eduardo Riedel (PSDB) ouviu atentamente a palestra do pesquisador e coordenador do Observatório de Bioeconomia da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Daniel Vargas, na manhã desta segunda-feira (1º), no Sebrae.

Durante a explicação sobre ‘Transição Climática e Conversão do Verde em Valor’, o doutor e mestre em direito pela Universidade de Harvard explicou que o processo de descarbonização do Planeta passa por quatro pilares: agricultura, pecuária, transporte e comércio.

Após dar exemplos práticos sobre os temas, o palestrante mostrou os problemas das métricas utilizadas pelos países do norte e que se globalizaram, deixando desigual a conversão verde.

Ao explicar a conversão verde da pecuária especialista explicou que se por um lado o boi emite metano, por outro faz o sequestro: "Balanço é decisivo para qualidade de produção" (Foto: Paulo Francis)
Ao explicar a conversão verde da pecuária especialista explicou que se por um lado o boi emite metano, por outro faz o sequestro: "Balanço é decisivo para qualidade de produção" (Foto: Paulo Francis)

“A única chance de o mundo concluir a transição verde é ajustar e tropicalizar as métricas das realidades do mundo do norte com os demais países. Precisamos mudar a maneira como faz o balanço econômico das atividades. Para medir e qualificar com precisão.”

Desta forma, ele sugeriu três tarefas prioritárias: criar uma base nacional de referências métricas para referenciar cada hectare do país, abraçar outra forma de diplomacia e participar com altivez das discussões.

Riedel questionou o palestrante sobre ‘até que ponto é preciso mudar internamente para fortalecer a geopolítica?’. Para Daniel, a resposta está na iniciativa lideradas por projetos dos estados.

Não é o melhor caminho esperar soluções de Brasília (DF). Se olhar para a história do país, quase, o Governo Federal aprende com as melhores experiências, sistematiza e generaliza aquilo que dá certo. Mato Grosso do Sul pode e deve ser uma liderança nesse campo de criar bases de produção tropical brasileira e apresentá-las ao mundo, como referência que o mundo deve abraçar. Não que sejamos contra eles, é que para o restante do planeta também faça sua transição verde, eles precisam abraçar os dados referenciais que temos”.

Pesquisador e coordenador do Observatório de Bioeconomia da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Daniel Vargas (Foto: Paulo Francis)
Pesquisador e coordenador do Observatório de Bioeconomia da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Daniel Vargas (Foto: Paulo Francis)

O doutor afirma que o embrião de boa ciência, dados e projetos já existem no Brasil. “São inúmeros pesquisadores da Embrapa, que já possuem referenciais de qual é a qualidade de produção sustentável. Precisamos aliar esse conhecimento científico disperso com diplomacia centralizada. Com uma base nacional. Utilizar como plataforma para negociar lá fora esses referenciais. Equipar, fortalecer essa liderança e iniciativa para chegar nas mesas de negociação e combater preconceitos com conhecimento”.

Programação – A palestra de Daniel abriu o Fórum Estadual de Mudanças Climáticas de Mato Grosso do Sul: “Por um MS Verde, o tempo é agora”. Durante o período da tarde de segunda-feira (1º), o evento se concentrará em dois painéis temáticos. No primeiro, intitulado “Agenda climática: missões e mitigação”, especialistas como Renato Roscoe, Jeconias Júnior e Mônica de Los Rios discutirão sobre a adesão dos municípios à agenda climática, estratégias estaduais de Redd+ jurisdicional, e o papel do setor produtivo nesse contexto.

O segundo painel, “Conectando os três pilares da sustentabilidade na prática”, trará reflexões sobre ações de restauração como indutoras de desenvolvimento, produção sustentável e seus impactos sociais, e a contribuição do turismo para a ação climática, além do Programa MS Carbono Neutro 2030.

No dia seguinte, 2 de abril, o fórum oferecerá oficinas práticas, todas voltadas para a aplicação de soluções sustentáveis em diferentes setores, como pecuária, manejo do fogo, estratégias de carbono neutro, conservação de recursos hídricos e modelos inovadores de agropecuária sustentável.

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